Pulse

Raul Seixas: O Início, o Fim, e o Meio busca retratar a grandeza artística de Raul Seixas

“Acima de tudo o Raul era uma artista libertário. Um contestador irreverente”, diz Walter Carvalho, diretor do filme

Murilo Basso Publicado em 23/03/2012, às 16h58 - Atualizado em 24/03/2012, às 01h29

Raul
Divulgação

Raul Seixas: O Início, o Fim, e o Meio, documentário de Walter Carvalho, tem como premissa algo extremamente complicado: retratar um personagem tão complexo quanto o músico, ícone do rock nacional. Para conseguir transportar a carreira de Raul para as telas, Carvalho realizou, ao todo, 94 entrevistas. “Grande parte desse material foi colhido em Salvador, como pesquisa”, explica o diretor sobre o filme, que estreia nesta sexta, 23.

Leia textos das edições anteriores da Rolling Stone Brasil – na íntegra e gratuitamente!

A família de Raul possui tanta representatividade para o filme quanto personalidades como Paulo Coelho, Caetano Veloso, Tom Zé, Nelson Motta e Pedro Bial, que compõem o grupo de entrevistados, que a partir de suas memórias retratam um artista que morreu por sua obra. “Só a Edith, primeira esposa de Raul, não quis falar. Ela mora nos Estados Unidos, e através de sua filha mandou uma carta”, conta Carvalho. “As outras esposas e filhas participaram mais ativamente, foram generosas, abriram seus baús sem censura alguma.” No entanto, Walter sente falta de uma abordagem: o diretor gostaria de ter entrevistado a mãe de Raul, D. Maria Eugênia, que já morreu. Segundo ele, “visão de mãe é sempre interessante”.

Carvalho também foi responsável por Cazuza - O Tempo Não Para, retratando a vida de Cazuza por meio de uma narrativa ficcional. Já Raul Seixas – O Início, o Fim e o Meio é um documentário. “Os dois filmes me foram propostos já nessa forma. Tanto que, na época, por causa do Cazuza, eu achei que iriam querer algo nessa mesma linha.”

Outro grande mérito de Walter é a abordagem de temas mais polêmicos, como uso de drogas, religião e os relacionamentos. O cineasta surpreende ao dizer que, para ele, Raul morreu de amor. “Ele abandonou a primeira mulher [Edith] achando que poderia voltar a qualquer momento. Quando tentou voltar, não teve jeito. Ele nunca mais viu a mulher e a filha e isso acabou com ele”, conta.

Segundo Walter Carvalho, o trabalho de colher depoimentos para um documentário é uma luta constante. Ele conta que em determinado momento chegou a se acostumar com a ideia de fazer o filme sem a presença de Paulo Coelho. Inicialmente, Paulo aceitou dar 45 minutos de entrevistas para o filme, mas chegando na casa de Paulo, na Suíça, Walter conseguiu mais de duas horas de entrevista.

Em uma das cenas mais marcantes do documentário, uma mosca pousa no rosto de Paulo. “Aquela mosca surgiu por acaso e no documentário você precisa estar atento ao acaso. Ele traz uma realidade muito rica, e ela pode se modificar. Se não estiver atento, você pode não aproveitar os acasos”, analisa o diretor. “Vai além do fato de eu estar na Suíça e aparecer uma mosca na hora da entrevista com o Paulo. Ele podia ter expulsado a mosca, mas comentou que em Genebra não costuma ter moscas. Depois ele diz que é Raul que está ali e em seguida diz: ‘Não vou matar’. Então, ele fez três comentários perfeitos e eu tive a sorte de estar ali.”

Raul - O Início, o Fim e o Meio é um retrato transparente de Raul e, para Walter, deixa claro quem foi o maluco beleza. “Acima de tudo o Raul era uma artista libertário. Um contestador irreverente. É isso que fica.”

No teaser abaixo, divulgado com exclusividade pela Rolling Stone Brasil, Tárik de Souza, Caetano Veloso, Julio Medaglia e Solano Ribeiro falam no filme sobre a importância de Raul Seixas.