Dirty Projectors traz disco mais acessível para show em São Paulo

“Sinto-me conectada ao álbum”, diz a guitarrista Amber Coffman que toca nesta sexta, 30, no Cine Joia

Pedro Antunes Publicado em 30/11/2012, às 09h34 - Atualizado às 09h45

Dirty Projectors
Jason Frank Rothenberg / Divulgação

A distância de tempo entre as duas visitas ao Brasil é de três anos, mas na sonoridade do Dirty Projectors isso fez toda a diferença. Mais pop – ainda com todo o toque intelectual, bebericando influências do soul, ao rock, passando pela cadência brasileiríssima de Caetano Veloso -, o disco Swing Lo Magellan foi lançado em julho e traz para a apresentação de São Paulo, no Cine Joia, nesta sexta-feira, uma nova porção de canções definitivamente mais acessíveis.

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Não que os outros cinco trabalhos anteriores fossem complexos demais. Mas dentro da categoria “pop intelectual”, é possível dizer a balança pendia mais para o lado “intelectual” do que para o “pop”. “Acho engraçado você dizer isso”, diz a tímida Amber Coffman, guitarrista e, às vezes, vocalista da banda. “Algumas pessoas já me disseram isso também, sobre ser um disco mais acessível. Ao mesmo tempo, ouvi isso sobre o álbum anterior”, completa, lembrando Mount Wittenberg Orca gravado com Björk.

Trata-se, então, de uma questão de direcionamento e evolução da banda seguido o caminho imaginado por David Longstreth, voz principal e criador de todo o grupo. “Eu me sinto muito conectada ao álbum”, diz Amber. “Eu gostei muito do resultado dele. E, se é isso que as pessoas estão pensando, deve ser”, completa ela.

Lançado há cinco meses, Swing Lo Magellan já teve tempo de amadurecer ao vivo, como conta a guitarrista do grupo. “Queríamos que ele soasse ao vivo de forma muito semelhante ao disco. Passamos um bom tempo ensaiando antes da estrada. Acho que esse repertório novo está funcionando muito bem ao vivo.”

Na turnê que a banda fez pelos países nórdicos, no fim de outubro, eles executaram o novo álbum quase na íntegra: “Swing Lo Magellan”, “Offspring Are Blank”, “The Socialites”, “See What She Seeing”, “About to Die”, “Just From Chevron”, “Maybe That Was It”, “Dance for You” e “Gun Has No Trigger”. Destas, a última é aquela com potencial explosivo para a performance ao vivo. O refrão dinamita a atmosfera calma do início, com a inconfundível voz de Longstreth atingindo notas mais agudas.

A canção também é um exemplo de como o Dirty Projectors pode absorvido em várias camadas. As letras, de Longstreth, apresentam mais de uma interpretação. A tal arma sem gatilho pode ser uma metáfora para o viver sem a liberdade das próprias escolhas, ou ainda uma crítica social e política. A própria Amber não se sente à vontade de tentar interpretar os mistérios da mente do vocalista. “Acho que não saberia articular muito bem”, diz ela, desculpando-se.

O papo, então, é direcionado para o grau de envolvimento dos outros membros da banda -

Haley Dekle (vocais), Nat Baldwin (baixo), Olga Bell (vocais e teclados), and Michael Johnson (bateria) – no processo criativo do grupo. “David chega com todo o material pronto, com demos gravadas”, diz ela. “Então, nós pegamos nossas partes e vamos trabalhando, mas é ele que faz tudo.”

O grupo ainda decidiu lançar um EP, About To Die, no início de novembro, com cinco sobras de estúdio que não entraram em Swing Lo Magellan e uma nova versão para a música título do extended play, que já estava no álbum. “Queríamos dar um jeito de lançar essas músicas de alguma forma”, justifica a guitarrista.

Há três anos, o grupo fez uma turnê pelo Brasil. Além das tradicionais capitais de São Paulo e Rio de Janeiro, a banda foi até Goiás, no festival Goiânia Noise. “Eu lembro que havia muitas bandas de metal lá”, diz ela. “Mas os shows foram bastante energéticos, é excitante voltar ao Brasil.” A abertura da apresentação paulistana será novamente da banda Holger, que em 2009 ainda era quase embrionária. Eles, na ocasião, possuíam apenas um EP e algumas demos que se tornariam o álbum Sunga. Hoje, o grupo se estabelece entre os instigantes nomes dessa geração, com um neo-tropicalismo dançante. O Holger acabou de lançar seu segundo disco, Ilhabela, um road-album pé na estreada onde eles convidam o ouvinte a viajar (e requebrar) até as praias do litoral norte paulistano.

Dirty Projectors em São Paulo

Dia 30 de dezembro, sexta-feira

Cine Joia - Praça Carlos Gomes, 82, Liberdade

Informações: 11 3231-3705 ou pelo site do Cine Joia

Ingressos: R$ 120