Conheça o mundo incrível (e nojento) dos efeitos especiais de Midsommar - e nada foi tela verde

Filmefex Studios, estúdio responsável pelos efeitos especiais do terror de Ari Aster, compartilhou o processo de construção nas redes sociais

Yolanda Reis Publicado em 25/04/2020, às 18h00

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Efeitos especiais para Midsommar (Foto: Reprodução / Facebook Filmefex)

*** AVISOS: As imagens desta matéria são bastante gráficas: sangue, violência e bonecos com aparência de cadáveres

Há spoilers do filme  ***

Midsommar: O Mal Não Espera a Noitefoi um dos melhores filmes de 2019. O terror de Ari Aster (Hereditário) produzido pelo estúdio A-24 (Moonlight, A Bruxa) tinha a missão de assustar à luz do dia - de modo diferenciado do horror do cinema dos anos 2000.

O visual é parte importantíssima de Midsommar. O filme mostra amigos norte-americanos indo passar as férias em um vilarejo da Suécia, para participar das festividades do verão. Flores, roupas, cenários - tudo em seu melhor aspecto.

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Não demora, claro, para algo sinistro começar a desenrolar. Os aldeões têm rituais sinistros, cercados de morte, dilaceração e suicídio. Mais ainda, o grupo ocidental começa a se desfazer… Mas será abandono ou tem gente por trás disso? 

Midsommarnão alivia a violência gráfica. Sangue, ossos quebrados e corpos deformados são mostrados sem ressalvas. De modo incrível, esses cenários não foram criados em um fundo verde. Bonecos de silicone moldados à mão, ao ponto da perfeição, foram a escolha de Aster.

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Desde os esboços, passando pela ideia e realização - e, finalmente, o produto final, toda a produção macabra foi documentada. O Filmefex Studios, estúdio de efeitos especiais responsáveis por Midsommar, compartilhou no Facebook diversas fotos do processo. Veja as imagens acompanhadas da descrição da empresa:

Ruby:

Ari Aster entregou um esboço do rosto da personagem. O estúdio moldou, no zbrush, um modelo - antes do ator ser escolhido. Tentava descobrir o que seria maquiagem e o que seria escultura em silicone. Depois, escanearam o rosto do ator para moldar a máscara.

Começaram com modelo em argila; depois, silicone; finalmente, colocaram aplicaram o produto final. A máscara tinha um motor para contrair os "músculos". 


O urso

A fantasia de urso foi moldada passo a passo. Primeiro, a pele. Depois, colocaram as entranhas para a cena da autópsia das crianças. Finalmente, retiraram os órgãos, fecharam e "rechearam" o urso. A parte dois foi colocar uma cabeça falsa, similar ao rosto de Jack Reynor, pois seu personagem está preso dentro do animal. 


Cabeças amassadas

Uma das cenas mais chocantes de Midsommar é o suicídio dos idosos. Um homem e uma mulher pulam de um penhasco. Ela tem a sorte de quebrar a cabeça (literalmente). Ele só machuca as pernas, e não morre na hora. Leva marretadas no crânio, para destruí-lo. Cada uma delas é um close up sangrento.

Para criar a cena, o estúdio criou várias cabeças de testes (como a da primeira imagem). As "amassadas" eram, na verdade, sucções de tubos pneumáticos escondidos abaixo da peça. As partes iam e voltavam, para a cena poder ser refeita. Então, o resto do silicone foi aplicado nessa base. Abaixo, a cabeça do homem (e da mulher) abertas:


As outras "cabeças"

Todas as pessoas de Midsommar acabaram assassinadas e "mantidas frescas" de maneiras diferentes. Abaixo, a cabeça empalhada (1) e, depois, a cabeça afogada (2). Para a segunda, o rosto do ator foi escaneado, e deformações de afogamento foram feitas pelo computador. Depois, tudo foi moldado em silicone e pintado à mão.

A terceira cabeça (3) mostra um personagem amordaçado e mantido enterrado durante alguns dias:

1
2
2
3
3


Águia de sangue

Finalmente, um dos corpos mostrados com mais detalhes no filme é o boneco suspenso e aberto de Archie Madekwe. No melhor estilo Hannibal, o personagem teve as costas abertas, a pele esticada como asas (por isso o nome da prática de tortura), e suspenso por fios de aço. O foco do estúdio nessa construção foram os ossos: