Da chuva, caos e o quase cancelamento aos shows redentores de Post Malone e Kings of Leon: o 2º dia de Lollapalooza 2019

Por duas horas, o festival realizado no Autódromo de Interlagos esteve suspenso, com perigo de ser cancelado, mas voltou e recebeu um público de 92 mil pessoas

Redação Publicado em 07/04/2019, às 08h23

None
Montagem com imagens de Caleb Followill e Post Malone, atrações mais importantes do 2º dia de Lollapalooza (Fotos: Camila Cara e Mila Maluhy)

O segundo dia do Lollapalooza Brasil 2019 teve um desenrolar bem diferente do seu antecessor. Se o primeiro dia foi tomado pelo sol e pelo calor escaldante, quem decidiu dar as caras neste sábado, 6, foram as nuvens e a chuva.

+++ Arctic Monkeys maduro, xingamentos a Bolsonaro e acerto com os Tribalistas: o 1º dia do Lollapalooza 2019

O temporal que não veio na sexta parece ter se poupado um dia a mais para poder chegar com tudo e marcar presença. Resultado: durante mais de duas horas, o festival ficou paralisado. O caos foi instaurado em meio a um público que não sabia se a melhor opção era sair correndo do Autódromo de Interlagos ou apenas encontrar abrigo e esperar até que tudo se acalmasse.

Por fim, o céu decidiu dar uma trégua, e o Lolla 2019 retomou suas atividades normais, embora alguns shows tenham sido sacrificados para que o festival não atrasasse demais. Com isso, Silva, Rashid e Lany não voltaram aos palcos. 

Desta forma, atrações como Lenny Kravitz, Post Malone e Kings of Leon se apresentaram no festival nos horários marcados e para um público recorde de 92 mil pessoas.

As brasileiras que fizeram todo mundo derreter

Enquanto o sol se posicionava de forma aparentemente imponente no céu, a cantora Duda Beat reuniu, com ternura singular, fãs e pedaços de corações partidos no primeiro horário do dia. 

Artista revelação da música nacional, ela se emocionou ao ver a reação do público do festival às suas primeiras músicas.

Salma Jô, líder do Carne Doce, também hipnotizou e cativou um público composto por fãs e curiosos que acabaram dançando e ficando até o fim do show depois de decidirem apenas dar aquela passadinha no palco Budweiser. 

O calor do meio dia não impediu a banda de criar um clima agradável e também melancólico, como é seu som.

Entre gritos de oposição a Jair Bolsonaro, Liniker e os Caramelows cantaram e choraram o afeto. “É por isso que estamos aqui”, diz a vocalista Liniker Barros, ao ouvir gritos contra o presidente da República. Sempre sorridente e transbordando amor, ela foi a última a conseguir se apresentar antes do início do temporal e tudo que veio come ele.

Chuva e paralisação 

Foi durante os shows da banda LANY e do rapper Rashid (que conseguiu tocar apenas uma música), que as ameaças de raio começaram a surgir. Os ventos fortes colocaram a organização do Lolla em alerta, e foi tomada a decisão de suspender as apresentações até segunda ordem.

O temporal veio, e com ele, a correria de uma plateia que buscava deixar o Autódromo de Interlagos ou simplesmente achar um cantinho para se protejer da chuva.

Ninguém sabia ao certo se o festival continuaria, ou se o segundo dia seria cancelado. As coisas chegaram perto de terem acabado na segunda opção, mas felizmente, 2 horas e 11 minutos depois, o evento ressurgiu das cinzas (ou das poças).

O novo começo do segundo dia

As duas primeiras bandas autorizadas a subirem novamente ao palco foram Snow Patrol e Jain.

No palco Adidas, a cantora francesa trouxe seu imenso repertório que flerta com o hip-hop, a música árabe e batidas eletrônicas, tudo por trás de uma embalagem pop.

A banda norte-irlandesa, por sua vez, fez um show de no máximo 30 minutos, mas pelo menos aproveitou o curto tempo que lhes restava para tocar seus maiores hits como "Open Your Eyes" e "Chasing Cars". Ao todo foram seis músicas e, tão rápido quanto subiram no palco, o deixaram.

