Como 11 músicas inéditas de Adoniran Barbosa se tornaram ONZE, o projeto da cerveja Eisenbahn com intérpretes de diferentes gerações da música brasileira

Elza Soares, Zeca Baleiro, Rubel, Barro, Illy, Di Melo, Zé Ibarra, Amanda Pacífico, Francisco El Hombre, Luê e ÀVUÀ mergulharam no universo do sambista paulista à distância

Publieditorial Publicado em 06/08/2020, às 12h00

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Eles tinham um mês de gravação. Cada intérprete e músico recebeu um kit higienizado com álcool isopropílico. Ao dar o play nas 11 músicas do projeto ONZE, realizado pela Eisenbahn, disponíveis no Spotify a partir desta quinta-feira, 6, você ouvirá o produto final: 11 artistas de diferentes gerações mergulhados em 11 canções inéditas de Adoniran Barbosa. Além das músicas, também haverá faixas comentadas com alguns dos artistas do projeto.

Vamos mostrar a seguir como o projeto lançado na celebração das também 11 décadas de nascimento de João Rubinato, o saudoso sambista com a cara de São Paulo, Adoniran Barbosa, foi erguido com a produção musical da DaHouse Audio e curadoria do Coala.Lab, mesmo à distância.

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Como tudo foi possível? A equipe da DaHouse Audio, liderada pelo produtor Lucas Mayer, fez com que cada um dos artistas recebesse um kit com todos os equipamentos necessários para fazer as gravações das 11 faixas. Foi um processo artesanal, mesmo. Canção por canção, construídas com auxílio da conectividade dos dias de hoje que, para o compositor de "Tiro ao Álvaro", "Trem das Onze" e "Samba do Arnesto", soariam como uma ficção científica absurda.

Por conta disso, todo o processo foi muito caseiro e íntimo. Elza Soares gravou a inédita "Vaso Quebrado" da casa onde mora, no Rio de Janeiro. Com auxílio do próprio técnico de som, registrou os versos doloridos da canção em dois takes. O que ouvimos aqui é o segundo deles, utilizado do começo ao fim.

Claro, há artistas que possuem um estúdio profissional em casa, o que facilitou o processo, como conta Mayer. Com um take, Zeca Baleiro arrebatou a todos com "Bares da Vida", e ainda enviou backing vocals que foram dobrados pela DaHouse para se transformar em um coro no final da música.

Zé Ibarra, no Rio de Janeiro, também possui um estúdio próprio e foi bastante meticuloso. Pediu para que não mudassem a voz dele e indicou qual era o reverb que faz parte da estética própria do artista. Foram cinco idas e vindas para que chegassem à versão de "A Escola" que ouvimos agora.

A mobilidade e praticidade dos processos com o uso desses kits de gravação possibilitou que Rubel gravasse "Bolso de Fora" de Búzios, no litoral norte do Rio de Janeiro.

Já Illy recebeu em casa, em Salvador, um kit para que pudesse gravar. Em idas e vindas sobre os processos de gravar "Como Era Bom", a melodia original da canção foi alterada para se adaptar melhor ao estilo vocal da artista.

Você não vai perceber ao ouvir no Spotify, mas muitas das músicas de ONZE foram gravadas com os artistas dentro dos próprios armários. O artista Barro gravou "Debaixo da Ponte" ao criar uma cabine de gravação de voz ao lado das roupas. Ele foi todo dirigido pela equipe de Mayer de São Paulo por meio do aplicativo de chamadas de vídeo Zoom.

O mesmo kit foi dividido por Di Melo e Amanda - depois das providências de higienização dos equipamentos, é claro. Di Melo, primeiro, registrou a deliciosa "Careca Velha". Ele montou a cabine para registrar a voz no armário, com edredons e travesseiros. Além dos 4 takes dele, Di Melo enviou uma gravação da filha dele, para mostrar como deveriam ser o coro feminino das rodas de samba.

