Em carta aberta, Morrissey escreve que Margaret Thatcher “não tinha um átomo de humanidade”

O músico, um ferrenho crítico do governo britânico, publicou palavras duras sobre a ex-premiê que morreu na manhã desta segunda, 8

Rolling Stone EUA Publicado em 09/04/2013, às 10h02 - Atualizado às 14h54

2010

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AP

Morrissey tinha duras palavras para dizer sobre a morte de Margaret Thatcher. Para expressá-las, o ex-vocalista do The Smiths escreveu uma carta aberta, publicada no Daily Beast.

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“Todas as ações dela eram carregadas de negatividade”, escreveu ele, ainda chamando a líder política conservadora de “selvagem” e “o terror sem um átomo de humanidade”. Leia o texto completo abaixo:

“Thatcher é lembrada como a Dama de Ferro só porque ela possuía apenas traços negativos, como uma teimosia persistente e a determinação em se recusar a ouvir os outros.

Todas as ações dela eram carregadas de negatividade; ela destruiu a indústria de manufatura britânica; ela odiava os mineiros, ela odiava as artes, ela odiava aqueles que lutam pela independência da Irlanda e permitia que morressem, ela odiava os britânicos pobres e nunca fez algo para ajudá-los, ela odiava o Greenpeace e protecionistas ambientais, ela foi a única política europeia que se opôs ao banimento do comércio de marfim, ela não tinha inteligência ou fervor e até o próprio Gabinete a expulsou. Ela deu a ordem para explodir o cruzador General Belgrano, mesmo que ele estivesse fora da zona de exclusão das Malvinas – e estava navegando para LONGE das ilhas! Enquanto jovens argentinos a bordo do Belgrano sofriam uma morte injusta e terrível, Thatcher fazia um sinal com o polegar para cima para a imprensa britânica.

Ferro? Não. Selvagem? Sim. Ela odiou as feministas mesmo quando foi graças ao progresso do movimento feminino que os britânicos tenham aceitado uma Primeira-Ministra que fosse mulher. Por causa de Thatcher, nunca mais haverá uma mulher de poder na política britânica e, em vez de abrir esta porta para outras mulheres, ela a fechou.

Thatcher será lembrada com carinho por sentimentalistas que não sofreram sob a liderança dela, mas a maioria das classes operárias do Reino Unido já a esqueceram e o povo argentino celebra a morte dela. Para que fique registrado: Thatcher era um terror sem um átomo de humanidade.

Morrissey.”