Em último post, Moraes Moreira revelou compor novas músicas e mostrou letra inédita: 'Eu temo o coronavírus'

Artista morreu nesta segunda, 13, durante a madrugada

Redação Publicado em 13/04/2020, às 15h41

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Moraes Moreira, fundador do grupo Novos Baianos, morreu na manhã desta segunda, 13, aos 72 anos, no Rio de Janeiro. Na última postagem do cantor nas redes sociais, de março, Moreira falou sobre a rotina na quarentena e revelou que trabalhava em novas músicas e poemas.

“Estou aqui na Gávea, entre minha casa e escritório (...). Cumprindo minha quarentena, tocando e escrevendo sem parar”, relatou aos seguidores. O artista publicou um Cordel escrito “na madrugada” do dia 17 de março, sobre a pandemia de coronavírus. No poema, revela o medo do COVID-19, mas confiava nos “recursos modernos” para resolver a situação.

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Marielle Franco, vereadora carioca assassinada em 2018, também foi citada na poesia de Moreira. “Queremos sim ter respostas sobre as nossas Marielles. Em meio a um mundo efêmero, não é só questão de gênero , nem de homens ou mulheres”, escreveu. Leia o texto na íntegra abaixo. 

Quarentena (Moraes Moreira)

Eu temo o coronavirus
E zelo por minha vida
Mas tenho medo de tiros
Também de bala perdida,
A nossa fé é vacina
O professor que me ensina
Será minha própria lida

Assombra-me a pandemia
Que agora domina o mundo
Mas tenho uma garantia
Não sou nenhum vagabundo,
Porque todo cidadão
Merece mas atenção
O sentimento é profundo

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Eu não queria essa praga
Que não é mais do Egito
Não quero que ela traga
O mal que sempre eu evito,
Os males não são eternos
Pois os recursos modernos
Estão aí, acredito

De quem será esse lucro
Ou mesmo a teoria?
Detesto falar de estrupo
Eu gosto é de poesia,
Mas creio na consciência
E digo não a todo dia

Eu tenho medo do excesso
Que seja em qualquer sentido
Mas também do retrocesso
Que por aí escondido,
As vezes é o que notamos
Passar o que já passamos
Jamais será esquecido

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Até aceito a polícia
Mas quando muda de letra
E se transforma em milícia
Odeio essa mutreta,
Pra combater o que alarma
Só tenho mesmo uma arma
Que é a minha caneta

Com tanta coisa inda cismo....
Estão na ordem do dia
Eu digo não ao machismo
Também a misoginia,
Tem outros que eu não aceito
É o tal do preconceito
E as sombras da hipocrisia

As coisas já forem postas
Mas prevalecem os relés
Queremos sim ter respostas
Sobre as nossas Marielles,
Em meio a um mundo efêmero
Não é só questão de gênero
Nem de homens ou mulheres

O que vale é o ser humano
E sua dignidade
Vivemos num mundo insano
Queremos mais liberdade,
Pra que tudo isso mude
Certeza, ninguém se ilude
Não tem tempo,nem.idade


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