Amanda nos faz sentir de volta às feiras de rua com "Feira Livre". Curiosamente, ela não saiu do quarto (ou melhor, do armário dela). A artista enviou duas gravações, embora preferisse a segunda delas. É essa que ouvimos aqui também.

As gravações coletivas possuem mais processos, é claro. O duo ÀVUÀ, de Jota.Pê e Bruna Black gravou separadamente. Ele registrou a parte de "A Partida" em casa, em Osasco, município da grande São Paulo, enquanto Bruna preferiu usar um estúdio próximo da casa dela, cujo horário já estava marcado antes mesmo do projeto ONZE. Para fazer com que as duas vozes funcionassem juntas mesmo separadas, foram realizadas gravações de ensaio por WhatsApp antes dos registros oficiais que estão no álbum.

Quase todos os integrantes da Francisco, El Hombre tinham equipamento de estúdio em casa. Eles gravaram percussão, guitarra e vocal. Ju Strassacapa, voz da banda em "Bebemorando" recebeu o kit de gravação na casa onde mora em Cotia, cidade próxima a São Paulo, e foi auxiliada pela namorada que é engenheira de som e ajudou-a com a acústica para essa música de celebração.

No mesmo estúdio caseiro em que Mateo Piracés-Ugarte gravou as partes dele de "Bebemorando", da Francisco, El Hombre, Luê registrou "Dias de Festa". Além de cantar na canção, Luê também gravou rabeca para a canção.

O projeto ONZE, realizado pela cerveja Eisenbahn, tem a produção de Lucas Mayer (também diretor artístico do álbum) e co-produção de Silvinho Erné. Ambos também assinam os arranjos que ouvimos aqui. A produção executiva também é de Mayer com Cassiano Derenji, com Giuliana Tavares como assistente executiva.

A curadoria é assinada por Coala.Lab, a mixagem e masterização são de Rodrigo Deltoro.

Ouça ONZE com exclusividade pelo Spotify abaixo (ou aqui):

Além do disco, também foi criada uma playlist com todas as músicas do disco e faixas com  detalhes comentados do processo de algumas das canções do álbum. Ouça a abaixo (ou aqui): 

Veja a ficha técnica de cada uma das 11 músicas:

Bares da Vida - Zeca Baleiro (03:52)
Adoniran Barbosa e Maestro Portinho (1979)

Gabriel Selvage - Violões
Lulinha Alencar - Sanfona
Tuco Marcondes - Mandolin, Harmônica e Dobro
Ubaldo Versolato - Clarinete
Piano e Synths- Silvinho Erné
Kabé Pinheiro - Percussão
Ricardo Perito - Cavaquinho

Careca Velha - Di Melo (03:09)
Adoniran Barbosa e Oswaldo Guilherme (1961)

Gabriel Selvage - Violão de 7 cordas
Lucas Mayer - Violão e Synths
Diego Calderoni - Trombone
Nahor Gomes - Trompete
Meno Del Picchia - Baixo
Kabé Pinheiro - Percussão
Ricardo Perito - Cavaquinho
Silvinho Erné - Piano
Anna Tréa - Backing Vocals
Gabi Di Abade - Backing Vocals
Arranjos de Metais e Flauta: Silvinho Erné e Lucas Mayer

Como era Bom - Illy (03:05)
Adoniran Barbosa e Sulino (1972)

Gabriel Selvage - Violão de 7 cordas
Lucas Mayer - Violão, Synths e Cordas
Meno Del Picchia - Baixo
Kabé Pinheiro - Percussão

Bolso de Fora - Rubel (02:54)
Adoniran Barbosa e Francisco Nepomuceno (1978)

Gabriel Selvage - Violão de 7 cordas
Diego Calderoni - Trombone
Nahor Gomes - Trompete
Meno Del Picchia - Baixo
Kabé Pinheiro - Percussão
Ricardo Perito - Cavaquinho
Silvinho Erné - Teclados
Lucas Mayer - Programação e Synths

A Partida - ÀVUÀ (02:46)
Adoniran Barbosa e Alcyr Pires Vermelho (1965)

