Drauzio Varella critica Bolsonaro após 100 mil mortes: 'Negou o perigo'

O médico falou ao Fantástico, na Globo, sobre o combate a pandemia de coronavírus

Redação Publicado em 10/08/2020, às 08h06

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Drauzio Varella no Fantástico (foto: reprodução/ TV Globo)

O médico oncologista e divulgador científico Drauzio Varella concedeu uma entrevista ao Fantástico, na TV Globo e criticou abertamente a postura do presidente Jair Bolsonaro(sem partido) no combate a pandemia de coronavírus no Brasil. A fala vem juntamente no final de semana que o país atingiu a marca de 100 mil mortes pela doença.

A mensagem de Varella foi transmitida também depois de Bolsonaro falar contra a edição do último sábado (dia 9) do Jornal Nacional, alegando que o noticiário "espalha "pânico na população e a discórdia entre os Poderes."

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Drauzio criticou também a China, que no início da epidemia omitiu informações importantes, o que causou com que muitas pessoas, inclusive ele, não "previssem a gravidade do vírus".

O médico, entretanto, disse que o Brasil ainda teve plena oportunidade de observar como outros países, principalmente na Europa, fizeram para tentar deter o avanço da covid-19 em fevereiro, mas ainda assim o governo Bolsonaro pecou nas medidas preventivas.

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"Tivemos mais de um mês para nos organizar para chegada do vírus. Pela experiência nos outros países, soubemos que era fundamental adotar o isolamento social, usar máscara e testar a população."

Nesta hora [que chegou ao Brasil], não tivemos testes nem ação coordenada do governo, porque nossa autoridade máxima negou o perigo que corríamos, provocou aglomerações e fez questão de andar por aí sem máscara", apontou Varella.

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O médico analisa o resultado da pandemia no Brasil como desastrosa e diz que perdemos o controle da situação. Por outro lado, elogia o SUS (Sistema Único de Saúde), mesmo que haja ainda problemas no sistema.

"Outros políticos e uma parte da sociedade seguiram o mesmo comportamento. O resultado não poderia ser o mais desastroso. Perdemos o controle da epidemia. Os mais pobres, negros, que vivem em lugares de difícil acesso e os que moram em comunidades com estrutura precária formaram a maioria das 100 mil mortes. O SUS tem sido heroico, mas tem que ser preparado para atender a demanda dos locais em que a epidemia se alastra", acrescentou.


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