Dave Grohl toca com Krist Novoselic em Londres; veja

No primeiro show do Sound City Players na Inglaterra, o vocalista do Foo Fighters recebeu ainda Lee Ving, Rick Springfield e Rick Neilsen, entre outros

Angela Joenck, de Londres Publicado em 20/02/2013, às 11h49 - Atualizado às 12h06

O Sound City Players tocou para cerca de duas mil pessoas em Londres

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Um público de todas as idades lotou o The Forum, no bairro boêmio de Kentish Town, em Londres, na noite desta terça, 19, para conferir o novo projeto de Dave Grohl, o Sound City Players. Nas filas que faziam volta na quadra, a expectativa era alta. Quem Dave Grohl traria para o palco no único show da banda em Londres, ainda mais em uma apresentação tão “íntima”? O local, relativamente pequeno para bandas do porte do Foo Fighters, por exemplo, comporta cerca de duas mil pessoas. Todas as outras poucas apresentações do grupo contaram com a presença de lendas como Stevie Nicks (Fleetwood Mac) e John Fogerty (Creedence Clearwater Revival), que fizeram história ao longo dos anos 70 quando gravaram com suas respectivas bandas no Sound City Studio, em Los Angeles.

Os ingressos não mencionavam nomes, mas diziam que o show começaria pontualmente as 19h30 (horário de Londres). Já passava das 20h, e um loop de músicas que ia de Rage Against the Machine a Nirvana começava a testar a paciência da público. Quando finalmente Dave Grohl e companhia subiram ao palco, o artista tentou explicar um pouco do projeto, que pega carona no documentário dirigido por ele sobre o famoso estúdio californiano. “Eu queria mostrar a história do estúdio mais famoso do mundo”, disse Grohl à plateia. Os mais velhos, que tem em Londres a presença de um estúdio como Abbey Road, não se mostraram convencidos. Mas Grohl continuou. “Era um buraco onde as bandas se encontravam. Eu não sou diretor, sou só um cara que fez um filme que ficou mais ou menos ok”, completou – modesto, já que Sound City, o documentário, tem sido muito elogiado por onde passa.

A partir daí, a pancadaria musical começou. Alain Johannes, que tocou com Queens of the Stone Age e Them Crooked Vultures, arrancou gritos da plateia ao tocar "Hangin' Tree". Chris Goss, do Masters of Reality e UNKLE, seguiu a mesma linha com "It's Shit“ e “Time Slows Down”.

Sessão nostalgia

Dave Grohl nota que é hora de ganhar a simpatia do resto da plateia, contando como foi introduzido ao mundo do punk rock. “Era 1982 e eu fui visitar meus primos em Chicago. Quando chegamos na porta da casa da minha tia, ela gritou para a minha prima descer, e quando ela veio, tinha virado punk, com a cabeça raspada e tudo mais”, disse. “Foi aí que ela tocou para mim a trilha Sonora do filme The Decline of Western Civilization [documentário sobre a cena punk de Los Angeles]. Fui introduzido a bandas como Black Flag, Germs e Fear.” Este foi o gancho para a entrada de Lee Ving (Fear) e Pat Smear (Germs/Nirvana/Foo Fighters) no palco. Foi aí que o plateia se entregou: “Ouvi Pat no disco quando tinha 13 anos, sem sequer imaginar que passaria o resto da minha vida adulta com ele, em backstages pelo mundo”.

Lee Ving, no melhor estilo punk, detonou a nova canção “Your Wife Is Calling”, que estará no disco Sound City - Real to Reel, com lançamento previsto para 11 de março. Ao agradecer a acolhida da plateia britânica – o músico nunca tinha tocado no país –, se despediu com os clássicos do Fear “I Love Living in the City" e "New York's Alright If You Like Saxophones".

Nada de Stevie Nicks, nada de John Fogerty. Dave Grohl confessou que o som estava tão alto que ele estava com dificuldades de escutar o que se passava no palco. Era hora de anunciar o próximo convidado, desta vez para a alegria das titias do rock. Rick Springfield, o primeiro grande sucesso independente do estúdio Sound City e galã de seriados de TV, tomou o palco com a nova ”The Man that Never Was” e as favoritas do álbum Working Class Dog (1981) “I've Done Everything for You”, "Love Is Alright Tonite" e “Jessie's Girl”, cantadas em coro.

Em certos pontos da apresentação, o Foo Fighters esteve completo no palco, com Chris Schifflet e Pat Smear nas guitarras, Nate Mandell no baixo e Taylor Hawkins na bateria e eventual vocal. Garrafas de champanhe pra lá, uísque pra cá, e o clima de festa estava estabelecido. Mas Dave Grohl contava com mais uma surpresa: Krist Novoselic (Nirvana) e Rick Neilsen (Cheap Trick) chegaram para terminar a noite. Hawkins assumiu os vocais para uma surpreendente versão de “Ain’t That a Shame”, de Fats Domino, e a banda terminou a noite com a arrebatadora “Surrender”, do Cheap Trick.

Depois de mais de duas horas de show, boa parte do público seguiu feliz para a estação de metrô próxima a casa de shows. Já parte da plateia que estava em frente ao palco vaiou o fato de a banda não ter voltado para um bis. Um fã chegou a comentar com o amigo: “Sound City Players que nada! £ 70 [cerca de R$ 210] por um ingresso e não teve bis? Dave Grohl deveria devolver o nosso dinheiro!”.

Pelo visto, nem Dave Grohl consegue agradar todo mundo.