Gabriel Selvage - Violão de 7 cordas
Jota.Pê - Violão
Diego Calderoni - Trombone
Nahor Gomes - Trompete
Ubaldo Versolato - Sax e Flauta
Meno Del Picchia - Contrabaixo
Kabé Pinheiro - Bateria e Percussão
Ricardo Perito - Cavaquinho
Teclados: Silvinho Erné
Programação e Synths: Lucas Mayer
Arranjos de Metais - Silvinho Erné e Lucas Mayer

De Baixo da Ponte - Barro (03:36)
Adoniran Barbosa e Sidney Morais (1965)

Hugo Lins - Viola Caipira
Lucas Mayer - Guitarras e Programações
Gabriel Selvage - Violão de 7 cordas.
Diego Calderoni - Trombone
Nahor Gomes - Trompete
Ubaldo Versolato - Sax
Lulinha Alencar - Sanfona
Beto Mejía - Pífanos
Meno Del Picchia - Baixo
Kabé Pinheiro - Percussão
Ricardo Perito - Cavaquinho
Silvinho Erné - Synths
Luiza Caspary - Backing Vocals

Vaso Quebrado - Elza Soares (03:27)
Adoniran Barbosa e Osvaldo Guilherme (1965)

Gabriel Selvage - Violão de 7 cordas.
Diego Calderoni - Trombone
Ubaldo Versolato - Clarinete e Sax
Nahor Gomes - Trompete
Beto Mejía - Flauta
Meno Del Picchia - Baixo
Kabé Pinheiro - Percussão e Bateria
Lulinha Alencar - Sanfona
Ricardo Perito - Cavaquinho
Silvinho Erné - Synths
Lucas Mayer - Banjo Tenor, Mandolin, Synths e Programações
Anna Tréa - Backing Vocals

Feira Livre - Amanda Pacífico (02:54)
Adoniran Barbosa e Walter Santos (1980)

Gabriel Selvage - Violão de 7 cordas.
Wonder Bettin - Banjo Tenor
Diego Calderoni - Trombone
Ubaldo Versolato - Clarinete e Sax
Nahor Gomes - Flugel
Beto Mejía - Flauta
Meno Del Picchia - Violão e Contrabaixo
Kabé Pinheiro - Percussão
Ricardo Perito - Cavaquinho
Arranjos de Metais: Beto Mejía e Lucas Mayer
Sound Design: Iris Fuzaro e Lucas Mayer

Bebemorando - Francisco El Hombre (02:48)
Adoniran Barbosa e Wilma Camargo (1965)

Gabriel Selvage - Violão de 7 cordas
Francisco el Hombre - Guitarras, Percussões e Backings
Diego Calderoni - Trombone
Nahor Gomes - Trompete
Ubaldo Versolato - Sax
Meno Del Picchia - Baixo
Kabé Pinheiro - Bateria e Percussão
Ricardo Perito - Cavaquinho
Teclados: Silvinho Erné
Programação e Synths: Lucas Mayer
Arranjos de Metais - Lucas Mayer e Beto Mejía

Dias De Festa - Luê (03:03)
Adoniran Barbosa e Annita Salles (1968)

Gabriel Selvage - Violão de 7 cordas
Luê - Rabeca
Diego Calderoni - Trombone
Lulinha Alencar - Sanfona
Beto Mejía - Pífanos
Meno Del Picchia - Violão e Contrabaixo
Kabé Pinheiro - Percussão
Ricardo Perito - Cavaquinho
Lucas Mayer - Guitarras, Synths, Programações e Arranjo de Metais
Silvinho Erné - Synths

A Escola - Zé Ibarra (03:08)
Adoniran Barbosa e José Toledo (1977)

Gabriel Selvage - Violão de 7 cordas
Zé Ibarra - Violão
Lulinha Alencar - Sanfona
Diego Calderoni - Trombone
Nahor Gomes - Trompete
Meno Del Picchia - Contrabaixo
Kabé Pinheiro - Percussão