Documentário de Noel Gallagher mostra processo de composição do músico

High Flying Birds: Somewhere in Between faz uma crônica da criação do disco solo do ex-guitarrista do Oasis

Pamela Chelin Publicado em 05/11/2011, às 12h31

Noel Gallagher
Foto: AP

“Noel Gallagher é um dos melhores compositores de sua geração”, diz o produtor Dave Sardy, que produziu os últimos dois discos do Oasis e o álbum solo de Noel, Noel Gallagher's High Flying Birds, previsto para 8 de novembro nos Estados Unidos. “Trabalhei com muitos artistas como Johnny Cash, e Noel está no páreo com Johnny Cash. Ele é o cara. Vive e respira música. Mesmo quando Noel está apenas sentado, tocando sua guitarra para se aquecer, ele é tão talentoso e emotivo, que quase faz com que eu e meus engenheiros choremos."

Sardy foi uma das 50 pessoas, aproximadamente, que foram ao Soho House West Hollywood na última quarta, 2, onde a Filter apresentou uma exibição de High Flying Birds: Somewhere in Between, um convincente, revelador e divertido documentário sobre a criação do novo álbum de Gallagher.

Apesar de ter apenas 33 minutos, o documentário contém muitas cenas de bastidores do processo artístico da estrela do rock britânico, incluindo o tempo em estúdio e anotações detalhadas. A trilha sonorada é feita a partir de canções de seu novo álbum, e Gallagher é o próprio narrador.

High Flying Birds começa com Gallagher falando sobre sua nova fase na carreira. “É muito liberador. O público de Noel Gallagher? O que é isso? Não sei ainda. Vamos descobrir.”

O foco do filme é no comprometimento de Gallagher com sua arte, sua reverência para com ela e a tradição de compor, além de mostrar o lado perfeccionista e o senso de humor do artista.

Inicialmente, Gallagher gravou as canções na Inglaterra, mas então mandou elas para o produtor Dave Sardy, de Los Angeles, que tinha muitas sugestões e agendou um voo para Londres para dividir suas ideias com o nervoso Gallagher. “Eu estava pensando: ‘Ele não está vindo para cá para dizer que é brilhante, isso é uma certeza, porque ele diria isso no telefone. Ele está vindo para despejar algo em mim’”, diz Gallagher. Após a visita de Sardy, Gallagher decidiu passar as rédeas para ele.

A partir daí, Gallagher e seu baterista, Jeremy Stacy, voaram para Los Angeles para trabalhar no lendário estúdio Sunset Sound e no estúdio de Sardy, Hillside Manor.

No filme, Gallagher dá muita ênfase ao processo de composição das músicas, chamando seu próprio métode de “ir pescar”. “Tudo que eu posso fazer é sentar com minha guitarra e esperar que algo aconteça”, conta. “E é o que eu faço. Eu sento no rio e, se eu pegar algo, ótimo.”

Apesar de ter escrito uma porção de hits para o Oasis, Gallagher admite que não sabe ler música e não é um grande guitarrista ou vocalista. “Eu não sou ótimo em nada”, diz ele. “Eu sou ótimo em ser eu e tocar o que eu toco. Eu tento escrever grandes canções. Às vezes consigo. Às vezes não. Eu gusto da disciplina disso.”

Em seu novo álbum, Gallagher diz que seu foco é sobre temas como amor, esperança e sair em uma viagem. Mesmo se confessando um cínico, ele diz: “Você tem de ser forte o suficiente para o amor. É muito fácil ser frio e cínico. É muito difícil deixar-se levar e estar apaixonado. Você tem de ser forte o suficiente para isso.”

No final do documentário, Gallagher reflete sobre o que foi estar no Oasis e atingir certas metas, e então discute seu futuro como artista solo. “Eu vou estabelecer meu ponto referencial. Daqui a um ano, eu terei um ponto referencial e ele pode estar entre meus joelhos ou pode estar acima da minha cabeça. Pode exceder as expectativas de todo mundo ou pode ser apenas legal. Pode ser outro álbum. Não sei ainda. Mas esse é o lado ótimo da coisa. Quem sabe?”