Diretor brasileiro cria clipe para a banda britânica Duologue

Curta-metragem acabou sendo transformado no vídeo de “Drag and Drop”, faixa do grupo londrino sobre as aflições criadas pela hiperconectividade

redação Publicado em 15/07/2016, às 18h44 - Atualizado às 20h34

Duologue
Reprodução/Vídeo

Foi divulgado online na manhã desta sexta, 15, o clipe da faixa “Drag and Drop”, do quinteto londrino Duologue. O vídeo é, na realidade, um trabalho dirigido pelo brasileiro Jorge Brivilati, que rodou o curta Lia em Portugal. Durante o processo de edição, na produtora paulistana La Casa de la Madre, ele enxergou a ligação entre o que havia gravado e o som da banda indie, que fala sobre a desconexão gerada justamente pela hiperconectividade. Então, entrou em contato com os músicos e propôs que o resultado fizesse a função de videoclipe oficial para a canção.

“É sempre incrível quando alguém responde ao seu trabalho com mais trabalho”, diz o vocalista Tim Digby-Bell. “Foi um prazer quando o Jorge entrou em contato e pudemos ver o filme dele. A arte deveria servir para ajudar a produzir mais arte. Eu, pessoalmente, fiquei impressionado com a forma como ele reagiu à música e fez tudo isso acontecer. Até eu, que estou aqui do outro lado do oceano, em Londres, vejo o filme e fico com um sentimento de que ele casa com a atmosfera na qual fizemos esse disco. Creio que essa seja a parte mais satisfatória: sentir essa conexão com outro artista por meio do trabalho dele. Espero que aconteça de novo!”

A palavra-chave é (não) conexão. O mesmo mundo conectado que possibilitou o encontro dos artistas e das ideias que eles têm em comum é, em seus excessos, a raiz das angústias que levaram ambos a se expressar, cada um em seu país e usando de seu meio de comunicação. “O Brivilati levou os conceitos a extremos maravilhosos com o filme. Nele, essa desconexão chega a uma dimensão totalmente diferente”, reflete Digby-Bell. “É ótimo ver outra mente criativa receber a música de lá do outro lado do mundo. Tanto o filme quanto a música falam das nossas questões com a solidão e a busca de sentido, mas cada um da sua maneira.”