Como a angústia adolescente do Blink-182 cresceu

“Nós realmente éramos uns jovens desajustados do subúrbio”, diz o vocalista e guitarrista Tom DeLonge; “Isso realmente repercutia nos anos 90”

Por Steve Appleford Publicado em 25/03/2011, às 08h44

Blink-182 mostrará uma versão mais madura da banda no novo disco
AP

Os caras do Blink-182 são homens mudados. Estão terminando seu primeiro novo álbum desde que se separaram, em 2005 - e incorporando o que aprenderam nos anos durante os quais estiveram separados. Seu lançamento de verão ainda sem título passará longe do pop-punk cativante e meio babaca, de guitarras ressoantes, conforme promete o vocalista e guitarrista Tom DeLonge. "Tem elementos enormes de rock de estádio, punk e indie rock, com batidas de drum'n'bass. É legal", ele contou à Rolling Stone EUA. "Queríamos pegar o que já tínhamos feito e misturar tudo na mesma panela e, esperamos, sem esquecer quem nós éramos ao longo do caminho."

Os punks do sul da Califórnia que antes cantavam incansavelmente sobre corações partidos, ereções e "crescer" passaram por muita coisa durante os últimos cinco anos: novas bandas, programas de TV, casamento, família e o acidente de avião de 2008 do baterista Travis Barker, ao qual ele sobreviveu por pouco. Enquanto o Blink-182 já tinha começado a evoluir para o território de um pop mais profundo e sombrio no lançamento homônimo de 2003 (que inclui um dueto com o Robert Smith, do Cure), os reunidos DeLonge, Barker e o cantor e baixista Mark Hoppus estão ansiosos para demonstrar um novo crescimento em uma nova década.

"Eu quero me certificar de que não perdemos aquela 'angústia'", explica DeLonge, 35, a respeito do som original da banda de frustração e ganchos rápidos e radiantes. "Eu quero pegar isso e entregar em um pacote que seja muito moderno, usando instrumentações e fórmulas para alçar você a lugares diferentes com música que não seja somente pop-punk de três acordes com riffs. O que podemos fazer agora é pegar essa essência do que o Blink-182 era e de fato transformar em algo que tenha um 'crescente'. É isso que me empolga."

Manter a nova música ligada à história multiplatinada e presunçosa da banda é o objetivo de Hoppus. "Ele está superciente de quem somos e se certificando de que a gente não vai perder isso", diz DeLonge. "Mark diz: 'Sim, mas por favor não se esqueçam como chegamos aqui'. E eu digo: 'Você está absolutamente certo!'".

O álbum, produzido por eles mesmos, terá entre dez e 12 novas músicas e está sendo gravado no estúdio de DeLonge em San Diego e em Los Angeles por Hoppus e Barker. Uma das faixas terminadas é a franca "Ghost on the DanceFloor", que relembra amores passados entre arranjos arrojados. "Travis disse que ela realmente o estava emocionando, porque o lembrava de um amigo que perdeu no acidente de avião", diz DeLonge. "É legal ver a gente se unir por causa de uma coisa dessas. Essa é a cola em uma banda de rock disfuncional."

Reunir a banda não era algo que DeLonge esperava, mas após o acidente de Barker, se tornou inevitável. "Essa foi uma enorme surpresa para mim", ele diz agora. "Nós todos excluímos uns aos outros das nossas vidas com tudo. Foi um término muito bobo. Depois que Travis passou por aquele evento trágico, foi bem fácil ver que os motivos pelos quais estávamos brigando não eram nada demais e eu queria que ele se curasse."

A banda se reconectou musicalmente e emocionalmente durante uma turnê de reunião no verão de 2009, apesar de cada um deles manter projetos solo bastante ativos: DeLonge com sua banda Angels & Airwaves e Hoppus e Barker no +44. Além disso, há o recém-lançado álbum de hip-hop de Barker, Give the Drummer Some, e o programa de bate-papo semanal de Hoppus na Fuse TV, A Different Spin. Mesmo com tudo isso, o Blink-182 será novamente um projeto em tempo integral em 2011, com uma turnê mundial de arenas e festivais por trás do novo álbum começando neste verão [do hemisfério norte].

"Nós tivemos muito sucesso, mas o lugar onde o Blink-182 nasceu é... nós realmente éramos uns jovens desajustados do subúrbio. Por alguma razão, isso realmente repercutia nos anos 90 com um monte de outros jovens desajustados", diz DeLonge. "Agora todo mundo está falando: 'Então tá, seus estúpidos, retomem de onde vocês pararam, mas tragam suas habilidades para a jogada'. É bom. Nós temos planos grandes, muito grandes."