Coadjuvante de si mesmo

Em quarto filme da série, que estréia hoje no Brasil, Rambo deixa de ser exército de um homem só

Por Pablo Miyazawa Publicado em 29/02/2008, às 12h44 - Atualizado às 12h55

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Antes mesmo de ressuscitar Rocky Balboa, Sylvester Stallone já havia prometido recuperar John Rambo de quase 20 anos de ostracismo. E tal qual o amargurado veterano de guerra, Sly é homem de palavra. Orçamento limitado em mãos, descrença da crítica e ansiedade do público nas costas, o astro foi à luta: co-escreveu enredo e diálogos, escalou elenco e dirigiu cada cena de Rambo 4 (apenas Rambo no original).

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Aos 61, Stallone parece exausto (ainda que forte como nunca) e provavelmente por isso tenha optado por um estilo alternativo de atuação. Ao invés de ser a estrela solitária de uma carnificina particular, Rambo divide cenas e louros sangrentos com uma inacreditável e improvável equipe de mercenários. Presenciar o último herói americano como coadjuvante de seu próprio filme é talvez mais chocante do que assistir às mais exageradas cenas violentas que o cinema proporcionou em muito tempo. Na já histórica seqüência do massacre na vila birmanesa, nem crianças ou cães são poupados.

É até uma pena que esse cuidado com o realismo visceral não tenha se estendido ao roteiro e aos diálogos, profundos como um cinzeiro sujo. A curta duração e a produção de caráter quase amador também contribuem para um clima caseiro e irresistivelmente cômico, que não permitem que nada daquilo seja levado a sério. Se não fosse pela extrema violência gráfica, Rambo 4 passaria facilmente por um típico filme de ação produzido nos anos 80 - o que, dadas as circunstâncias, não é de todo ruim. Fiel a suas limitações e com tocante honestidade, Stallone entrega ao mundo exatamente o que se esperava dele. Fã nenhum irá desprezar esse esforço.