Houve aqueles que disseram que o Bring Me The Horizon tinha perdido seus fãs ao mudar radicalmente de estilo musical: a banda foi do metal ao pop. Mas o número de pessoas presentes no show deles deste Lolla provou o oposto. O repertório abordou ambas as suas facetas, e o BMTH garantiu uma apresentação gloriosa.

Jorja Smith começou sua carreira musical quando tinha apenas 11 anos, e conta que, na época, sua maior influência foi Amy Winehouse, com o disco Frank (2003). Não é à toa que se tornou uma das maiores referências do R&B contemporâneo. A cantora aqueceu o coração da plateia com canções sobre relacionamentos e inseguranças.

Do rock nostálgico ao rap contemporâneo

Em um dia em que o festival quase foi cancelado, Lenny Kravitz subiu ao palco com um sorriso e uma energia contagiantes, mas com uma função específica: a de ser aquela música que acalenta, que carrega memórias afetivas e proporciona uma sensação de conforto. Com hits da época de ouro da MTV como "Fly Away", o músico conseguiu um resultado surpreendente.

O rapper Post Malone é protagonista de muita discussão e divisão de público para os fãs do gênero. Mas independente de qualquer coisa, conseguiu reunir uma plateia que chegou a surpreender até mesmo aqueles que já tinham certeza que uma multidão se formaria na frente do palco. Apesar da legião a sua frente, ele se mostrou íntegro e original ao performar as suas rimas.

O melhor show que pouco viram

O duo Odesza sofre do pior dos males existente no universo dos festivais: tocar no mesmo horário que artistas incomparavelmente maiores. No palco Perry's, Steve Aoki fritava o cérebro do fãs de eltrônico, enquanto no Budweiser, Kings of Leon reunia a grande maioria dos presentes.

Mas  não foi por isso que a dupla deixou de fazer um espetáculo sonoro e visual, com talvez o palco mais elaborada dos dois dias até agora. As luzes acentuavam as silhuetas dos dois integrantes, enquanto telas de led reproduziam imagens psicodélicas e em sincronia com a música.

Apesar do pouco público, Odesza demonstrou uma animação incomparável, contagiando a todos que decidiram fugir do gigante mainstream.

A redenção do Kings of Leon

Escalados de última hora e como que um plano B para acalmar a insatisfação do público com a revelação dos Tribalistas como headliner do segundo dia, o Kings of Leon vinha para provar que ainda pode ser uma banda respeitada e admirada.

Depois de cinco turnês decepcionantes no Brasil, o grupo retornou ao país com força total, e deixou claro que ainda tem em si o espírito que há tempos não se manifestava. Se o temporal tivesse resultado no cancelamento do evento, o KOL teria perdido a chance de presentear os fãs o show que trouxeram: revigorados, em sintonia e, acima de tudo, confortáveis no palco. 

+++ Análise: de tanto apanhar, Kings of Leon personifica o “Rocky Balboa” e vence após de 7 tentativas

Domingo: o último dia de Lolla

Além de Kendrick Lamar, um dos maiores nomes do rap atual (e sem dúvida uma das escolhas mais elogiadas de toda essa edição do festival), o terceiro e último dia de Lollapalooza Brasil 2019 terá, assim como o Kings of Leon, outra banda que precisa provar seu valor: o Greta Van Fleet, grupo que vem dividindo opiniões como há tempos não se via.

Há quem diga que lhes falta originalidade e que soam exatamente como uma cópia pior de Led Zeppelin, enquanto outros dizem que a sonoridade repetida do Led é exatamente do que o rock precisa. É no show de domingo que o público brasileiro vai ter sua chance de ver com os próprios olhos e tirar suas conclusões. Veja aqui nosso guia para o último dia de Lolla 2019.

+++ E clique aqui para conferir o que esperamos ver no show do Kendrick.

Para saber tudo que aconteceu no primeiro dia de Lolla 2019, leia a nossa cobertura dos principais shows da sexta, 5 de abril, que teve um Arctic Monkeys mais maduro e uma diversidade de xingamentos a Bolsonaro.