Violão e prancha

Donavon Frankenreiter realizou sua sétima visita ao Brasil e conversou com a Rolling Stone sobre surfe, música, influências e próximos trabalhos; veja vídeo

Por Patrícia Colombo Publicado em 10/02/2011, às 18h21

Donavon Frankenreiter conversou com a Rolling Stone Brasil em sua sétima passagem pelo país
Noah Abrams/Divulgação

O sujeito é boa praça, dono de um bigode que se tornou sua marca registrada, tem voz suave e canta tanto para os que, como ele, estão acostumados a subir em pranchas quanto aos que sequer passaram parafina em uma. "Mesmo se você não surfa, dá para sentir a vibração e a essência do que estamos querendo dizer com a nossa música e com o som que estamos fazendo", explica Donavon Frankenreiter, em entrevista à Rolling Stone Brasil, concedida na semana passada, durante sua sétima vinda ao país. O músico retornou para divulgar seu mais recente álbum, Glow, lançado em 2010, apresentando-se na capital paulista no festival Alma Surf, no dia 3, com direito a abertura de Tom Curren (lendário surfista que também seguiu a carreira musical), e em Campeche, Santa Catarina, nos dias 5 e 6, junto a Ben Harper e Curren, no evento Praia Skol Music.

Durante a conversa, o simpático e desencanado Donavon, que pessoalmente demonstra ser tão tranquilo e positivo quanto as músicas que canta, comentou sobre o disco de inéditas. "Sinto-me orgulhoso, há muitas músicas ótimas neste álbum, trabalhei com ótimos compositores, engenheiros maravilhosos", conta. "Agora que já foi lançado é demais cair na estrada e tocar as faixas ao vivo." A produção do trabalho ficou a cargo de Mark Weinberg e a gravação durou apenas três dias, no Pulse Studios, em Los Angeles. Ele ainda adianta que, por mais recente que o disco seja, novos materiais estão a caminho. "Sairá neste ano um Recycled Recipes 2 [sequência do primeiro EP, lançado em 2007], que já gravei. São seis covers de faixas que realmente gostei de escutar ao longo dos anos", revela. "Paul Simon, INXS, Edie Brickell, Elvis Costello, Tom Petty e... Sei que há mais um que estou esquecendo. Ah, os Rolling Stones... Como eu poderia esquecer?" O cantor conta ainda que seguirá 2011 com a turnê de Glow e que deverá começar a compor canções para um novo álbum no ano que vem.

Frankenreiter é californiano, mas pelo tanto de vezes que já veio ao Brasil, está cada vez mais familiarizado com as produções musicais da terrinha e com as ondas que quebram na costa do território, negando, contudo, que esteja próximo de se tornar perito no assunto. "Não sei todos os nomes de diferentes artistas e músicas brasileiras, mas eu com certeza adoro ouvir. É muito rítmico, há diferentes batidas, diferentes instrumentos usados. Sinto uma vibração incrível quando escuto", conta. "Com relação às ondas, não é que eu esteja acostumado, não surfei tantas vezes aqui, mas esta viagem tem sido incrível porque elas têm estado bastante divertidas." O músico surfa desde os dez anos de idade, tendo integrado sua primeira banda aos 16. Na transição da infância para a adolescência, portanto, conheceu aqueles que seriam seus grandes alicerces: a prancha e o violão.

Foi também jovem que deu início a uma amizade que acabou contribuindo para a união destes dois itens, e a partir da qual seguiria carreira na música. Aos 15 anos conheceu Jack Johnson, outro nome de peso nesta "nova fase" da surf music, que produziu seu primeiro álbum, homônimo (2004), junto ao renomado Mario Caldato Jr. (conhecido como Mario C.) "Dezessete anos depois [de nos conhecermos], Jack se tornou uma estrela da música. Ele começou seu próprio selo, Brushfire Records, e, naquela época eu comecei a cantar e a compor. Perguntei se ele estaria interessado em produzir o meu disco. E tudo aquilo aconteceu", lembra. "Ele com certeza foi o início da minha, como queira chamar, jornada musical. Ele abriu a porta da música para que eu entrasse e fizesse parte daquilo. Jack me colocou nesse caminho." Entre os hits de Frankenreiter, estão "It Don't Matter", "Free" (gravada junto a Johnson) e "Move by Yourself". Assista abaixo a entrevista: