Em primeiro filme teen da carreira, Maestro, produtor musical, assina trilha sonora diferenciada de A Garota Invisível [ENTREVISTA]

Longa brasileiro estreou em dezembro de 2020 em diversos serviços de streaming

Felipe Grutter | @felipegrutter Publicado em 21/01/2021, às 07h00

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Maestro, produtor musical (Foto: Divulgação) e pôster de A Garota Invisível (Foto: Divulgação)

Com a pandemia de coronavírus, a indústria do cinema sofreu diversos atrasos, paralisações e até cancelamentos. Nesse contexto, diversas produções surgiram ou se adaptaram perante a crise, como foi o caso do filme A Garota Invisível, o qual conta com uma trilha sonora diferenciada feita pelo produtor musical, Maestro.

Este foi o primeiro filme teen na carreira de mais de 15 anos do produtor, responsável pelo disco Caju – Canções de Cazuza, em parceria com o cantor e compositor Marcelo Quitanilha, que colecionou diversos elogios da crítica especializada.

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Ele também se destacou por ter feito trilhas sonoras de comerciais de empresas como Ford, Natura, e Parmalat. O músico também fez músicas originais para outros longas, como Mothers Bond, Will to Dance e Um Presente à Prova de Futuro. O trabalho mais recente de Maestro foi no disco Relax Zen Brasil, feito em parceria com a Universal Music, que reimagina hits brasileiros em versões zen para relaxamento.

 
 
 
 
 
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Com tantos trabalhos na carreira, o produtor teve um grande desafio para fazer a trilha sonora de A Garota Invisível, porque ela foi totalmente gravada em isolamento social. Durante a produção, ele nem chegou a ver pessoalmente Maurício Eça, diretor do filme, e o produtor executivo Marcelo Braga.

A sinopse da produção diz: "Ariana (Sophia Valverde) sempre passou despercebida até que, sem querer, posta um vídeo em que se declara para o garoto mais popular da escola. Agora a ex-namorada dele fará de tudo para estragar o romance e fazê-la desejar voltar a ser invisível."

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O filme estreou no dia 22 de dezembro de 2020 e está disponível em serviços de streaming como iTunes, Apple TV app, YouTube, Google Play, NOW e Vivo Play. Além de Valverde, o elenco conta com Mharessa Fernanda, Matheus Ueta, Guilherme Brumatti, Kaik Pereira, Bianca Paiva, Bia Jordão, Clarinha Jordão e Marcelo Várzea.

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, Maestro falou sobre o empecilho de gravar a trilha sonora de A Garota Invisível à distância, sobre as diferenças de um trabalho desse tipo e um presencial, como foi produzir e o que ele aprendeu com tudo isso.

Na conversa, por exemplo, o produtor se mostrou bastante satisfeito com o resultado final, elogiou o ambiente de trabalho com Eça e Braga e falou sobre como o filme teen o fez trabalhar com diversos estilos musicais.

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Veja a entrevista com Maestro abaixo.


Qual a diferença entre gravar na pandemia e em tempos normais?

"A diferença principal tem muito a ver com a maioria dos trabalhos, que é o lance do isolamento social. Todo mundo acabou indo para suas casas e trabalhando à distância. A diferença de trabalhar com música é que quando você vai pra sua casa, sua casa precisa ser um estúdio.

É razoavelmente fácil você colocar uma mesinha de escritório num quarto ou adaptar alguma coisa pra fazer um home office. Mas quando você trabalha com música seu escritório precisa ter isolamento social, acústico também (risos). Então é um pouquinho mais complexo, mas é possível.

Existe [em isolamento] a questão de que não posso contar com assistente, não posso contar com técnico de som, então virei meu técnico de som. Eu monto microfone, pego violão, aperto para gravar, toco, ponho fone de ouvido. Então fica um processo que a gente fazia entre duas ou três pessoas eu acabei fazendo sozinho nos últimos tempos, mas isso não me inviabilizou de fazer mixagens com meus parceiros, masterizações, ou de contratar músicos adicionais para as trilhas.

Isso já acontecia um pouco antes, porque eu trabalho muito com publicidade, e na publicidade tudo precisa ser muito rápido. Muitos locutores, por exemplo, já trabalhavam de casa antes da pandemia. Com alguns músicos e locutores eu já trabalhava dessa forma."

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Esse foi seu primeiro filme teen, como encarou o desafio de mudar o tom das músicas?

