Como o isolamento social afeta a criatividade dos artistas no Brasil?

Baco Exu do Blues e outros artistas explicaram à Rolling Stone Brasil sobre como o momento atual afeta o processo criativo e possibilita transformações internas

Camilla Millan Publicado em 15/06/2020, às 07h00

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Baco Exu do Blues (Foto: Wilmore Oliveira), Caco Aniceto (Foro: Reprodução/ Instagram), Gabriella Potye (Foto: Divulgação/Ale Catan) e Luciana Artusi (Foto: Arquivo Pessoal)

“Parece que estamos em um looping temporal que as coisas sendo feitas agora vão servir só para este momento. Isso é bom e ruim, me traz o sentimento bom e o ruim de estar produzindo nesse momento”, relatou Baco Exu do Blues à Rolling Stone Brasil sobre o próprio processo criativo durante este período de quarentena.

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Devido à pandemia de coronavírus e às medidas de isolamento social, muitas pessoas estão sem sair de casa há meses, precisando lidar com o trabalho, problemas pessoais e uma série de efeitos psicológicos causados - ou agravados - por conta da quarentena.

Segundo a psicóloga Marleide Rocha, formada pela PUC-SP, o isolamento social pode ocasionar inquietação, irritabilidade, dificuldade de concentração, cansaço, desesperança e até sintomas físicos. Uma das características afetadas é a criatividade, um dos principais combustíveis dos artistas.

O rapper Baco, que lançou o disco Não Tem Bacanal na Quarentena e o single "Mate Todos Eles" durante o período de isolamento social, percebeu os efeitos da quarentena no próprio processo criativo: “No começo [do isolamento] estava muito criativo, agora já não estou mais tão criativo. Acho doido. Foi de um acesso de criatividade a um descrédito criativo”. 

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Baco não é o único artista a ter problemas de criatividade durante o isolamento social. Caco Aniceto, bailarino da Gloria Groove, professor de dança e coreógrafo, também sentiu uma mudança ao longo do período: “Nos primeiros dias estava nessa super produtividade de ‘caraca, vou treinar muito agora que estou em casa’, mas vi que nada mudava e isso não estava me fazendo bem, então sosseguei. Coloquei as minhas séries em dia”. 

Segundo Caco, as coreografias dele são montadas a partir das próprias vivências, e atualmente isso é um obstáculo: "Produzo minha arte a partir do que vivo. Se briguei com a minha namorada vou montar em uma música triste, se estou em momento feliz do relacionamento vou montar algo romântico, sensual. Esse tempo no qual estou em casa meu ‘mood’ está de total tristeza, mais introspectivo. Não consigo coreografar alguma coisa sensual, por exemplo. Estou em casa, de pijama o dia inteiro, auto-estima baixa, sem conseguir cortar o cabelo... Isso afetou."

reprodução
Caco Aniceto em casa, durante a quarentena (Foto: Reprodução/Instagram)


De acordo com Marleide Rocha, a Psicologia Positiva caracteriza a criatividade como “uma das 24 forças de caráter, ou forças pessoais, que constituem o ser humano”. Dessa forma, os efeitos psicológicos negativos da quarentena podem afetá-la, principalmente considerando o lugar no qual a pessoa busca inspiração. 

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Inspiração durante a quarentena: mudou?

Para Baco Exu do Blues, as inspirações estão diferentes: “Antes da quarentena me inspirava nas minhas vivências, no que acontecia comigo, no que via ao meu redor. Agora estou revivendo meu passado ou vontades futuras para escrever”.

Para a atriz Gabriella Potye, a busca por motivação está acontecendo de outra maneira. Em 2018, a artista estrelou, ao lado de Rodrigo Lombardi e Sérgio Mamberti, a premiada peça Um Panorama Visto da Ponte. Com a pandemia, a atriz de 25 anos explicou que precisou se adaptar:

Fotógrafo Ale Catan
Gabriella Potye, Rodrigo Lombardi, Sergio Mamberti e Patricia Pichamone - elenco de Um Panorama Visto da Ponte (Foto: Ale Catan)

 

“Sinto que a minha inspiração está muito ligada ao espaço. Quando preciso pensar, procuro um lugar aberto, uma paisagem, para ter uma visão mais ampla. Isso sempre me ajudou. Acho que o exercício do momento é tentar encontrar outra maneira de vivenciar a inspiração que esses espaços me traziam. Tento passar um tempo no sol, aquela frestinha miúda da janela, e separar um tempo para respirar”. 

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Além disso, a quarentena está sendo palco de inúmeras manifestações, protestos antirracistas e conscientização sobre desigualdades. Tal fator também se torna motivo de inspiração para muitos artistas, como Baco Exu do Blues: “Os protestos me dão gás. Quando vejo a galera reivindicando o que é seu por direito e lutando por isso me faz querer lutar também e escrever sobre isso”.

