Daspu lança "putique", sua loja virtual

Grife da ONG Davida, que defende o direito das prostitutas, usa a internet para conquistar clientes de diferentes esferas sociais

Da redação Publicado em 09/04/2009, às 19h25

A Daspu, grife da ONG carioca Davida, que zela pelo direito das prostitutas (a presidente, Gabriela Leite, não vê por que usar o termo "profissionais do sexo"), inagurou nesta semana sua loja virtual, a Putique Daspu.

Flávio Lenz, diretor de marketing da Daspu, marido de Gabriela e irmão da poeta Ana Cristina Cesar (1952-1983), explicou à Folha de São Paulo que a ideia do novo negócio é estender ainda mais o leque de clientes da grife, especializada em roupas inspiradas no universo da prostituição. "Hoje em dia vestir Daspu virou 'cult'. Vendemos para mulheres de classe média, profissionais liberais, que têm entre 26 e 45 anos."

Afinal de contas, reforça Lenz, "hoje em dia, as patricinhas mesmo se vestem como as prostitutas".

O site da Putique simula um cabaré. As cortinas do palco virtual se abrem e, ao som de batida de funk que sai da Rádio Daspu, aparecem fotos com looks vestidos pelas modelos (às vezes empunhando espadas) da marca.

As peças comercializadas vão de sutiligas (fusão entre sutiã e cinta-liga) a camisetas - numa delas, o mote "lubrifique"; outra vem com estampa de palavra-cruzada erótica, cuja página forma a imagem de um órgão genital masculino. E por aí vai.

A loja online também vende moda masculina e o livro As Meninas da Daspu, de Anna Marina Barbará. Mês passado, Gabriela Leite, ex-prostituta e socióloga formada pela USP, lançou o livro Filha, mãe, avó e puta.

A Daspu usa a internet a seu favor desde 2005, quando a direção da ONG criou uma comunidade no site de relacionamentos Orkut - a grife surgiu no mesmo ano. Hoje, são 30 comunicadas dedicadas à marca, sendo que a oficial agrupa por volta de 900 internautas.

A grife pretende intensificar a relação com a web em breve, com um blog (que traria depoimentos de prostitutas) e um concurso virtual para eleger uma frase para uma camiseta.

Em 2005, a Daspu sofreu ameaças da quase homônima Daslu, império de roupas de alto luxo cuja dona, Eliana Tranchesi, foi recentemente condenada a 94 anos de prisão. As acusações: formação de quadrilha, falsidade ideológica e sonegação de impostos.

Na época, falou-se em abrir processo, mas o imbróglio não foi tocado adiante. Segundo os advogados do centro de comércio deluxe, a quase xará teria se valido de "deboche, visando denegrir a imagem da loja" na hora de escolher seu nome.