Diferentemente de Caetano e Gil, Thurston Moore, ex-Sonic Youth, se negou a tocar em Israel e explica os motivos

Artistas brasileiros têm sido pressionados a não se apresentar em território israelense por conta do cerco imposto à população palestina na região

Redação Publicado em 27/06/2015, às 14h39 - Atualizado às 18h02

O ex-guitarrista do Sonic Youth, Thurston Moore
Divulgação/Matador Records

No exterior com a turnê Dois Amigos, Um Século de Música, Caetano Veloso e Gilberto Gil já foram aconselhados por celebridades do patamar de Roger Waters e Desmond Tutu a não se apresentarem em Tel Aviv, Israel, no próximo dia 28 de julho.

Após Caetano Veloso e Gilberto Gil anunciam turnê conjunta para celebrar os 50 anos de carreira.

O ex-baixista do Pink Floyd e o Prêmio Nobel da Paz de 1984 pela luta contra o apartheid na África do Sul se juntaram ao grupo não-violento BDS (sigla para boicote, desinvestimento e sanções) contra os abusos do governo israelense sobre o povo palestino.

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Os brasileiros, apesar da pressão, decidiram manter o compromisso, mas um outro artista de renome internacional, Thurston Moore, ex-guitarrista da banda norte-americana Sonic Youth, fez diferente.

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Moore cancelou há dois meses um show na mesma Tel Aviv e somente agora resolveu dar explicações a respeito do “Consciente processo de decisão”. Em carta publicada no site The Quietus, junto com uma longa matéria sobre o boicote de artistas a Israel, ele afirmou que escolheu esse caminho em apoio ao BDS e pela crença na “Tomada de poder através da escolha do ativismo pacífico”.

Thurston Moore está entre os 100 maiores guitarristas da história segundo a Rolling Stone; veja a lista.

O artista contou que já havia negado propostas para tocar no país em 2005, mas depois de uma década de negativas, reconsiderou e aceitou um convite de empresários de Tel Aviv. Porém, mais tarde, chegou à conclusão de que “Tocar em Israel com minha banda ia em conflito direto com meus valores”.

Segundo o The Quietus, cerca de mil músicos somente na Grã-Bretanha, entre eles Roger Waters, já se negaram a realizar espetáculos em Israel. Waters enviou duas cartas a Caetano e Gil clamando que os dois também se unissem ao boicote.

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No último dia 23 de junho, Caetano respondeu a missiva explicando: “Meu coração é fortemente contra a posição de direita arrogante do governo israelense. Eu odeio a política de ocupação, as decisões desumanas que Israel tomou naquilo que [Benjamin] Netanyahu [primeiro-ministro de Israel] nos diz ser sua autodefesa. E acho que a maioria dos israelenses que se interessam por nossa música tende a reagir de forma similar à política de seu país. Eu cantei nos Estados Unidos durante o governo Bush e isso não significava que eu aprovasse a invasão do Iraque. Eu quero aprender mais sobre o que está acontecendo em Israel agora. Eu gostaria de ver a Palestina e Israel como dois Estados soberanos. Eu te agradeço — e a muitos outros — pela atenção e o esforço dedicados a me esclarecer sobre a política naquela região”.