Segundo o rapper, o momento atual é desanimador, mas também pode incentivar: “Tanto o cenário político quanto o cenário de desigualdade social do país é algo que desanima, mas ao mesmo tempo dá um gás para você escrever sobre. A revolta é um grande combustível para a escrita, para a arte, para tudo”.

O dançarino Caco também percebe o contexto atual como algo, muitas vezes, desestimulador: “Nosso mundo não está sofrendo só pela pandemia, e isso às vezes nos desencoraja como seres humanos. Perdemos a vontade de produzir, de fazer, de trabalhar. Só queremos paz, um mundo melhor. Quando o problema é a Covid, estamos falando de um vírus, mas quando o problema são as outras pessoas, a intolerância, é algo muito maior". 

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Para Caco Aniceto, a inspiração está surgindo de outros lugares durante este período: “Quando vou fazer um show, me inspiro nos artistas que fazem show. Quando faço aula vou me inspirar em outros alunos fazendo aulas... Aí como todo mundo está em casa você fica ‘beleza, no que eu vou me inspirar agora? Todos estão fazendo a mesma coisa que eu’. Então comecei a prestar atenção em outras coisas. Por exemplo, estou assistindo a uma série chamada Peaky Blinders. Ela se passa na Inglaterra, e aí já comecei a ter ideias de fazer algum vídeo com isso”. 

Impactos na arte

A classe artística brasileira é, definitivamente, uma grande impactada pela quarentena.  O trabalho dos artistas, antes mesmo desse período, é frequentemente precário, sem carteira de trabalho assinada ou estabilidade financeira - um fator que desanima ainda mais durante o isolamento social, que ocasionou o fechamento de estúdios, paralisação de apresentações, espetáculos e shows.

“O que afeta os artistas durante a quarentena... Acho que é tudo. O isolamento, a falta de contato com o mundo exterior... O não estar fazendo dinheiro nesse momento também preocupa todo mundo”, explicou Baco Exu do Blues

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Segundo Luciana Artusi, a questão financeira relacionada aos artistas é preocupante: “Vulnerabilidade econômica é uma questão muito séria. Graças a um projeto de intercâmbio que faria em março, tenho o privilégio de não precisar me preocupar com a questão financeira por enquanto, mas meus amigos todos estão precisando se preocupar muito com isso. Além disso, dependendo de quanto durar, também vou me preocupar daqui a pouco”.

A atriz, cantora, dançarina e professora de inglês fez parte do elenco dos musicais Escola do Rock e Billy Elliot, produzidos pelo Atelier de Cultura, em 2019. Segundo ela, além da questão financeira, outros fatores impactam o processo criativo artístico durante a pandemia.

arquivo pessoal
Luciana Artusi em casa, durante a quarentena (Foto: Arquivo Pessoal)

 

“Existem diversas formas de arte, mas falando do teatro, se faz ao vivo. É a conexão, a troca, o encontro. Não ter essa conexão afeta muito nosso campo energético, nossa criatividade, nosso emocional. Quando nossa arte está muito vinculada ao presencial, que agora não é mais possível, a nossa arte sofre também - e como ficamos sem expressar o que queremos? Precisamos encontrar alguma outra forma, mas isso vai gerar um sofrimento, vai gerar um luto em algum lugar… Por aquilo que - espero que momentaneamente - morreu ali, que foi no presencial.”

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No caso de Caco Aniceto, o financeiro atualmente também não é um problema, principalmente devido a um fundo emergencial - economia que também o ajudou em 2019, quando se machucou e teve que se manter afastado do trabalho. “Nossa indústria [dos dançarinos] é bem marginalizada. Se a gente criar uma coreografia que seja um sucesso mundial, a gente não vai ganhar nada, só o que recebemos na hora ali para coreografar. O que eu falo para todo mundo que quer viver de dança é ‘tenha o seu fundo emergencial para esses casos’. Não temos carteira assinada. Se formos demitidos não recebemos de ninguém, por exemplo.”

Segundo o dançarino, a artista Gloria Groove também possibilitou que ele passasse a quarentena sem grandes apertos financeiros: "Sou bailarino fixo dela. Espero que isso esteja acontecendo com outros artistas também, mas aconteceu uma conscientização da produção de dar uma ajuda de custo. Isso porque sabem que um artista não é só um artista, o sujeito. Tem a banda, o DJ, a produtora, o cara do som, o balé. Tem toda uma equipe que está com esse artista. Se esse show não é vendido, muitas pessoas não trabalham".