"Foi muito legal, porque o longa teve muitos estilos de música, então tem canções de tensão, culinária, romântica, vários tipos de música. Foi um filme muito rico pra mim. Eu pude transitar entre vários estilos e gêneros. Têm diversas músicas com estilos diferentes, mas mantendo o tom do filme, como as melodias principais podem ser apresentadas de uma forma mais dramática ou leve.

Usei bastante instrumentos, desde orquestra até ukulele. Eu gostei muito, achei uma experiência muito interessante por conta da variedade de estilos, momentos, enfim. 

Assim como eu fiz a trilha praticamente sozinho, criando, tocando e gravando tudo. Esse filme foi filmado dentro de isolamento social, você quando assiste ele percebe que os personagens quase nunca se encontram, só a Ariana e o Caleb, através de um encontro presencial. Cada um na sua casa, quarto, ambiente falando muito por celular com os colegas.

O filme e a trilha foram feitos assim, então uma adaptação à nova moda de produzir, criar, gerar produtos audiovisuais e contar histórias através de músicas e imagens."

Como foi o processo de produção da trilha do filme?

"Eu fui convidado por um amigo meu, Lucas Lopes. A princípio, ele ia fazer a trilha, mas teve outros envolvimentos com o filme e ficou mais ligado na parte das animações e direção de arte. Aí eu entrei no meio do processo do filme, digo isso porque a gente trabalha da seguinte forma: a partir do primeiro corte do filme, existem alguns estudos de referência musical para encaixar na cena, para ajudar o editor a montar o filme. 

Quando eu cheguei, já tinham as referências. Então o meu trabalho foi assistir, entender o filme e ter umas conversas com o diretor, Maurício Eça e o produtor executivo Marcelo Braga sobre concepção, tom, para onde eles queriam levar a música do filme.

A partir dessa conversa por videoconferência, eu bolei um fluxo de trabalho - e o prazo era super curto, tive três semanas para fazer 55 músicas. Mas por outro lado já tinha o trabalho adiantado com as referências já inseridas nas cenas.

Semanalmente eu apresentava uma leva de trilhas. Na primeira eu apresentei 15 para o Marcelo e Maurício. Foi muito legal, a gente não se conhecia pessoalmente e só teve contato profissional mesmo no dia da apresentação - e tava apreensivo porque só ali era a primeira meia hora do filme. Estava ⅓ do filme musicado e eles podiam não gostar. Mas essa primeira apresentação foi bem-sucedida, pediram pequenas alterações bem leves, todas muito precisas e pontuais.

A partir daí eu fiz esses ajustes e já tava produzindo outras trilhas. Eles gostaram muito do meu trabalho e gostei muito de trabalhar com eles, principalmente a fluência e objetividade deles. Maurício sabia muito o que queria, ele tem muita intimidade com música."

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O que difere a trilha de A Garota Invisível dos seus outros trabalhos? Seja com filmes, discos, etc.

"Em A Garota Invisível, fiz algo que nem sempre tive oportunidade de fazer, mas é como eu considero a forma ideal para produzir música em filmes. Muitos deles são feitos com estilos e climas de músicas encomendados, também tem briefing e referências. Aí eu faço as produções e isso vai para os editores, que colocam as músicas na cena, onde entram e saem.

No filme, como já tinha um corte fechado, consegui fazer cada música sob medida para cada cena. Então quando o personagem respirava ou tinha alguma reação, a trilha acompanhava. A canção entra e sai de acordo com o corte da câmera.

Pude fazer [a trilha] exatamente de uma maneira que gosto muito: cada música acompanha o movimento, texto e diálogo da cena e o que é passado nela, a dramaticidade daquilo. A trilha está pensadinha feita para a cena, não montada, produzida e depois encaixada. Ela foi feita exatamente em cima das cenas."

O que você diria que aprendeu com a criação dessa trilha sonora?

"Eu aprendi que dá para trabalhar muito bem nessa questão de interação com o cliente, no caso o diretor e o produtor (risos), sem se conhecer presencialmente. A gente fez a trilha de um filme inteiro, mas eu nunca vi os caras, nunca paramos para conversar, tomar um café ou cerveja, almoçar junto...

Tudo foi muito dinâmico e isso não prejudicou em nada, porque trabalho é trabalho, ideia é ideia. Enfim, eu gosto de encontrar com pessoas, claro que quando pode, mas acabei achando que ia ser sofrido, mas não teve drama nenhum. Isso foi um aprendizado: entender esse processo que conta com briefing, ciração, produção, entrega e aprovação sem conhecer as pessoas pessoalmente. Acho que esse foi o melhor aprendizado que tive.

Também de fazer trilhas para um filme teen foi algo novo pra mim, isso também abriu bastante meus horizontes."


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