Eleito presidente da CPI da CBF, Romário fala à Rolling Stone sobre a esperança de reviravolta no futebol nacional

O ex-atacante e hoje senador é entrevistado na edição de julho da revista

Lucas Borges Publicado em 15/07/2015, às 11h55 - Atualizado às 12h28

Bocudo
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Murillo Meirelles

Um mês e meio depois de sete executivos da Fifa, entre eles José Maria Marin, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), terem sido presos na Suíça acusados de corrupção, o Senado nacional instalou nesta terça-feira, 14, uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a entidade que comanda o futebol no país.

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A iniciativa terá como objetivo principal analisar contratos da CBF para realização de jogos da seleção brasileira e de campeonatos. Além disso, vai averiguar possíveis irregularidades na organização da Copa das Confederações de 2013 e da Copa do Mundo de 2014.

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Entrevistado pela Rolling Stone Brasil em texto publicado na edição do mês de julho da revista, já nas bancas, o ex-jogador e hoje senador pelo PSB-RJ Romário foi eleito presidente da CPI por aclamação. Ele designou Romero Jucá (PMDB-RR) como relator.

Na conversa com a RS, o campeão do mundo de 1994, crítico de longa data da gestão do esporte mais popular do país, falou a respeito das expectativas sobre a CPI: “É do futebol, não só da CBF. Então, tudo que for futebol, se depender da minha parte, vamos englobar e colocar ali. Meu objetivo é que seja desvendada essa caixa preta que hoje existe”.

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Questionado sobre o fracasso de iniciativas similares na década retrasada - duas CPIs foram abertas entre 1998 e 2000, uma para investigar as relações da CBF com a Nike e outra intitulada CPI do Futebol, e ambas acabaram arquivadas e com relatório embargado pelo ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira -, Romário explicou por que acredita que desta vez a história será diferente. “Sinto em alguns senadores essa vontade de realmente ajudar o futebol. Na maioria deles, em seus estados, os presidentes de federações estão lá eternos, não se aguenta mais isso”.

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O político carioca manifestou na entrevista a intenção de contar com apenas sete senadores na comissão parlamentar para que não haja conflito com outras CPIs e para que esta não acabe sendo emperrada por falta de quórum. Por fim, serão 11 participantes (Humberto Costa (PT-PE), Zezé Perrella (PDT-MG), Ciro Nogueira (PP-PI), Donizeti Nogueira (PT-TO), Eunício Oliveira (PMDB-CE), Romero Jucá (PMDB-RR), Omar Aziz (PSD-AM), Álvaro Dias (PSDB-PR), Davi Alcolumbre (DEM-AP), Romário (PSB-RJ) e Fernando Collor (PTB-AL).

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Romário confia ainda que vencerá a chamada “Bancada da Bola”, grupo de políticos que atuam em Brasília em defesa dos interesses da CBF. “Um dos motivos de eu não querer abrir uma CPI mista é isso, tenho consciência de que na Câmara ela [Bancada da Bola] é muito mais robusta, tem mais força. Na verdade, tento dizer que não é Bancada da Bola, dessa eu também participo, é Bancada da CBF, essa é difícil de ser vencida. No Senado também tem, mas não vejo nessa CPI senadores que não queiram colocar o futebol a limpo e moralizá-lo”.

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Na íntegra do texto publicado pela Rolling Stone, o “Baixinho” fala também sobre a esperança de que mais cartolas da Fifa e da CBF sejam presos, sobre os possíveis candidatos a assumir o rumo da bola do Brasil e sobre qual é, na opinião dele, o placar moral do nosso futebol desde os 7 a 1 para a Alemanha, nas semifinais do Mundial de 2014. "O mundo deve estar com uns 100 e o Brasil está com zero. Depois de uma porrada daquela e pelos resultados negativos de suborno, roubo, enriquecimento ilícito e corrupção que tivemos da experiência da Copa, infelizmente nada mudou. Continuam roubando e enriquecendo ilicitamente, enquanto o futebol segue nesta merda que a gente vê".