Crítica: Harry Styles é um astro do rock na esplêndida estreia solo

Para o debute, o galã do One Direction evoca vibe sentimental do soft-rock dos anos 1970

Rob Sheffield Publicado em 16/05/2017, às 14h35 - Atualizado às 17h39

Capa do debute solo autointitulado de Harry Styles

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Harry Styles não quer ser apenas um astro do rock – ele quer ser O astro do rock. E no esplêndido debute solo dele, o galã do One Direction reclama o título de verdadeiro príncipe do rock and roll, um Super-Homem da luz solar, um dançarino cósmico em contato com seu lado acústico introspectivo, assim como seu lampejo de glamour.

Ele evita o baile de celebridades convidadas que ele poderia ter dado para si mesmo – em vez disso, investe em uma vibe sentimental do soft-rock dos anos 1970. Sem noites na boate ou garrafas de bebida – trata-se da poesia das baladas feitas nas altas horas por um astro de 23 anos se perguntando porque passa tanto tempo em solitários quartos de hotel encarando o próprio celular. Styles cava tão profundamente atrás do aveludado ouro clássico da Califórnia, que você pode até suspeitar que as enigmáticas novas tatuagens dele que dizem “Jackson” e “Arlo” se referem a Browne e Guthrie.

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“You can’t bribe the door on your way to the sky”, ele avisa no início de “Sign of the Times”, mas é para o céu que ele mira, e sua confiança absoluta é deslumbrante – ele nunca parece estar tentando demais ou implorando por aprovação, que é o ponto em que ex-integrantes de boy-bands costumam errar nos discos solos. O álbum inteiro tem o espírito pessoal, mas astucioso da foto de capa, em que um Styles sem camisa passa por um momento de dúvida e dor em uma banheira cheia de lágrimas cor-de-rosa de unicórnios (o título original era Pink, porque é “a única cor verdadeira do rock and roll”). Ele passa grande parte do álbum molhado, na verdade – seja por lágrimas, outros fluídos corporais, ou apenas "candy dripping on me till my feet are wet."

O fetiche de Styles pelo soft-rock não surpreende os fãs de relíquias do One Direction como “Olivia” ou “Stockholm Syndrome”, mas é a primeira vez em que vemos o Sweet Baby Styles manter esse ritmo em um disco inteiro. As músicas que ele divulgou como prévia do disco não enganaram o público sobre as inspirações dele no old-school – o gancho Badfinger de “Ever Since New York”, a guitarra meio “Blackbird” de “Sweet Creature”, o jeito como “Sign of the Times” acena a Queen e Bowie – mas todas elas soam como Styles, divertidas e meigas na mesma medida.

Na maioria dessas músicas, ele está em luto por um relacionamento sem futuro, do tipo em que “comfortable silence is so overrated”, e você pode perceber que ele tem ouvido as confissões de cantores e compositores desde Nilsson Schmillson, de Harry Nilsson, até Red, de Taylor Swift. “Meet Me In the Hallway” dá o tom – um quê de John Lennon ecoa na voz dele, um toque de Jimmy Page no violão – enquanto ele suplica como um viciado em amor procurando por outra dose.

“Carolina” monta no groove tropical, enquanto “Two Ghosts” poderia se passar pelo Bread vintage. “Woman” poderia ser um dueto desacelerado de Prince e Joe Walsh, quando Harry pergunta: "Should we just search romantic comedies on Netflix and see what we can find?". Ele salpica um pouco de hard rock explícito com “Kiwi” ("She worked her way through a cheap pack of cigarettes/ Hard liquor mixed with a bit of intellect") e “Only Angel”. Mas ele parece mais sofisticado, mais confiante, mais ele mesmo quando se torna vulnerável.

Styles termina com “From the Dining Table”, um lamento acústico em que acorda sozinho em mais um quarto de hotel. ("Played with myself, where were you?/ I fell back asleep and was drunk by noon/ I've never felt less cool.") Ao longo de tudo isso, ele consegue se manter distante de todas as armadilhas que costumam sabotar a empreitada solo de uma estrela de boy-band. Mas como o disco inteiro comprova, não há nada de comum nesse cara.