Dr. John, lendário pianista de Nova Orleans, morre aos 77 anos

Segundos os familiares, o músico sofreu um ataque cardíaco na última quinta, 6

Rolling Stone EUA Publicado em 07/06/2019, às 12h00

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Dr. John (Foto: Michael Ochs Archives/Getty Images)

Malcolm John Rebennack Jr., cantor, compositor, pianista e produtor, mais conhecido como Dr. John, morreu nesta quinta, 6, aos 77 anos de idade. De acordo com a sua família, a causa da morte foi um ataque cardíaco.

"Neste dia 6 de junho de 2019, a lenda da música, Malcolm John Rebennack Jr., mais conhecido como Dr. John, morreu devido a um ataque cardíaco", anunciou a família em um comunicado.

"Ganhador do Hall da Fama do Rock N Roll, com seis Grammys, John criou uma mistura única de música que carregava sua cidade natal, Nova Orleans, em seu coração. A família agradece a todos que estiveram presentes durante a sua jornada musical e solicita privacidade neste momento. Os memoriais serão organizados em breve", concluíram.

"Um verdadeiro amigo e companheiro musical morreu hoje", escreveram os Allman Brothers Band no Twitter. "A família Allman Brothers Band expressa os seus mais sinceros sentimentos com a sua morte", acrescentam. 

"Deus abençoe, Dr. John", escreveu Ringo Starr no Twitter. "Paz e amor para toda a sua família, eu amo o Dr.", concluiu. 

"Hoje o meu coração está em Nova Orleans", desabafou Ellen DeGeneres. "Não existe nenhum outro músico como o Dr. John, e nunca irá existir". 

Malcolm John Rebennack nasceu em 21 de novembro de 1940 em Nova Orleans. Ele começou a brincar com um piano quando tinha três anos, e se aventurou em clubes afro-americanos quando era adolescente. Em contato com o instrumento desde criança, em um determinado momento, ele migrou para a guitarra por dizer que "é fácil de arrumar emprego".

Sua vida na música tomou um rumo decisivo quando, em 1960, ele feriu o seu dedo indicador esquerdo em uma briga. Com isso, ele retornou ao piano. Quando a cena musical de Nova Orleans foi ganhando o seu espaço, o Dr. John mudou-se para Los Angeles em 1964, onde iniciou sua carreira de fato. 

Embora seja mais conhecido pelo seu trabalho solo dos anos de 1960 e dos sucessos tocados nas rádios como “Right Place, Wrong Time”, Rebennack tinha uma carreira que se estendia na história do pop. Ele era uma parte fundamental do Wrecking Crew, grupo de músicos de Los Angeles, dos anos 1960. Ele fez gravações com a Cher, Aretha Franklin, Canned Heat e Frank Zappa unindo o funk com o R&B.

Com o lançamento do seu disco de estreia Gris-Gris, esse foi o começo para o personagem Dr. Night Creaper, que Rebennack incorporou elementos da místicos para o seu espetáculo. Rapidamente, o músico ganhou um grande número de seguidores e introduziu grande parte da América para a música de Nova Orleans.  

Em entrevista para a Rolling Stone, em 1973, Rebennack refletiu sobre a sua batalha interna ao realizar músicas comerciais.  "A única coisa que faz de um disco comercial é se as pessoas compram", disse ele. “No começo, eu senti que entrar nesse comércio era me prostituir e banalizar a minha música. Mas ao refletir sobre isso, eu pensei que se eu não mexesse na música e mantesse as suas raízes e elementos do que eu realmnete quero fazer, eu ainda consigo fazer um álbum comercial." 

Em 1976, ele conquistou fama o suficiente para ser convidado para tocar ao lado de Bob Dylan, Neil Young, Eric Clapton, Muddy Waters e outros grandes nomes da época. No entanto, nos anos 1980, o seu vício em heroína durante anos, diminuiu a sua fortuna comercial. Na época em que ele conseguiu se livrar do vício, Ringo Starr ajudou a reviver sua carreira, levando-o para a turnê de estreia do All Starr Band Tour.

Em 2011, ele foi introduzido no Hall da Fama do Rock and Roll. 

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