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Em São Paulo, Iggy Pop revela “projeto secreto” e diz querer tocar no Brasil em turnê mundial solo

Ex-vocalista do Stooges veio à SPFW para ação publicitária, na última segunda, 13

Lucas Brêda Publicado em 14/04/2015, às 16h01 - Atualizado em 15/04/2015, às 12h34

Iggy Pop no São Paulo Fashion Week

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De passagem pela São Paulo Fashion Week, na última segunda, 13, o lendário vocalista do Stooges, Iggy Pop, revelou que tem trabalhado em um “projeto secreto” e que quer tocar no Brasil na próxima turnê em carreira solo – cujo início acontece em 19 de junho, em um show de abertura para o Foo Fighters em Wembley, na Inglaterra.

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“Tenho duas coisas diferentes rolando”, conta Iggy Pop, em entrevista concedida nos camarins da Chilli Beans, grife responsável por trazê-lo ao país, com exclusividade ao site da Rolling Stone Brasil. “Tenho um projeto secreto, pelo qual já estou gravando, e tenho uma banda – uma boa banda – para fazer shows.”

Até o começo deste ano, Pop estava sem grupo para acompanhá-lo e o último disco solo dele (composto por regravações que valorizam o lado crooner do cantor), Après, foi lançado em 2012. Agora, ele falou que está ensaiando com alguns “músicos ingleses” e a turnê – com outros três shows marcados na Europa, entre julho e setembro – deve rodar o mundo.

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“Será uma turnê mundial e eu quero muito, muito, tocar aqui no outono [do hemisfério norte, que equivale ao período entre setembro e dezembro deste ano]”, assume, fazendo um pedido em seguida: “Espero que alguém arrume um show para mim. Quero realmente tocar por aqui.”

Sem dar mais detalhes tanto sobre o “projeto secreto” quanto sobre a “banda inglesa” que o acompanha, Iggy Pop admite que não consegue ficar longe da música, apesar de seus últimos trabalhos serem de universos diversos, como a moda. “Se fico sem [contato com a música], me sinto estranho”, diz. “Não me sinto bem.”

Iggy Pop estampou a capa da Rolling Stone Brasil em 2007; leia a matéria na íntegra.

Aproveitando o assunto, e com um sorriso recheado de malandragem no rosto, o ex-vocalista do Stooges ironiza a ação publicitário que protagonizou mais cedo neste dia, quando quebrou um par de óculos escuros gigantes. “Por exemplo, se venho aqui para ‘quebrar os óculos gigantes’, preciso fazer alguma mais ‘difícil’, para equilibrar, você entende?”, questiona para, após a assertiva, replicar com um entusiasmado “yeah!”.

Quebrando os óculos gigantes

A ação ironizada pelo próprio Iggy Pop consistiu em uma apresentação de menos de cinco minutos, em um espaço fixado numa das extremidades das instalações da semana de moda paulistana, que acontece no Parque Cândido Portinari.

Crítica: Iggy Pop - Après (2012).

O local já estava com notável aglomeração de pessoas pelo menos 15 minutos antes de seu início. Com pouco atrasado, o músico entrou em cena, acompanhado por duas mulheres sensuais, pelo menos um palmo mais altas que ele, e arrancou gritos do público impressionantemente grande para o evento.

“Comecei a usá-los porque me deixavam mais bacanas do que meus próprios olhos”, diz Pop sobre o primeiro contato com os óculos escuros, produto que justifica a vinda dele ao Brasil. “Depois foi algo mais relacionado à proteção, por causa das luzes fortes. Em alguma época da minha vida, eu tinha um monte deles.”

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A linha de produtos divulgada pelo ex-Stooges é a Punk/Glam, da Chilli Beans em parceria com a Swarovski. “Ele está em um dos primeiros discos que comprei na minha vida”, diz Caíto Maia, criador e presidente da grife de óculos, que explica a lógica e eficaz escolha de uma figura para alavancar a coleção: “Se você conseguir achar um nome punk mais forte no mundo, você me fala.”

Iggy Pop usou um blazer branco, sem camisa por baixo, com alguns detalhes brilhantes e colocou um dos óculos dos quais faz propaganda no rosto. Com um andar cambaleante e manco – resultado de um antigo problema na coluna –, antagonista aos cabelos loiros escorridos, ele gritou, circulou e, então, quebrou as lentes dos óculos com uma marreta, partindo para uma sessão de selfies com a primeira fila da plateia, em seguida.

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Ainda que o físico defasado chame atenção, o Sr. Pop, conhecido por sei pai – ou melhor, avô, do quase quarentão – punk, prestes a completar 68 anos de idade, não encara as rugas com muita preocupação. “Me dou muito bem com ela [a idade]”, diz. “Mas tem algumas coisas: vou dormir mais cedo agora [risos]. E há mais sabedoria. Não faço muitas das coisas que tomam muito minha energia.”

Por exemplo? “O básico: sexo e drogas”, confessa ele, soltando uma saudosa gargalhada. “Sexo, drogas e violência.”