Criolo defende professores após fim da maior greve da história em SP: “Estão pedindo o mínimo”

O rapper, que é filho de uma professora, diz que os profissionais são "anjos na Terra"

Lucas Brêda, de Ribeirão Preto Publicado em 20/06/2015, às 12h03

Criolo no João Rock 2015

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A maior greve de professores da história do sindicato em São Paulo chegou ao fim esta semana, após 92 dias. O rapper Criolo, paulistano, defendeu os profissionais que “lutam” por “uma melhor situação para todas as crianças”.

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A entrevista foi dada à Rolling Stone Brasil no último sábado, 13, no backstage do festival João Rock, que aconteceu em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Criolo foi uma das primeiras atrações do palco principal do evento.

“Sou filho de professora, minha irmã é professora, meu irmão é professor”, disse ele. “Em casa, nós sabemos como é a luta desses ‘anjos na Terra’. Tudo aquilo que estiver num pensamento de melhoria para os professores, para as nossas crianças, a gente tira o chapéu e vibra positivamente.”

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O rapper, entretanto, disse ser “triste” a necessidade de uma greve para “pedir o mínimo”. “Eles estão pedindo o mínimo. O mínimo de dignidade, o mínimo de estrutura, sabe? E um dos pedidos dos professores é ter água nas escolas. Ninguém está falando que quer algo totalmente fora [da realidade]. Eles querem uma condição para todos os funcionários.”

“Essas pessoas estão todo dia com seus filhos, cara”, acrescentou o cantor, dando ênfase à palavra “filhos”. “E estão todo dia pensando em algo diferente para atrair a atenção deles. Não só o que a lei brasileira diz que tem de estar de acordo com seus padrões curriculares. Vai além, entendeu?”

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Atualmente, Criolo mantém duas turnês paralelas: a do terceiro álbum de sua carreira, Convoque Seu Buda (2014), e a de divulgação do projeto da Nivea em homenagem a Tim Maia, no qual faz parceria com Ivete Sangalo.

João Rock 2015 - Criolo

Show no João Rock 2015

Em meio a repertórios cada vez mais recheados de músicas antigas, artistas mais ligados ao presente conseguiram equilibrar melhor uma apresentação que reunisse celebração e expressão artística. Foi o caso de Criolo, primeiro grande nome a subir ao palco principal, responsável pela performance mais necessária do evento.

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É verdade que o público ainda chegava e se acomodava quando o rapper paulistano deu início ao show – com “Convoque Seu Buda” e “Esquiva da Esgrima”, as duas primeiras faixas do mais recente disco dele, Convoque Seu Buda (2014) –, mas nem por isso a apresentação dele perdeu em entusiasmo.

“Por mais árvores e menos prédios”, disse ele, encarando o horizonte. Concorde ou não o ouvinte, Criolo é um artista que tem algo a dizer, cujas preocupações geram reflexão – seja de choque ou de epifania. “Toda cultura vira comércio a ponto de degradação”, cantou, provocando até mesmo o tipo de ambiente, de comercialização da cultura, que marca os festivais de música.

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Em tom messiânico, ele reverenciou os “professores” Cazuza e Raul Seixas, e mesclou bem as músicas de seus dois últimos álbuns. “Grajauex”, “Duas de Cinco” e “Subirusdoistiozin” empolgaram, mas a mais catártica foi o hino pessimista paulistano “Não Existe Amor Em SP”.