"Provavelmente é melhor que eu pare por aqui", diz Colin Farrell sobre sua tradição em refilmagens

O ator, estrela do remake de O Vingador do Futuro, também fala sobre futebol e tecnologia

Stella Rodrigues Publicado em 17/08/2012, às 12h26 - Atualizado às 13h01

Colin Farell
Divulgação

Se a fama dos irlandeses de festeiros descontrolados ficou em alta há alguns anos, Colin Farrell pode ter tido alguma coisa a ver com isso. Antes aluno modelo do educandário das celebridades-problema, agora, aos 36 anos, ganha estrelinhas na testa como um ator de comportamento exemplar, pai de dois filhos, sossegado e profissional.

O dublinense esteve no Brasil para divulgar O Vingador do Futuro, refilmagens do thriller de ação e ficção com Arnold Schwarzenegger que chegou às telonas em 1990. Só restou ao ator fazer piada com o que já pode ser chamado de sua tradição no gênero remake. Além deste, recentemente estrelou A Hora do Espanto (2011), além de dois filmes baseados em séries de TV: Miami Vice (2006) e S.W.A.T. - Comando Especial (2003). Ele jura que não fez de propósito. Ao contrário, afirma que “odeia responder perguntas sobre remakes”, explicando que eles já vêm com bagagem.

“Você não quer ofender ninguém, mas ao mesmo tempo não quer ser defensivo de novo. É mais fácil falar sobre filmes originais porque você não está lidando com a nostalgia das pessoas, as memórias da experiência da pessoa com o filme na adolescência, ou até antes, o que eu respeito. É complicado”, reflete. “Ao mesmo tempo, trabalhei em originais que sei que não eram tão bons quanto isso. Discordo da ideia de a existência de uma produção ser invalidada só porque é algo que está sendo recontado. Se for refeita de uma forma interessante, se o diretor aplica uma nova voz ou estilo, acho que tudo bem.” Porém, a reflexão a respeito nas escolhas da carreira leva a uma conclusão: “Eu já fiz duas adaptações e dois remakes de filme. Digo isso com cuidado, mas provavelmente é melhor que eu pare por aqui. Se bem que uma forma original de ser ator é só fazendo refilmagens. Se eu só fizesse isso, aí sim seria algo original”, brinca.

A versão dele e do diretor Len Wiseman, de fato, traz bastante coisa diferente em termos de adaptação do conto de Philip K. Dick ao contar a história de Doug, um operário que vai a uma empresa para ter memórias implantadas em seu cérebro. Por exemplo, Marte não entrou para a nova trama. “O tom desse filme é diferente, é um drama mais sério. Não sei se mais pesado, mas é um drama de ação sem muito da comédia que tinha no outro. Mesmo para a época o original tinha um humor muito kitsch. Em termos de tom, mas só de tom, é mais como A Origem.”

“Se você viu o primeiro, será impossível ver esse e não comparar. Eu não espero isso”, conclui. “Em um mundo ideal eu diria: ‘Gostaria que as pessoas vissem esse filme por ele mesmo’. É impossível. E eu nem fico com raiva de quem diz ‘vai se foder, Hollywood, por refazer o filme’. Se alguém refizesse um filme que eu gostava muito quando era mais novo, tipo Os Goonies, eu diria ‘O quê?!’. A não ser que me liguem para interpretar Sloth”, brinca, imitando o personagem. “Não pude me dar o luxo de comparar. Gostava muito do original, mas lá pela página 40 do roteiro eu esqueci o original e me vi gostando da leitura”, diz. “Você entende o que é, é um filme grande, feito para entreter muitas pessoas. Mas ao mesmo tempo, se você pode fazer algo inteligente, cativante e com alguma validade emocional é importante. Lendo o roteiro eu fiquei entretido e não senti falta de Marte.”

Nas quatro linhas

Colin Farrell, ex-jogador de futebol e promessa no esporte quando era adolescente, ainda tem vontade de dirigir um longa – já que quando se trata de jogar, ele diz não saber se consegue sequer chutar a bola hoje em dia. Poderia ele resolver unir as duas paixões e filmar algo sobre futebol? “Foi escrito um roteiro a respeito da copa do mundo dos sem-teto, que é o tema do documentário Kicking It, que eu narrei. Eu li uma versão bruta dele e era muito bom. É uma história muito boa de um grupo de homens se recuperando de experiências passadas dolorosas e tentando continuar com a vida nesse campeonato de futebol. É estranho, é difícil fazer um filme bom sobre esportes”, diz ele, apesar de em seguida falar de forma bastante empolgada sobre Fuga Para a Vitória (veja o trailer aqui).

Tecnologia

Outro ponto do filme que levanta uma reflexão é a análise de quão plausível é uma tecnologia que permite implantar memórias. Com a ciência tendo se adiantado e desenvolvido tanto de 1990 para cá, esta segunda versão está mais próxima de uma realidade em que tal conceito se encaixa? “Acho que não tinha nada inventado no filme que não seja tecnologicamente plausível. Tem muita coisa sendo criada. Se essas coisas se provarão úteis ou não, não faço ideia. O mundo está mudando tão rápido, a tecnologia tem uma vida própria, o que é aterrorizante. Isso aqui há dez anos?”, questiona, apontando para um iPhone, “as pessoas iam achar que você é uma bruxa, seria queimada viva. As pessoas parecem muito preocupadas com a velocidade com a qual podem experimentar gratificação e isso é perigoso”, argumenta. “A ideia de que qualquer pessoa tenha qualquer noção de como serão as coisas é simplesmente uma falácia.”