Dave Grohl fala sobre o Grammy e celebra as gravações analógicas

“Nós nos preocupamos com a emoção e a performance", diz o frontman do Foo Fighters

Steve Baltin Publicado em 21/02/2012, às 18h18

Dave Grohl
AP

O Foo Fighters levou para casa cinco troféus Grammy na semana passada, incluindo Melhor Disco de Rock, e proporcionou duas performances de palco memoráveis, uma delas ao lado de Deadmau5, no que foi a primeira apresentação de música eletrônica da história da premiação. Mas o grande momento da noite acabou sendo o discurso de Dave Grohl ao aceitar o prêmio de Melhor Performance de Rock, que rapidamente se tornou viral na internet.

Ao receber o troféu, Grohl disse: “Para mim, esse prêmio significa muito, porque mostra que o elemento humano da música é o que realmente importa. Cantar em um microfone, aprender a tocar seu instrumento... são essas as coisas mais importantes que as pessoas podem fazer. Não é uma questão de ser perfeito, não é uma questão de soar absolutamente correto, não é sobre o que rola em um computador. É sobre o que acontece aqui dentro [o coração] e aqui dentro [a cabeça].”

Houve quem tenha interpretado o discurso de Grohl como uma crítica a outros estilos musicais. Dias depois do seu discurso, ele fez questão de esclarecer que não era essa a intenção. “Eu amo TODOS os tipos de música”, ele afirmou em um comunicado. “Eletrônica ou acústica, não importa para mim. O simples ato de criar música é um belo dom com o qual TODOS os seres humanos são abençoados. E a diversidade de personalidades de um músico para o outro é que torna a música tão emocionante... e humana. Era exatamente a isso que eu estava me referindo, ao elemento humano.”

Em diversos encontros antes da cerimônia do Grammy, Grohl reproduziu esses mesmos sentimentos ao relembrar o processo de gravação do disco Wasting Light, que foi gravado somente com equipamentos analógicos em uma garagem. “Para mim, a maior vantagem em gravar tudo analógico são as restrições que isso traz, o que faz você tocar de um jeito que um ser humano faria”, disse Grohl. “Nós nos preocupamos com a emoção e a performance."

Será que o sucesso obtido na noite do Grammy poderia inspirar outras bandas a agarrar o mesmo desafio? É essa a expectativa de Emily Lazar, que se tornou a primeira mulher da história responsável pela masterização de um disco que concorreu ao Grammy de Melhor Álbum. “Acho que seria uma resposta fenomenal, porque não há nada como rock and roll de verdade, orgânico e das antigas”, ela disse. “Acho que parte do charme e da integridade desse disco, e a razão pelo qual ele é tão bom, é porque é verdadeiro e há horas em que ele não é perfeito. Eles são músicos fantásticos, cada um deles, mas ainda assim, há momentos humanos. E é exatamente isso que faz o disco ser maravilhoso para mim.”

Se por um lado o problema é que a maioria das bandas de rock atuais não consegue tocar como o Foo Fighters, Lazar diz que isso não deveria impedir que as bandas continuassem a tentar alcançar este formato. “Acho que muitas bandas conseguem”, ela diz. “Podem não alcançar esse grande apelo de massa que o Foo Fighters conseguiu, mas acho que muitas bandas têm a capacidade. Adoraria ouvi-las tentar.”

Grohl, por sua vez, concorda que a tecnologia analógica é a grande responsável por trazer de volta a crueza na sonoridade da banda. “Eu prefiro bandas que soam como bandas – e quando se opta pelo analógico, é tipo esse o resultado que você obtém.”