Com vibrações espaciais, grupo Man... or Astro-Man? dá adeus ao Brasil

Energia punk e surrealismo cinematográfico marcam show do quarteto norte-americano, que encerrou turnê em São Paulo

Pablo Miyazawa Publicado em 11/05/2012, às 19h19 - Atualizado às 21h24

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Com o mais próximo possível de uma “formação clássica”, o Man... or Astro-Man? realizou na noite de quinta, 10, o primeiro show em espaço fechado em São Paulo desde 2001. O guitarrista Brian Causey - o Star Crunch, membro-fundador e principal compositor - jamais havia tocado no país (ele deixou a banda em 1998). Outra novidade na formação foi a guitarrista Avona Nova (codinome de Samantha Paulsen), de presença de palco energética e gestual sexy-robótico. O performático baterista Birdstuff (Brian Teasley) e o incansável baixista Coco The Electronic Monkey Wizard (Robert Del Bueno) já respiraram ares brasileiros anteriormente, tendo participado das turnês que passaram por cidades como São Carlos, Londrina e Goiânia no final dos anos 90 e início dos 2000.

Um show do MOAM? chega a ser um evento memorável para olhares inéditos - uma combinação de agressividade punk, surrealismo cinematográfico e pitadas de humor sofisticado. As faixas são emendadas umas às outras, com pouca conversa fiada e em clima apocalíptico – para um ouvinte neófito, é provável que todas soem parecidas demais, tal qual o repertório dos Ramones no início de carreira. O som abafado vindo dos falantes do Cine Joia não ajudou muito o discernimento entre agudos e médios – no caso do Astro-Man, uma necessidade em se tratando de músicas conduzidas basicamente por riffs carregados de delays e reverbs. A plateia, aparentemente formada por fãs antigos - e mais contemplativa do que o esperado -, não abriu rodas de pogo, se limitando a dançar de maneira quase contida.

No palco, a banda queimava calorias para disparar sua energia sônica de surf music em ondas sonoras afiadas, agitando em transes epiléticos, trombando uns com os outros, escalando caixas de som e, por fim, como de praxe, botando fogo no theremin tocado por Coco (com a ajuda das mãos dos fãs mais próximos). Trajando uniformes alaranjados, os quatro alienígenas do Sul dos Estados Unidos fizeram o que se esperava deles e talvez mais – nem a distância da estrada (a banda ficou mais de dez anos parada) atravancou a performance histérica, divertida e precisa, cravada em uma hora exata.

Ao final das 18 músicas previstas (inclusive uma nova, que estará no álbum que sai em setembro), o Man... or Astro-Man deixou o ambiente, mas a plateia não. Cinco minutos depois, decidiram voltar. “Nós jamais fazemos bis, porque isso é coisa de rockstars”, berrou Birdstuff, exalando sinceridade. “Mas para vocês, nós vamos fazer.” Mais uma música, e tudo se acabou – pelo menos em cima do palco. Minutos depois, o quarteto já cumpria outra missão: o contato direto com terráqueos, tirando fotos, distribuindo autógrafos, abraços e boas vibrações. Os aliens deixaram o planeta Brasil, mas é improvável que levem mais dez anos para retornar.

Leia a entrevista em duas partes com o baterista Birdstuff aqui e aqui.