"A forma como ele saiu do Raimundos nos impede de ter amizade", diz Digão sobre Rodolfo

Vocalista e guitarrista da banda falou a respeito das declarações do ex-parceiro à edição de outubro da Rolling Stone Brasil

Bruno Raphael Publicado em 27/10/2011, às 18h01 - Atualizado às 18h35

Digão - Raimundos
Foto: Divulgação

"O Rodolfo vai mudando muito o depoimento dele, então eu não consigo acompanhar", disse Digão, guitarrista do Raimundos, sobre a entrevista do ex-vocalista do grupo, Rodolfo Abrantes, à edição de outubro da Rolling Stone Brasil. "Eu ouvi falar da entrevista, mas já vi ele falar mal da gente e agora diz que não tem raiva. Espero que ele esteja bem. A gente não tem mais contato desde que ele saiu [da banda]."

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"[...] Cara, eu não voltaria [para o Raimundos] por valor algum", declarou Rodolfo à Rolling Stone. "Não porque eu tenha algum problema com a banda. Amo os caras, não tenho problema com isso. É simplesmente uma postura da minha vida. Meu caminho é este, minha vida é falar de Jesus." (Leia mais aqui e veja aqui o making of da matéria.)

Vizinhos de infância, Digão e Rodolfo formaram o Raimundos em 1987. O último disco de estúdio do qual o ex-vocalista participou foi Só No Forévis (1999), o mais vendido da banda. "A forma que ele saiu nos impede de ter uma amizade porque éramos um grupo, tínhamos metas e contratos", lamenta Digão. "Prejudicou muita gente e os próprios fãs, que sempre acreditaram na banda, ficaram com muita raiva. Eu desejo bem a todo mundo que deseja o bem. Se ele está feliz com essa opção dele, que ele siga o caminho dele. Eu estou seguindo o meu e estou muito feliz."

A última vez em que Rodolfo esteve com os antigos parceiros de Raimundos foi em 2007, no velório do pai, em Brasília. O guitarrista, Digão, o baterista, Fred, e o baixista, Canisso, apareceram para oferecer os ombros ao amigo. Desde então não se falaram mais.

Digão falou à Rolling Stone Brasil na última quarta, 26, após a coletiva de imprensa do SWU em Paulínia, interior de São Paulo. Sobre a expectativa para o SWU, Digão conta que o público presente (o esperado é entre 60 e 70 mil pessoas por dia) não será o maior para o qual a banda já tocou, mas traz uma atmosfera diferente. “A gente tocou em Brasília para 1,3 milhão de pessoas, mas eu vou te falar que esse festival aqui é impressionante, tem uma coisa muito forte", conta. "Estamos plantando uma semente na cabeça das pessoas."

Olhando para o passado, ele prefere destacar o presente as conquistas da banda atualmente, que lançou o CD e DVD Roda-Viva este ano. "Estouramos na década de 90 e agora estamos com um público novo. Nossos fãs antigos tem aquela nostalgia mas passou, velho", reflete. "Nós temos uma nova cara, somos um novo Raimundos. Não estou rivalizando com meu passado, estou somando ao meu passado. Não estamos aqui [no line-up do SWU] à toa."