Com Dave Matthews Band e Incubus, Summer Break Festival SP realiza sua primeira edição

SOJA, O Rappa e Só Liminha Ouviu também se apresentaram no evento, que aconteceu neste sábado, 7, no Campo de Marte, em São Paulo

Stella Rodrigues Publicado em 08/12/2013, às 11h25 - Atualizado em 14/12/2013, às 21h03

Dave Matthews Band no Summer Break Festival SP

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Na rabeira de outros e já consagrados festivais que aconteceram neste fim de ano, o Summer Break Festival fez sua estreia, em São Paulo (o segundo dia dele acontece no Rio de Janeiro neste domingo, 8), em meio a uma certa descrença. Isso porque nas últimas semanas os valores dos ingressos tiveram que ser baixados, o local, no Rio, alterado e as entradas ainda foram parar no site de compras coletivas Groupon. Ou seja, tudo indicava que os bilhetes estavam encalhando e esse é sempre um mau sinal. Mas chegado o sábado, 7, de muito sol (pelo menos até o fim da tarde), os paulistanos saíram de casa para ver, especialmente, Incubus e Dave Matthews Band, as duas bandas internacionais que encabeçaram a programação do festival estreante. De acordo com a assessoria de imprensa, os 30 mil ingressos foram quase esgotados.

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Essas pessoas foram compensadas com dois ótimos shows. Apesar de um atraso de mais de meia hora para começar a performance do Incubus (foi alegada uma falha elétrica), que acabou atrasando o andamento do evento, também há pouco a ser dito sobre a organização e logística: poucas filas para comer e beber e muitas barracas espalhadas pelo Campo de Marte, na Zona Norte da capital, que teve seu espaço bem distribuído. Quem chegou cedo, infelizmente, não conseguiu ver muita coisa pelo telão, que só passou a funcionar corretamente depois de algumas horas. E em casos como o do Summer Break, que tinha pista VIP, faz toda a diferença poder contar com a transmissão do telão para que não se perca nenhum detalhe de lá de longe. A questão mais grave, contudo, era a do som, que ficou bastante embolado, especialmente nos primeiros shows. O baixo d' O Rappa, por exemplo, foi uma questão durante toda a performance, ficou baixo demais e os músicos reclamaram algumas vezes.

O headliner Dave Matthews Band, longe de seu período de mais sucesso, parecia uma escolha inusitada para fechar um festival de verão, mas se provou acertada. Carismático, ele conquistou a plateia com seu inseparável violão e piadinhas simpáticas do tipo "não se preocupem se vocês não entenderem o que eu digo. Muitos falantes de inglês também não entendem", brincou com seu sotaque carregado, proveniente da África do Sul, onde nasceu. Acima de tudo, foi a mistura sonora e hits como "The Space Between", "Don't Drink the Water" e "What Would You Say" que fez as pessoas ficarem até mais de 0h acompanhando longos e caprichados solos e pirações musicais de Dave e sua banda. Faixas mais novas, como "Rooftop" (do disco mais recente do grupo, Away From the World, do ano passado) também tiveram espaço, em um setlist que passou por todos os cantos e estilos da carreira da Band.

“Depois de tanto tempo em turnê, precisávamos dar um tempo”, diz tecladista do Incubus, atração do Summer Break Festival.

Apesar de não ser oficialmente a atração principal, uma certa debandada ao fim do show do Incubus e as muitas camisetas da banda californiana que adornavam os corpos felizes do público deram indícios de que o grupo, que assim como a DMB se apresentou na primeira edição do finado festival SWU, tirou muito daquele público de casa. Mais especificamente, os singles "Wish You Were Here", "Anna Molly", "Adolescents" e "Drive", devem ter sido responsáveis por uma parcela polpuda da venda de ingressos, assim como o vocalista Brandon Boyd, com seu jeito de gatinho da Califórnia. Dois ótimos momentos do show foram a inserção de um trecho de "Hello", do Lionel Ritchie, em "Made for TV Movie", e a menção a "I Want You (She's so Heavy)", dos Beatles já no fim do show. Casamentos inusitados e perfeitos que têm feito parte da turnê.

Mike Einziger, do Incubus, comenta parceria bem-sucedida com o DJ Avicii: “a conexão que temos era inesperada”.

As atrações nacionais foram três: a D'Naipes, banda vencedora do concurso Temos Vagas e abriu a tarde, os paulistanos do Nem Liminha Ouviu e a já mais do que veterana O Rappa. Nem Liminha Ouviu, que tem batido cartão nos festivais pelo Brasil, é uma homenagem cheia de covers às bandas de rock oitentistas que não são mais tão lembradas hoje - ou até são, mas pelos fãs do gênero específico. Versões de músicas de Os Replicantes ("Nicotina") e 365 ("São Paulo") são o arroz com feijão do setist deles. Neste caso, o prato veio temperado de vários problemas no som, dos quais eles reclamaram bastante. O acompanhamento foi um protesto improvisado, típico de letras de rock dos anos oitenta, aliás, por transporte 24 horas em São Paulo, entre outras coisas. "Ajuda a gente, Dilma [Rousseff], só precisamos de menos corrupção, aí vocês vão ver como a gente vai ter hospital, educação, vai ter tudo".

O Rappa também levou discursos para a performance. Mas chamou a atenção mesmo as homenagens a Nelson Mandela e Charlie Brown Jr. O vocalista Falcão pediu palmas para o ex-presidente e vencedor do Nobel da Paz, que morreu na última quinta, 5, e foi um dos principais nomes na luta contra a segregação racial na África do Sul. "Direitos iguais e liberdade, salve Mandela", disse após a performance de "Mar de Gente". Um cover de "Zóio de Lula", com a participação do segurança de Chorão, relembrou os músicos da banda santista que morreram este ano e eram amigos do grupo que estava no palco. "Não adianta, a gente nunca vai esquecer desses filhos da puta do nosso coração", disse.

Jacob Hemphill, vocalista do SOJA, também participou da apresentação, dividindo o microfone com o frontman d'O Rappa. Aliás, o SOJA (Soldiers of Jah Army), talvez seja a atração que mais tenha combinado com a proposta de veraneio (embora a estação mais quente do ano ainda nem tenha começado oficialmente). A banda de reggae puro, encaixada entre o rock mais pesado do NLO e a mistura de rock, dub e reggae d' O Rappa, levou sua mensagem de ecologia, paz e harmonia para uma arena em clima de fim de tarde na praia (sol forte dando lugar a nuvens ameaçadoras que nunca se manifestaram - pelo menos não com força). O SOJA, que esteve no Brasil duas vezes recentemente, tocou as faixas "She Stills Love Me", "Not Done Yet", "Everything Changes" e "I Don't Wanna Wait", entre outras - além de ter feito um medley se samba que caiu muito bem. Ao fim, Jacob deixou uma de suas mensagens inspiradoras sobre sermos todos iguais: "Sejam legais com todo mundo. Amor é a solução, dinheiro é a contradição. Somos todos iguais, são todos seus irmãos e irmãs. Paz e amor, amamos você".