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A atriz Gabriella Potye também vê a influência do contexto atual na própria arte: “Estamos muito à flor da pele. O que acontece lá fora repercute de um outro jeito. Tem dias que leio algo e passo o dia digerindo. Tenho vontade de gritar, sair. Mas aí lembro da responsabilidade que temos em ficar em casa. É claro que, eventualmente, isso vira arte”.

Arte da saudade

“Hoje, para mim, a dança está sendo mais um escape, uma ferramenta de extravasar os sentimentos, do que de fato algo para eu me promover ou trabalhar”, explicou o coreógrafo Caco Aniceto.

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Diante dos obstáculos no trabalho e processo criativo de artistas no campo da dança, música, teatro, entre outros, pode-se dizer que atualmente vivemos na era da “arte da saudade”. Um momento no qual artistas precisam se adaptar à falta de interação física e corporal, mas mesmo assim não deixam de produzir.

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Para o dançarino Caco Aniceto, o contato é uma das principais saudades que está sentindo no atual momento: “Sinto saudade de sorrir para outra pessoa, receber um sorriso de volta. De gritar. Sinto vontade de gritar, de abraçar as pessoas. O abraço, o sorriso, o contato… Aquela coisa bem brasileira mesmo. Sou muito caloroso, gosto de abraçar a pessoa, de sorriso, barulho”.

Segundo a psicóloga Marleide Rocha, a dimensão cultural brasileira é um dos fatores que intensificam ainda mais essa saudade: “Para nós, brasileiros, o contato físico é muito valorizado - beijos, abraços, proximidade física -  tudo isso conta na forma como a criatividade se manifesta. Um escandinavo pode valorizar o distanciamento físico, e manifestações de afetos moderadas também manifestam a criatividade. De jeitos diferentes, ambos experienciam a criatividade”.

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Baco Exu do Blues também sente falta dessa interação: “O que eu mais sinto saudades de antes da quarentena é o palco, com certeza. O palco e do público”. O mesmo ocorre com a atriz Gabriella Potye: “Sem dúvida, sinto mais saudade das pessoas. Abraços, risadas, conversas. Tenho saudade de abraçar minha avó, de passar um tempo com as minhas amigas, de me arrumar para ir ao teatro e de ter mais contato com a natureza”.

Não é diferente para a atriz Luciana Artusi, que sente os efeitos da saudade na própria produção: “Percebi que perdi aquela vontade de cantar, produzir, mas comecei a perceber e analisar o que fazia antes. Produzia mais porque estava acostumada a isso, mas não estava fazendo com que aquilo fosse algo que minha alma queria de fato fazer”.  

Como consequência, Artusi está refletindo mais sobre a própria arte dando tempo ao tempo: “Não é o que meu corpo quer expressar naquele momento, então estou me permitindo esperar e ver quando me dá vontade de cantar. Estou repensando bastante o meu propósito, o que eu quero, o que eu gosto e o que minha arte pode adicionar nesse mundo todo. Está sendo por vezes doloroso, por vezes gostoso, mas está sendo interessante”. 

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Como escapar (ou se adaptar) das incertezas e mudanças?

Apesar das dificuldades, a produção artística continua, mesmo que de maneira diferenciada. Para a psicóloga Marleide Rocha, apesar de os efeitos psicológicos negativos afetarem os artistas, ainda há a possibilidade de estimular a criatividade “garantindo recursos emocionais para lidar com esse período com mais saúde e menos sofrimento emocional".

 “Estou produzindo durante a quarentena... E está sendo muito doido porque é outra visão, outra perspectiva”, disse o rapper Baco Exu do Blues.

Por meio da tecnologia, a interação entre os artistas também pode ocorrer - além de abrir a possibilidade para diferentes tipos de trabalho e, inclusive, meios de se manter financeiramente. É o exemplo das lives realizadas por diversos cantores, como Nando Reis, Di Ferrero, Marília Mendonça, Duda Beat, Ivete Sangalo, Djonga e Emicida. No entanto, as redes sociais também contribuem para outras áreas culturais.

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É o caso da dança, como explicou o coreógrafo Caco Aniceto: “De início, nosso movimento começou a fazer lives gratuitas para incentivar o pessoal a ficar em casa, mas chegou um momento em que a gente parou e pensou, ‘estamos trabalhando de graça, tem gente que pagaria para isso’. Então a galera entendeu que esse era um novo jeito de se trabalhar dando aula, mentoria, entrevista ou algo do tipo. Cada um começou a fazer um Instagram particular ou criar outras alternativas em plataformas de vídeo e vender essas aulas”.

