Dossiê Mulher-Gato: Melhores e piores momentos dos 80 anos da anti-heroína mais adorada do Batman

Personagem marcou presença na TV, cinema, animações, games, entre outros

Felipe Grutter Publicado em 30/07/2020, às 07h00

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Diferentes versões da Mulher-Gato (Foto: Reprodução/DC Comics/Rocksteady Studios/Warner Bros.)

Em 2020, Mulher-Gato, a anti-heroína mais amada do Batman, completa 80 anos de existência. Em 1940, quando ela foi criada e apareceu pela primeira vez, os criadores Bill Finger e Bob Kane tinham a intenção da personagem ser interesse amoroso do homem-morcego, mas muito mais que isso, ela seria ambígua, traiçoeira, interessante e faria sucesso com todo tipo de leitor. 

Até hoje, a anti-heroína ainda continua a cumprir esse papel designado por Finger e Kane, além de marcar presença - e história - em quase todas as mídias, como televisão, animação, videogame, cinema, entre outros. Mulher-Gato é bastante conhecida por ter uma rivalidade de vilã com Batman e também por ter aquela tensão sexual com o vigilante de Gotham.

A personagem possui diversas habilidades, como velocidade, reflexos rápidos e agilidade. Além disso, ela é uma ótima ladra, acrobata e tem o dom das artes marciais. A personagem consegue fazer tudo isso mesmo sendo uma simples humana.

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A primeira aparição da Mulher-Gato foi na primeira edição da HQ Batman, na qual ela é chamada de A Gata e era uma vilã do herói. A personagem passou a ter uma postura mais amigável nos anos 1960. Já o posto de anti-heroína foi estabelecido pelos anos 1990, com a série mensal dela.

Só em 1952, no quadrinho Batman #62, o público veio conhecer o alter ego da original e mais popular Mulher-Gato, que é Selina Kyle. Além de Kyle, a personagem teve outras duas identidades nas HQs: Holly Robinson e Eiko Hasigawa.

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No entanto, por mais que a Mulher-Gato fosse um grande sucesso, ela ficou em um grande hiato entre setembro de 1954 a novembro de 1966, causado pela Comics Code Authority, o qual possuía regras de censuras sobre a elaboração e interpretação de personagens femininas. Vale lembrar do fato dessa aplicação não está em vigor atualmente. A personagem ficou na geladeira por boa parte da Era de Prata dos quadrinhos.

Perto do final da Era de Prata, em janeiro de 1966, o mundo foi agraciado com a série clássica do Batman, que durou três temporadas e foi transmitida até março de 1968. Quando volta do hiato nos quadrinhos, um dos maiores destaques da Mulher-Gato foi a rivalidade com Lois Lane e as lutas contra heróis como o próprio homem-morcego, Robin e Batgirl

O traje verde da personagem usado por Julie Newmar na série clássica do Batman foi tão icônico que acabou indo para os quadrinhos - e ganhou bastante popularidade também.

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Já durante a época da Era de Bronze, os leitores dos quadrinhos foram apresentados à Mulher-Gato da Terra 2. Essa nova versão da personagem passa a ser uma heroína e trabalha ao lado de Batman e Robin na cidade de Gotham. Alguns anos depois, Selina Kyle se casa com Bruce Wayne e tem uma filha chamada Helena Wayne - que adulta vira a vigilante Caçadora.

Porém, acontece uma bizarrice com a personagem. Ela morre nas mãos de Cernak e o corpo de Selina é levado à Batcaverna, onde Bruce ressuscita a amada com um maquinário que só ele poderia pagar.

Outro destaque da personagem nos quadrinhos aconteceu no período da Crise nas Infinitas Terras. Na HQ Batman Ano Um, por exemplo, Selina Kyle foi retratada como garota-de-programa que abandonou a profissão para se tornar a icônica ladra. Com duas origens diferentes, a DC lançou o especial Mulher-Gato, responsável por recontar a origem dela.

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Versões da Mulher-Gato em produções audiovisuais

Como Selina Kyle foi uma personagem super bem-recebida nos quadrinhos, ela ganhou vida em diversas outras mídias.

Televisão

Na TV, a Mulher-Gato se destacou, principalmente, nas séries animadas. Uma das versões mais queridas é em Batman: A Série Animada (1992-1995), criada por Paul Dini e Bruce Timm. Na produção, a personagem foi dublada por Adrienne Barbeau e tinha uma diferença notável: ela era loira, não morena como nas HQs, por conta do filme Batman: O Retorno (1992), no qual a personagem foi interpretada por Michelle Pfeiffer.

Depois de algumas temporadas, a Selina Kyle de A Série Animada voltou a ser morena.

Outro destaque da personagem no mundo das séries animadas vai para O Batman (2004-2008), na qual ela foi dublada por Gina Gershon. A animação tinha os traços e aspectos mais bizarros dos quais o público estava acostumado.

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Já nas séries live-action, Mulher-Gato apareceu em duas produções. A primeira já foi citada no texto, na série clássica do Batman de 1966, na qual ela foi interpretada por Julie Newmar. No entanto, a atriz saiu da produção no terceiro ano. Quem assumiu a responsabilidade foi Eartha Kitt, primeira intérprete negra da anti-heroína.

Selina Kyle ganhou um novo fôlego em Gotham (2014-2019), interpretada por Camren Bicondova. Ela foi uma Mulher-Gato na adolescência e no começo da carreira ladra que tanto amamos e conhecemos.

Cinema

A primeira versão da Mulher-Gato em um filme foi com uma produção da série clássica do Batman. O longa se chama Batman: O Homem Morcego (1966) e não contou com Julie Newmar, porque a atriz teve conflitos de agenda. Quem assumiu o lugar dela foi Lee Meriwether.

A próxima Selina Kyle dos cinemas foi Michelle Pfeiffer em Batman: O Retorno (1992), dirigido por Tim Burton. Essa versão é uma das mais icônicas da Mulher-Gato - e também uma das mais bizarras.

12 anos depois, a personagem caiu em desgraça com o filme Mulher-Gato (2004), protagonizado por Halle Berry. No entanto, ela não interpreta Selina Kyle, mas sim uma nova versão, chamada Patience Phillips. O longa é lembrado até hoje como um dos piores do universo de super-heróis.

Por fim, a personagem foi vivida por Anne Hathaway em Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012), responsável por encerrar a trilogia do Nolan. O filme entregou uma personagem consistente e muito bem desenvolvida.

A próxima atriz a interpretar Selina Kyle nos cinemas será Zoë Kravitz em The Batman, filme dirigido por Matt Reeves e estrelado por Robert Pattinson.

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Games

Nos games, a personagem foi trazida com bastante destaque em duas franquias: Batman: Arkham e Injustice. Grey Griffin interpreta a Mulher-Gato em ambas as produções.


Porém, nem tudo são rosas

Em qualquer mídia, Mulher-Gato nos trouxe momentos inesquecíveis, icônicos e emocionantes. No entanto, frequentemente, a personagem, assim como boa parte das mulheres nas HQs, foi bastante sexualizada, enquanto personagens como Batman eram retratados normalmente.

Em boas produções, como Batman: Arkham e Mulher-Gato, a anti-heroína vestia couro bastante apertado e um decote que nenhuma vigilante usaria se realmente existisse na vida real.

Já em O Cavaleiro das Trevas Ressurge, produção do cinema com a Mulher-Gato mais recente no cinema, a personagem recebeu uma evolução no figurino, com um traje mais próximo do aceitável.

Mas, felizmente, essa parte ruim da sexualização não apaga o legado de Selina Kyle, ou qualquer outra versão dela, na cultura pop.


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