Diretor de clipes de White Stripes e U2 participa de festival em São Paulo

Alex Courtès participa de painel do m-v-f (Music Video Festival) para discutir a prolífica indústria francesa de vídeos musicais

Pedro Antunes Publicado em 18/01/2013, às 15h50 - Atualizado às 18h05

Alex Courtès
Divulgação

“Era muito excitante fazer parte daquela cena na França”, relembra Alex Courtès, designer gráfico e diretor de videoclipes francês que despontou no fim dos anos 90 e no início da década seguinte acabou trabalhando com músicos de peso como White Stripes, U2 e Justice. “A cena musical efervescia de uma forma que não víamos desde Serge Gainsbourg, com música francesa chegando ao Reino Unido, aos Estados Unidos”, completa. Foi quando Air, Cassius e Phoenix conseguiram fugir dos seus domínios e se espalharam pelo mundo. Junto à onda musical, vieram também os diretores, surfando e conquistando seu espaço.

De White Stripes a U2: assista aos cinco principais clipes da carreira do diretor Alex Courtès escolhidos por ele próprio.

É justamente para falar sobre este cenário, suas bases e novas ramificações que Courtès vem a São Paulo, no festival m-v-f (Music Video Festival), realizado no MIS (Museu da Imagem e do Som). No painel “The French Kiss”, marcado para sábado, 19, às 19h, ele e outros convidados discutem a produção francesa nestas duas décadas e, claro, o futuro da indústria. “Naquela época, não eram todas as pessoas que usavam o computador nessas produções. Isso também serviu como diferencial”, avalia Courtès.

Alex Courtès e seu parceiro Martin Fougerol trabalhavam como designers para a banda Cassius, até que decidiram oferecer a ideia de fazer um clipe para o grupo. Ideia aceita, a dupla teve o primeiro contato com o universo dos videoclipes, que havia crescido graças à força da MTV norte-americana. A estreia se deu com “Cassius 99”, de1999, um vídeo inovador para a época, que misturava animação gráfica e imagens reais de uma corrida de motocicletas.

Depois de passar por Phoenix, Air e outros grupos franceses, a dupla chegou ao mercado norte-americano com “Just Because”, do Jane’s Addiction, em 2003. Naquele mesmo ano, Alex e Martin fizeram o histórico “Seven Nation Army”, do White Stripes, vídeo que os impulsionou de vez para a crista da onda. O clipe brinca com formas triangulares, enquanto imagens de Jack e Meg White crescem na tela. “Foi uma inspiração no cartaz de Laranja Mecânica [de Stanley Kubrick]”, revela. “Mas eu provavelmente deva parar de falar isso”, completa, rindo de si mesmo.

“Tivemos muita sorte em trabalhar com eles”, conta ele, fã de rock clássico das décadas de 50 a 70. “Não pude fazer videoclipes para eles, mas tive o White Stripes, o Kasabian [com “Shoot The Runner”] e o Wolfmother [com “Woman”]”, relembra. No currículo dele ainda estão quatro clipes do U2: “Vertigo” (2004), “City of Blinding Lights” (2005), “Get On Your Boots” e “Magnificent” (ambas de 2009). “Eles são pessoas realmente ótimas. Foi muita sorte trabalhar com eles também”, conta Courtès.

“Não existe regra para a ideia aparecer”, explica ele, quando citado o vídeo de “Go On”, do Justice, cujo trailer conta a história de um garoto em plena puberdade apaixonado pela professora sensual. “Encontro um conceito forte e sigo em frente”, revela. Para ele, o leque de opções se ampliou com a internet e os vídeos em streaming em sites como YouTube e Vevo. “Ficávamos restritos à vontade da televisão e da MTV. Agora é possível perceber o que o público gosta ou não.”

De designer gráfico, Courtès se descobriu diretor de videoclipes. E, desde 2011, ele alterna a sua agenda entre vídeos musicais, peças publicitárias e filmes. Primeiro com o thriller de terror The Incident, de 85 minutos, e depois com Les Infidèles, que chegou a estrear no Brasil como Os Infiéis, com a participação do vencedor do Oscar Jean Dujardin. Ele gostou de criar o clima de suspense na telona, como no seu primeiro filme. “Nunca tinha filmado por cinco semanas. Senti que era o certo a fazer e ainda consegui inserir conceitos gráficos”, afirma. “Agora vou preparar um filme de ação, mas será um thriller também.”

O m-v-f tem outras atrações neste sábado, 19, desde as 15h30, como a gravação de cenas de um videoclipe da cantora Blubell, a exibição e eleição do vencedor do m-v-f Awards e um painel de discussão com a retrospectiva da banda Devo (veja mais detalhes da programação no site oficial).

m-v-f (Music Video Festival)

Painel “The French Kiss”, sábado, às 19h

MIS (Museu da Imagem e do Som) – Avenida Europa, 158 – Jardim Europa

Entrada gratuita (retirar a senha com uma hora de antecedência).

Informações: No site oficial do festival m-v-f- (Music Video Festival)