Com mudança radical de estilo, Daniel Meade lança seu sétimo álbum

Angela Watt Publicado em 11/09/2018, às 13h07 - Atualizado às 13h13

Daniel Meade

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Um conceito curioso: um disco onde cada música começou como uma carta escrita pelo e para o próprio artista, como um método para lidar com a ansiedade e a depressão. Essa é a ideia por trás de When Was The Last Time, de Daniel Meade, lançado pela Button Up Records e ainda inédito no Brasil.

Entre apresentações com o guitarrista (e virtuoso) Lloyd Reid, Daniel revelou à Rolling Stone Brasil como a ideia veio à tona. “Na verdade, foi bastante casual, até certo ponto, já que eu tinha selecionado cerca de 20 músicas para demonstrar e só então percebi que dez delas tinham começado como cartas e eu tomei isso como um sinal. Eu tinha lido sobre escrever cartas para você mesmo quando você está lutando contra depressão, e isso me ajudou em alguns momentos loucos, então a ideia realmente se formou, eu não posso levar muito crédito”, diz Meade. O resultado foi um álbum coeso: “Eu acho que tive sorte!”, comenta.

Este é o sétimo lançamento do músico de Glasgow desde 2013 e marca uma mudança sonora significativa para Meade. Conhecido por um estilo que flerta com o country, esse álbum tem uma mistura saudável de rock psicodélico, folk e até pop, com um toque de sensibilidade celta. Curiosamente, o primeiro single do disco, "Oh My, My Oh", foi direto para a parada country no top 10, e é possivelmente a música que menos tem a ver com o country a alcançar esse feito. Em compensação, você pode ouvir a influência distinta dos Beatles ao longo do álbum nas harmonias e escolha de acordes, bem como nos backing vocals no estilo Electric Light Orchestra e guitarras que lembram os Byrds.

Sobre a mudança na sonoridade, aproveito para perguntar se a transformação foi proposital. “Sim e não. Eu não sentei e disse 'Eu quero fazer um álbum mais rock', mas eu selecionei algumas músicas que eu sabia que teria que abordar de forma diferente dos meus lançamentos anteriores. Eu escrevo em vários estilos diferentes, então eu tenho uma boa quantidade de material para escolher quando se trata de fazer um álbum, e ao invés de seguir um caminho que eu já viajei musicalmente, eu pensei em me desafiar”, diz Meade.

O artista gravou o álbum no espaço de quatro semanas e tocou todos os instrumentos, com exceção da bateria. A falta de tempo é compreensível: Meade está constantemente na estrada, seja se apresentando sozinho, tocando teclados e banjo para o Ocean Colour Scene ou como músico de apoio para artistas como Diana Jones e Old Crow Medicine Show. No entanto, para um processo de gravação tão rápido, o resultado é surpreendentemente polido.

Os destaques vão para a cativante "Nothing Really Matters" (veja o vídeo abaixo), marcada por riffs de guitarra e ritmo pulsante, "The Day the Clown Stopped Smiling", que lembra as melhores canções do Travelling Wilburys. Outro bom momento é a despojada "So Much for Sorrow", que tem um aspecto quase esotérico graças a um eco pesado na voz de Meade.

Sobre "Nothing Really Matters" (“Nada Realmente Importa”, em português), a música escolhida para ser o novo single do álbum, Daniel revela que decidiu por ela graças a sua letra de mensagem positiva. “Apesar do título, a música lhe encoraja a viver a vida que você escolher, e neste momento esse é o melhor conselho que posso oferecer. Você nunca sabe o que está por vir quando você vira a esquina. Como disse Charles Bukowski, 'encontre o que você ama e deixe isso te matar!'” – comenta.

O disco também traz comentários sócio-políticos ("If The Bombs Don’t Kill Us") e fechando com uma homenagem ao folk de Bob Dylan em "Don´t We All".

Para quem ainda não conhece o trabalho de Daniel Meade, When Was The Last Time revela um artista instigante e sincero que, através de uma carreira prolífica, alcançou novos níveis de excelência no mundo da música.