Desmatamento pode cortar Xingu ao meio, aponta relatório

Levantamento chama a atenção para aumento da área desmatada, invasão de terras indígenas e degradação da floresta

Redação Publicado em 19/04/2021, às 14h41

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Desmatamento da Amazônia (Foto: Victor Moriyama/Getty Images

O Xingu está em perigo de ser cortado ao meio pelo desmatamento. Segundo a Folha de São Paulo, a informação foi constatada pelo monitoramento realizado pelo Sirad X, sistema de detecção de desmate da Rede Xingu +, do ISA (Instituto Socioambiental) 

O monitoramento ocorre há três anos, e teve início pouco antes de Bolsonaro assumir a presidência do Brasil. O governo tem alguns dos maiores índices de desmatamento da história, com alta de 9,5% de área desflorestada em 2020, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

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A floresta da bacia do Xingu sofre com o aumento da área desmatada a cada ano. Com o radar Sentinel-1 da ESA (Agência Espacial Europeia), a análise chegou ao número alarmante de 513,5 mil hectares de floresta na bacia do Xingu desmatados de 2018 a 2020. Segundo a Folha de São Paulo, a área corresponde a cinco vezes o município de Belém, no Pará.

O grande desmatamento, possivelmente, atravessará a região do Xingu de lado a lado, cortando-o ao meio. Além da preocupação com a perda de biodiversidade, a questão sociocultural é preocupante, pois a região tem diversas terras indígenas.

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A Terra Indígena Trincheira Bacajá, do povo xikrin, é uma das citadas no relatório da Rede Xingu+. Apenas em 2019, o local perdeu 5.600 hectares de mata. Além disso, diversas lideranças da comunidade indígena foram ameaçadas de morte por invasores. 

De acordo com a Folha de São Paulo, desde que assumiu a presidência, Bolsonaro incentiva a invasão de terras indígenas. O mercado ilegal de lotes nas áreas supostamente protegidas ganhou força a partir da expectativa de regularização das ocupações.

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Além do desmatamento e invasões, o relatório chama a atenção para a degradação da floresta, que consiste na retirada de árvores de valor comercial. Biviany Rojas, coordenadora do programa Xingu, da ONG ISA, explicou à Folha que a degradação enfraquece a floresta e é mais difícil de verificar por satélite.


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