De volta ao Brasil, NOFX faz um apelo: "Só joguem coisas macias no palco, garrafas machucam"

O vocalista Fat Mike fala de sua predileção por casas de shows pequenas, do desprezo pela MTV e da veia política da banda

Felipe Branco Cruz Publicado em 06/07/2012, às 13h43 - Atualizado às 13h53

Fat Mike
Reprodução/Facebook

A banda de punk rock californiana NOFX se apresenta neste sábado, 7, em São Paulo, do jeito que ela e os fãs mais gostam: longe dos holofotes da imprensa e em um local relativamente pequeno. Desta vez, a casa escolhida para abrigar o show foi A Seringueira, na Barra Funda, com capacidade para 3 mil pessoas. Antes de tocar na capital paulista, o grupo se apresentou na última quarta, 4, em Curitiba, no Curitiba Master Hall. Da última vez que o NOFX veio para São Paulo, em 2010, o lugar escolhido foi o Santana Hall, com capacidade para apenas mil pessoas. “Gosto de lugares pequenos, é melhor para sentir a vibração do público”, disse o vocalista Fat Mike. Antes de eles subirem ao palco, o grupo de hardcore Bullet Bane, que lançou recentemente seu primeiro disco, New World Broadcast, fará a performance de abertura.

Avesso a entrevistas, o músico conversou com exclusividade com a Rolling Stone Brasil e lembrou de suas outras passagens pelo país, em 1997, 2006, 2009 e 2010. O show de 2009, inclusive, acabou virando um especial para TV, transmitido pelo canal norte-americano Fuse. Ele mostra os músicos chegando ao Brasil com seu gerente completamente alcoolizado, após tomar todas durante o voo. Sem condições de ficar em pé, os músicos o largaram no hotel e foram conhecer o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. Na época, no entanto, a voz de Fat Mike foi prejudicada por conta de uma gripe. Além disso, a guitarra de Eric Melvin falhou durante a apresentação, fazendo com que os fãs esperassem por mais de dez minutos até que tudo se normalizasse.

“No ano passado conseguimos aproveitar um pouco mais o Brasil, apesar de ficarmos poucos dias no país. Definitivamente deu para beber muito álcool”, lembra Mike. Do show, ele guarda dolorosas lembranças. “Jogaram no palco latinhas de cerveja, garrafas e chinelos. Espera aí. Quem vai a um show de punk rock de chinelo?”. Para esta nova apresentação, o vocalista pede aos fãs que joguem coisas macias. “Me lembro que o show de 2010 foi muito louco. Por favor, não joguem garrafas. Elas machucam. Joguem camisas, bandeiras. Mas não garrafas”.

A julgar pelas apresentações que a banda fez esse ano, os fãs podem esperar por sucessos como “We Called It America”, “Eat The Meek”, “Liza and Louise”, “The Separation of Church and Skate”, “Linoleum”, “Franco Un-American” e até “Radio”, cover do Rancid. Todas clássicas do grupo. “Não gosto de falar o que vamos tocar. Mudamos tudo, sempre. Escrevo um setlist novo a cada noite”, diz. As duas músicas novas, “My Stepdad's A Cop And My Stepmom's A Domme” e “She Didn't Lose Her Baby”, lançandas este ano, não deverão entrar na apresentação. O novo disco de inéditas, cujos detalhes são mantidos em segredo, só deverá sair em setembro.

Com letras quase sempre sarcásticas e repletas de humor negro, a maioria dos temas dessas canções passa por política, sociedade, racismo e religião. “Somos uma banda política sim”, garante o vocalista. “Mas não queremos soar depressivos. Queremos também divertir as pessoas e fazer com que elas se sintam melhores. Existe um monte de bandas no mundo e você pode escolher aquela do jeito que você gosta. Nós somos assim”. Recentemente, Mike e o guitarrista Eric Melvin demonstraram apoio ao movimento Occupy e tocaram a música “Wouldn't It Be Nice If Every Movement Had A Theme Song”, composta por eles, nas cidades de São Francisco e Los Angeles, ambas na Califórnia.

Esse ativismo político existente desde o início da carreira elegeu como inimigo o canal MTV. Nos Estados Unidos, as bandas têm que autorizar um canal a exibir o seu clipe, coisa que o NOFX nunca fez pela emissora musical. “Preferimos o Fuse.” Como o Brasil tem leis diferentes, a MTV nacional já exibiu alguns de seus clipes. Segundo o grupo, o canal tenta empurrar para o público músicas comerciais. Coerentes ao lema do punk do "faça você mesmo", eles evitam dar entrevistas e gravam seus álbuns de maneira independente, rejeitando tudo que é comercial, inclusive a MTV. No momento, no entanto, o foco de Fat Mike e da banda está na apresentação no Brasil. “Estamos empolgados com esses shows. Espero não decepcioná-los”.

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