Eliza Doolittle: algo entre Bernard Shaw e Amy Winehouse

A jovem cantora inglesa fala sobre o primeiro disco, lançado no Brasil recentemente, da influência de Amy Winehouse e do próximo álbum

Stella Rodrigues Publicado em 02/11/2011, às 15h11

Eliza Doolittle
Foto: Divulgação/Brooke Nipar

Eliza Doolittle não é aquela moça simplória, que era submetida a aulas de dicção meio arcaicas - para os dias de hoje, afinal, a peça de George Bernard Shaw na qual nasceu a personagem, Pigmalião, é de 1913. Os traços dessa cantora e compositora inglesa de 23 anos tampouco lembram os de Audrey Hepburn, a atriz que interpretou a personagem em questão no filme My Fair Lady (1964), às vezes traduzido para Minha Bela Dama. Talvez a única coisa que a personagem chamada Eliza Doolittle e a Eliza Doolittle que acaba de lançar seu primeiro disco no Brasil tenham em comum seja mesmo o fato de que elas cantam.

Falando à Rolling Stone Brasil, Eliza Sophie Caird explica que a adoção do sobrenome famoso como seu pseudônimo veio graças ao apelido de infância. “Lembro de ter visto o filme quando era muito pequena. Minha mãe sempre amou a personagem, por isso me chamo Eliza. E ela acabou passando a me chamar de Eliza Doolittle. É um jeito fácil de fazer com que as pessoas lembrem meu nome e aí, espero, ouçam minha música.” A Eliza de carne e osso, vinda de família bem-sucedida de artistas, pouco lembra a garota vendedora de flores em processo de ser transformada em uma mulher pronta a integrar a sociedade na peça/filme (“eu gostaria até de ter mais coisas em comum com ela, para ter uma história mais interessante”). Ao contrário, já começou no topo. Seu disco de estreia, que leva seu nomel, chegou às prateleiras do mercado internacional já em terceiro lugar de vendas. “Por mais que esperasse que fosse bem, não dava para esperar tudo isso.”

A descrição de Eliza para essa sua estreia no mercado fotográfico lembra um slogan de comercial de cruzeiro: “É bem verão, levanta o astral e te deixa de bem com a vida.” No mesmo bairro onde a artista compunha esse disco só sorrisos, outra cantora trabalhava em uma música definitivamente mais sombria. Eliza é do mesmo Camden caótico onde morava Amy Winehouse, diva que, apesar da diferença notória de estilo, serviu de inspiração para Eliza. “Amo o trabalho dela. Ouvi o primeiro disco logo que saiu, assim que começaram a falar dessa cantora fantástica que também era do Camden. Um amigo trouxe o CD para minha casa e logo imaginei uma mulher enorme, negra, com um afro gigante. Em vez disso, era aquela mulher pequena e judia, minha vizinha, e cantando daquele jeito. Então, não tinha como não ficar inspirada ouvindo aquilo. Me deu mais confiança para ir atrás.”

Outra fonte direta de inspiração para Eliza é o pop do passado, aquele que juntava “Beatles e Ray Charles em uma só parada musical. Amo essa coisa de não ter subgêneros dentro do pop”. O gosto pela música “old school” reflete em uma das faixas de seu disco, "Pack Up", cuja letra homenageia "Pack Up Your Troubles in Your Old Kit-Bag", uma antiga canção famosa na época da Primeira Guerra Mundial.

Curiosa, Eliza aproveitou uma recente passagem pelo Brasil para passear. A vinda incluiu um pocket show e muitas entrevistas para divulgar o lançamento do disco por estas terras. Nas horas vagas, foi na maior quantidade de restaurantes que conseguiu. Além disso, ela, que sempre se diz fã de uma vasta gama de instrumentos, ficou interessada em conhecer a Teodoro Sampaio, famosa rua de São Paulo, ocupada por uma loja musical atrás da outra.

Quando voltar para casa, a cantora, que já trabalha em seu segundo disco, ainda coberto de segredos ("só posso dizer que certamente é um passo em outra direção"), finalizará o trabalho. Ele deverá ficar pronto no próximo outono. Ela espera que seja lançado no Brasil também: “Vim aqui para as pessoas ficarem me conhecendo. Com o próximo disco, espero que me recebam de volta, aí para shows de verdade”.