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Conheça buddha, o disco “perdido” do Blink-182

Gravado como demo e desmembrado para outros lançamentos, o trabalho causou brigas judiciais - e até hoje ninguém sabe muito bem se ele é álbum do blink ou não

Redação Publicado em 17/11/2019, às 11h00

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Segunda capa da Buddha, do Blink-182 (Foto: Reproduçaõ / Kung Fu Records)

Em setembro deste ano, Blink-182 lançou o oitavo disco de estúdio, batizado de Nine (ou Nove, em português). Alguns ficaram confusos - a conta de álbuns não batia. Mas, tecnicamente, faz sentido - pois existe buddha, o trabalho “perdido” da banda, lançado em 1994, antes de Chesire Cat(1995), o primeiro álbum "oficial".

San Diego, 1992. Mark Hoppus era um universitário que trabalhava em uma loja de discos para pagar as contas. Conheceu, por meio da irmã, um cara que tentava terminar a escola depois de ser expulso por aparecer bêbado durante um jogo de basquete - Tom DeLonge. Foi paixão na hora: naquele mesmo dia, foram ao porão de DeLonge e tocaram sem parar por horas. 

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Resolveram levar as coisas mais a sério. Juntaram-se a Scott Reynor, um baterista de 14 anos que DeLonge conhecera numa competição de bandas, e formaram uma banda, chamada Blink. No quarto dele, começaram a gravar diversas músicas - e lá, em 1994, nasceu buddha.

Eles estavam bem inseridos no meio punk local. E queriam lançar essa fita. Pat Secor, chefe de Hoppus na época, ajudou a banda com grana. Pagou dois dias de estúdio - e no final dessas 48 horas, buddah estava pronto. Incluindo a mixagem. Lançaram pelo Filter Records, selo de Secor.

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Agora, precisavam montar as fitas cassetes. Convidaram Cam Jones, um amigo delestinha uma câmera, para ir até o quintal de Reynor fazer alguns cliques - principalmente de uma estátua de Buda que pertencia ao padrasto de Hoppus. Depois de revelar os filmes, foram rápido à uma casa de xerox, e tiraram diversas cópias coloridas da imagem.

Hoppus ficou com todas as folhas. Ele foi até a casa que morava com a família e, ao lado da irmã e dos pais, passava horas e horas cortando, dobrando e colando papéis para fazer as capas da fita cassete. Quando um "lote" ficava pronto, ele colocava tudo no carro e saía para tentar distribuir para as lojas locais. Fazia checagens semanais para repor as cópias vendidas - uma ou duas por loja. Venderam, mais ou menos, 1 mil cópias naquela época - cada uma por US$ 5.

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Brigas

Não demorou muito para "descobrirem" Blink-182. A banda assinou com a Cargo Music, começou a crescer, e lançaram Chesire Cat em 1995 e Dude Ranch em 1997 (esse último também pela MCA). E foi aí que começaram a acreditar que Pat Secor, que havia investido na gravação de buddha, ainda vendia as fitas da banda, mas sem pagar royalties para eles, o que não ia de acordo com o que eles combinaram.

O erro de ambas as partes foi não assinar papel algum. O acordo de cavalheiros que fizeram era que, conforme as cópias fossem vendidas, o dinheiro seria dividido igualmente entre a banda e Secor, até que os US$ 1 mil do investimento fossem pagos. Depois disso, todos os direitos seriam do Blink-182. Mas ele nunca parou, realmente, de vender as cópias. Mas não dava nada da grana à banda. 

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Defendendo-se, Secor disse em 2001 que tentou falar com a banda várias vezes para comprar os direitos (ou vendê-los), mas só recebia respostas como "vou falar com meu empresário, te ligo de volta." Não ligaram, e ele continuou vendendo as cópias mesmo depois de pedirem para ele não fazer. 

O Blink-182 pediu para o advogado Joe Escalante, dono da Kung Fu Records, resolver isso. Em troca, fariam um acordo para a gravadora lançar buddha. O disco foi remasterizado e relançado em 1998  com uma nova capa (agora, com Blink-182, e não só Blink, e "buddha" escrito embaixo, além de uma nova arte). Em 2001, mais de 300 mil cópias oficiais haviam sido vendidas com os direitos oficiais da Kung Fu Records. Secor desistiu da luta judicial quando a banda explodiu, em 1996, ao assinar com a MCA. 

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E o que mais magoa Secor nessa história? "Nessa altura, nem é mais a grana," disse ao East Bay Express em 2001. "É o fato de que ajudei eles no começo, mas não há menção do meu trabalho em lugar algum. Não foi dado nenhum crédito."


As músicas

Buddha acabou no limbo do Blink-182. Nunca lançado oficialmente como disco, foi desmembrado e a maioria das músicas fizeram parte, posteriormente, de outros trabalhos da banda. Sete delas foram reaproveitadas para Chesire Cat, e uma para Dude Ranch. "Josie" foi a faixa mais famosa. As outras seis foram abandonadas por aí, no disco esquecido. 

De qualquer maneira, veja abaixo a track list de buddha (todas foram escritas por Mark Hoppus, Tom DeLonge e Scott Raynor):

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1. "Carousel"
2. "TV"
3. "Strings"
4. "Fentoozler"
5. "Time"
6. "Romeo and Rebecca"
7. "21 Days"
8. "Sometimes"
9. "Degenerate"
10. "Point of View"
11. "My Pet Sally"
12. "Reebok Commercial"
13. "Toast and Bananas"
14. "The Family Next Door"
15. "Transvestite"