Carta assinada por celebridades em apoio ao Pussy Riot é levada à Rússia

“Pussy Riot se tornou uma espécie de nome para o movimento que tenta tirar Putin do poder”, disse Tom Hayes, dono do CBGB, que levou o documento a Moscou após ser recusado pela embaixada nos Estados Unidos

Greg Prato Publicado em 29/08/2012, às 15h41 - Atualizado às 17h17

Pussy Riot
AP

Artistas renomados já foram a público declarar apoio às três integrantes do Pussy Riot que foram condenadas à prisão na Rússia. Os mais recentes foram Roger Waters (ex-Pink Floyd), Peter Gabriel, o apresentador de TV Anthony Bourdain, Patty Schemel (ex-Hole), Bun E. Carlos (Cheap Trick) e a família de Joey Ramone, que assinaram uma petição articulada pela Anistia Internacional nos Estados Unidos e pelo CBGB.

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Nesta semana, os atuais responsáveis pela marca CBGB, Tim Hayes e Louise Parnassa Staley, entregaram carta escrita a mão às autoridades em Moscou. “A Anistia Internacional tem 100 mil assinaturas que foram levadas à embaixada russa em Washington, e foi retirada do prédio”, disse Hayes à Rolling Stone EUA. “Eles tinham uma reunião marcada quando apresentaram os nomes, mas então as autoridades russas pediram que saíssem imediatamente. Quando responderam que deixariam as assinaturas, os oficiais se recusaram a aceitar e os expulsaram do prédio.”

“Depois que isso aconteceu, eu e Louise decidimos levar pessoalmente a carta assinada por celebridades ao promotor em Moscou”, continuou. “Enquanto estivemos lá, fomos a uma reunião na qual encontramos familiares das integrantes do Pussy Riot e o marido de Nadia Tolokonnikova, que era quem comandava a banda e está na prisão há cinco meses. Encontramo-nos com os advogados e outros apoiadores da causa, e passamos um fim de semana trabalhando com eles e organizando mais formas de pressionar globalmente a administração de [Vladimir] Putin. A banda acha que as eleições do presidente foram ilegítimas e que ele não deveria estar no comando – porque ele trapaceou e a eleição foi fraudulenta. E que ele ainda reprime a liberdade de expressão e de discursos.”

Enquanto esteve na Rússia, Hayes conseguiu perceber um pouco da atmosfera do país. “O clima na capital está tenso. O que eu não vi na imprensa ocidental é que o Pussy Riot é muito mais que uma banda punk. Realmente representa um grupo de pessoas – assim como o movimento Occupy Wall Street. Pussy Riot se tornou uma espécie de nome para o movimento que tenta tirar Putin do poder. E eles estão se organizando por todo o país. Essas garotas realmente são os rostos do movimento, mas trata-se de algo muito maior. A polícia está monitorando de perto e tentando agressivamente derrubar qualquer manifestação pública ou demonstração de apoio à banda.”

Hayes também ofereceu uma atualização sobre Tolokonnikova, além de Yekaterina Samutsevich e Maria Alyokhina. “As três garotas estão na prisão em Moscou, onde aguardaram pelo julgamento. Assim como nos Estados Unidos, é normal que se espere em liberdade. Mas a elas foram negados todos os direitos normais, e elas foram deixadas na prisão. Estão proibidas de se comunicar com qualquer um que não seja o advogado. Então, não conseguem falar com seus familiares. Nadia tem um filho de quatro anos de idade, e não conseguem falar com seus familiares, não podem receber visitas.”

De acordo com Hayes, o Pussy Riot gostaria de concertar um equívoco. “Elas certamente não se arrependem, mas desejam comunicar ao mundo que a ação não teve nada a ver com religião, nada a ver com a igreja. Elas têm um longo histórico de demonstrações públicas e desafios ao governo. Parece que foram presas porque usaram a igreja, mas esta foi apenas uma oportunidade para a polícia capturá-las, porque muitas outras ações foram encobertas.”

Os donos do CBGB também revelaram a expectativa de reabrir a lendária casa em um local diferente de Nova York. “Estamos buscando uma propriedade”, disse Hayes. “Nós pensávamos que tínhamos encontrado um local. Era um bom prédio e fizemos uma oferta há cerca de um mês, mas não conseguimos fechar o negócio. Então estamos procurando um espaço. Um imóvel em Manhattan não é fácil.”