Disputa sobre herança de James Brown chega ao fim

Batalha jurídica se estendia desde a morte do músico, no Natal de 2006; filhos adultos, viúva e instituições de caridade partilham o patrimônio

Da redação Publicado em 27/05/2009, às 12h40

Terminou a disputa entre alguns filhos e a viúva, Tomi Rae Hynie Brown, de James Brown, morto em 25 de dezembro de 2006. Segundo a agência de notícias Associated Press, Jack Early, juiz da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, deliberou na terça, 26, que quase metade da herança vá para instituições de caridade ajudadas pelo músico em vida; cerca de 1/4 , à mulher e filho mais novo; o resto, partilhado entre os filhos adultos da lenda do soul.

Com sua morte, por pneumonia severa, Brown vivia com Tomi Rae, uma ex-backing vocal de sua banda, e o filho do casal, James Brown II - ela, no entanto, ainda era casada com outro homem. A AP informa que a decisão da corte foi contrária à vontade expressa em testamento pelo artista. Os seis filhos adultos contestaram o espólio, alegando que ele estava sendo mal gerido por administradores, e também que a inclusão de Tomi Rae na herança não era legal, já que ela era nunca teria se divorciado de Javed Ahmed, do Paquistão. Em 2004, Brown, após uma briga, pediu a anulação de seu casamento (realizado em 2001) com a cantora pelo mesmo motivo. James Brown II também não será submetido a um teste de DNA, como cogitado previamente.

"Acho que o acordo (...) provém um resultado justo e razoável para os beneficiários da caridade", escreveu o juiz. "Da perspectiva (desses beneficiários), os riscos de não se aprovar o acordo são substanciais."

Em 2007, a AP noticiou que os filhos maiores de idade do músico entraram com pedido para invalidar o testamento do pai. Alegaram, então, que os conselheiros do artista influenciaram Brown a criar fundos para caridade - mas o ato teria sido de má fé, já que os próprios conselheiros eram responsáveis pela gerência dessa renda.

O valor exato da herança não veio a público, mas, ao longo das várias audiências realizadas desde a morte do papa do soul, emergiram acusações de dívidas não quitadas e dinheiro mal-administrado.

Possessões do cantor chegara a ir a leilão, no valor de US$ 850 mil (R$ 1,7 mi), para custear débitos do gênero. De acordo com os advogados, as contas em nome de Brown tinham pouco dinheiro. O que está em jogo é, principalmente, a quantia vinda de direitos autorais sobre filmes, músicas e itens com a marca do cantor.

"Estou tão aliviada e feliz com a decisão da corte", disse a viúva. "Quero ser capaz de trabalhar com os conselheiros e membros da família Brown, para que possamos promover o legado de James Brown. Eu e meu filho James somos gratos ao juiz e esperamos que este pesadelo tenha enfim acabado."

Deana Brown, uma das filhas, também se mostrou satisfeita pelo fim da peleja jurídica. "Tem sido um tormento, ms Deus nos abençoou e estamos gratos." A caridade, defendeu, continuará sendo tocada. "Nós estamos ansiosos para trabalhar com os gols de meu pai, provendo bolsas escolares para estudantes pobres e também os próprios netos (de Brown)."

O quadro legal em torno do espólio começou a se formar logo após a morte do intérprete de "I Feel Good", aos 73 anos. O enterro de Brown, inclusive, só aconteceu no dia 10 de março - seu corpo teria, a certo ponto, ficado selado em um caixão de ouro, em sua casa, na Carolina do Sul.

Em janeiro de 2007, 23 dias depois do falecimento, apareceu um testamento que determinava a divisão de grande parte das possessões de Brown - roupas, joias, barcos e automóveis - entre seis de seus filhos. Logo desconfiou-se da legitimidade do documento.

O advogado Louis Levenson, contratado dos filhos adultos, alegou ainda não ter revisto a ordem do juiz - que determinou, ainda, que os parentes de Brown construam um museu ou um memorial para honrar o nome do músico.A fiha Deanna já havia mostrado sua empolgação para levar o projeto adiante.

Brown se casou quatro vezes, Tomi Rae inclusa, e teve pelo menos cinco filhos e quatro filhas - alguns fora do "relacionamento oficial". Com mais de 50 anos de carreira e recordista de hits nas paradas da Billboard (emplacou 17 canções no topo, contra 13 do segundo colocado, Michael Jackson), Brown costumava se auto-proclamar "o maior trabalhador do show business".