Segundo o dançarino, essa foi a alternativa que ele viu - e os resultados foram muito bons:  “Comecei a vender aulas para meus alunos regulares e foi incrível porque outras pessoas de outros estados que sempre quiseram fazer aula comigo ou com outro professor tiveram acesso igual a alguém a 10 quilômetros de distância. Conseguimos transformar isso em um negócio mais escalável de alcançar o cara que está lá no Acre ou no sul, então de certo modo enxergamos um mercado que não enxergávamos antes”.

 
 
 
 
 
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A atriz Gabriella Potye, que atualmente divide o tempo entre o trabalho em casa e a ajuda no delivery do estabelecimento comercial dos pais, também descobriu novas maneiras de se adaptar e criar algo novo: “Neste momento estou dedicando quase todo o meu tempo à produção de uma série que retrata toda essa angústia da vivência de quarentena pela ótica de doze personagens bastante peculiares e solitários”.

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Segundo a artista, a série, que deve estrear em agosto no Instagram, é um projeto independente: “Idealizei com a diretora Camila Carneiro e tem uma equipe incrível com muitos artistas que admiro, como Juliana Gerais, Leona Jhovs, Thainá Duarte, Bernardo Bibancos, entre outros”.

Arte pós-quarentena

Tratando-se de um momento peculiar de isolamento, milhares de mortes, mudanças sociais e mobilizações, é muito provável que haja transformações internas em cada um, como nos artistas. Dessa forma, a cultura pode tomar diferentes rumos quando a situação começar a se normalizar.

“Quando acabar a quarentena vou correr atrás de um ano perdido. Esperei por esse ano para lançar alguns trabalhos e não consegui lançar por causa de tudo que está acontecendo. Então acho que estou na fome de 2021 para conseguir fazer tudo que eu tinha que fazer em 2020”, refletiu Baco Exu do Blues sobre planos para o futuro.

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Segundo Caco Aniceto, o término da quarentena trará novas perspectivas: “Quando isso acabar, os artistas vão voltar com muita coisa para botar para fora, para soltar. Acho que vai ser uma época muito boa pra quem curte dança, arte…”

“Estou em um momento bastante introspectivo, mas com certeza isso vai surtir efeitos em mim quando eu começar a produzir -  e isso já tem surtido efeito no tipo de conteúdo que eu procuro consumir e que consequentemente vai afetar a minha produção”, explicou a atriz Luciana Artusi.

Segundo a artista, os cursos que ela está realizando remotamente, assim como reflexões internas, contribuirão para uma mudança: “Acredito que estou em momento de absorver informações e ouvir. E isso vai afetar mais diretamente meu trabalho no futuro, quando conseguir gerir, processar tudo que está chegando até mim”.

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E para Baco, essa mudança é inevitável: “Acho que o isolamento social está trazendo não só uma mudança em mim, mas em todo mundo.. Eu espero”. 

Cuidado com a saúde mental

A criatividade é apenas um dos aspectos afetados pelo isolamento social. O momento atual pode contribuir para alterações que também podem ser superadas por meio de criatividade, organização, altruísmo e empatia. No entanto, não se deve ignorar sintomas.

“É importante ligar o sinal de alerta e buscar ajuda especializada se estiver demorando muito para encontrar o seu equilíbrio. Mas como saber o que é equilíbrio numa hora dessas? O que faz sofrer menos e traz algum conforto psicológico’, explicou a psicóloga Marleide Rocha.

A profissional continuou: “Por exemplo, estar desanimado sem querer fazer nada e passar uma tarde assistindo séries ou dormindo é diferente de passar os dias procrastinando tarefas, perdendo prazos no trabalho, irritado e descuidado até com a higiene pessoal. Por outro lado, querer ocupar-se o tempo todo e além das possibilidades, não é sustentável a longo prazo, pois provocará cansaço e sobrecarga física e emocional”.

Segundo Rocha, é importante respeitar o tempo interno para processar todas as mudanças - algo que pode afetar a produtividade. A profissional deu algumas dicas importantes para ajudar na organização interna e na preservação da saúde mental: 

“Manter a atenção no aqui e agora, nas situações que podem ser controladas e não dar ênfase àquelas que não se pode controlar. O que é possível controlar: organizar minimamente o dia, horários das refeições, alguma atividade física, tempo de trabalho e algum lazer. Não precisa seguir a risca, mas precisa estruturar minimamente a semana. Isso pode ajudar a encontrar o equilíbrio e melhorar a produtividade.”

Caso sinta dificuldade em lidar com os acontecimentos atuais, responsabilidades e saúde mental, não hesite em procurar ajuda. Diversos psicólogos estão realizando sessões on-line durante o isolamento, inclusive com projetos gratuitos para atender pessoas que precisam, mas não conseguem pagar. 


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