Emmy 2013: presidente da Academia de Artes & Ciências Televisivas comenta as mudanças no prêmio e a nova era da televisão

Bruce Rosenblum falou sobre as novidades na premiação e a inclusão de programas de plataformas digitais dentre os concorrentes; a cerimônia de entrega acontece neste domingo, 22, com transmissão exclusiva para o Brasil pela Warner Channel, a partir das 21h

redação Publicado em 21/09/2013, às 14h26 - Atualizado às 14h26

Indicados ao Emmy - Bruce Rosenblum
Divulgação

Quando foram anunciados os indicados ao Emmy 2013, que marca a 65ª edição da premiação mais importante da indústria televisiva, um dos títulos que recebeu mais destaque foi House of Cards, feito com exclusividade para a Netflix e nunca exibido "na televisão". O presidente da Academia de Artes & Ciências Televisivas, Bruce Rosenblum (na foto acima, entre Aaron Paul, de Breaking Bad, e Neil Patrick Harris, de How I Met Your Mother, durante o anuncio dos indicados deste ano), contou em uma conferência com jornalistas da América Latina, da qual a Rolling Stone Brasil participou, que o Emmy mudou suas regras em relação a produtos feitos para plataformas digitais há seis anos. Porém, somente agora os votantes incluíram uma série exibida fora dos meios tradicionais dentre as categorias do Emmy. Aliás, não só incluiu como deu bastante destaque. A atração de temática política concorre em quatro das categorias principais: Melhor Ator de Drama (Kevin Spacey), Melhor Atriz (Robin Wright), Melhor Direção e Melhor Série de Drama. “A premiação agora reflete a forma como consumidores assistem a TV de uma maneira global”, disse.

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Rosenblum comentou esta e outras metamorfoses pelas quais tem passado a premiação, que usa um corpo formado pelos profissionais da própria indústria para eleger os melhores do ano. Ele destacou a qualidade e a quantidade de produções que temos na atualidade, as mudanças nos hábitos de consumo do espectador, pirataria, descartou a possibilidade das plataformas digitais canibalizarem a televisão tradicional (aquela caixa de tela plana para a qual o sofá da casa de todo mundo ainda aponta), comparando essa ideia à mesma que se teve quando surgiu a TV a cabo - sem comerciais e sem limites para o sangue e a nudez - e todos acreditavam que ela acabaria com a TV aberta. Além disso, também teorizou a respeito do que tem sido chamada de uma nova era de ouro da TV norte-americana.

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O Emmy 2013, que tem apresentação de Neil Patrick Harris, será transmitido no Brasil a partir das 21h, neste domingo, 22, com exclusividade pelo Warner Channel.

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TV tradicional X On Demand

“A televisão está envolvendo muito rapidamente, especialmente na forma como as pessoas assistem. É um ambiente muito mais on demand. Os consumidores estão acessando o conteúdo de formas muito mais convenientes. Eu acho que vocês verão na cerimônia deste ano, especialmente com House of Cards tendo sido indicada como série dramática, que nosso processo de votação este ano reconheceu programas de TV que foram produzidos fora das plataformas tradicionais. E isso é muito legal para todos nós, porque a premiação agora reflete a forma como consumidores assistem a TV de uma maneira global.”

“Não acredito que veremos os canais digitais substituindo os formatos tradicionais. Acho que vão acrescentar e incrementar. O que vivemos agora não é tão diferente do que vivemos quando os canais a cabo começaram a surgir. Temos mais gente assistindo mais televisão do que antes, as pessoas passam mais tempo na frente da TV, mas elas estão espalhadas por mais canais.”

“Por outro lado, não podemos perder de vista o fato de que a indústria ainda é movida por ABC, CBS, NCB e Fox, além dos canais do pacote básico de cabo (das empresas Turner e a USA), HBO e Showtime. A maior parte do material de conteúdo produzido e a maior parte dos empregos nos quais nossos membros trabalham vem desses lugares. O que acontece com as novas plataformas é importante, é significativo para a audiência - é uma parte importante, mas pequena do todo.”

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TV aberta X cabo

“Não é tanto que os programas de TV aberta precisam fazer alguma coisa [para correr atrás, já que programas da TV fechada têm tido tanto prestígio nas premiações]. A questão é que há tantos canais a cabo encomendando séries originais que o nível de competição em termos de quantidade aumentou. Mas é um pouco como comparar laranjas e maçãs. No cabo, você faz 10, 12, 15 episódios por ano. Na TV aberta, são cerca de 22. Além disso, as limitações para a TV aberta são mais rígidas. Mas há programação de muita qualidade sendo feita para ambas. Se você for ver, só existem 4 canais abertos nos Estados Unidos [ABC, NBC, CBS e Fox] e cada vez mais canais a cabo. Mas se você pensar que há cada vez mais programas sendo feitos, isso é bom para todo mundo.”

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Uma nova era de ouro na TV

“Se você olha para a qualidade do que tem sido produzido, não só nos estados Unidos e especialmente no drama, a qualidade dos programas é cada vez maior. E estão sendo mais bem-recebidos também. Existem algumas razões. Primeiro, a televisão, enquanto uma forma de arte, tem chamado mais atenção em todas as plataformas, nos Estados Unidos. Então, não tem só gente da TV produzindo coisas para a TV. Talentos do cinema estão migrando para a televisão. Já não se faz mais uma distinção tão grande para atores, produtores e diretores entre TV e filmes. Então, alguém como J.J. Abrams, que faz coisas maravilhosas para o cinema, também um grande produtor de conteúdo para a televisão. O mesmo vale para Jerry Bruckheimer. Antigamente, os talentos da TV iam para o cinema, agora temos o contrário. Segundo, temos os canais a cabo desafiando a comunidade criativa a produzir programas de qualidade, como Game of Thrones, na HBO, Homeland, no Showtime, ou Breaking Bad, na AMC.”

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Como as mudanças afetam o Emmy

“Como temos mais conteúdo sendo produzido, tivemos que aumentar nossas categorias. Temos mais talentos em outros formatos e mais inscritos. Uma coisa que mudou há seis anos, mas veremos este ano pela primeira vez, diz respeito a House of Cards, um produto produzido pela Netflix indicado como Melhor Drama. Acho que a maior mudança é o reconhecimento de que as pessoas estão vendo televisão também no computador ou no tablet.”

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A importância da audiência internacional

“Do ponto de vista da premiação, ter em mente o público internacional que assiste é importante porque programas de televisão nos Estados Unidos precisam de uma performance internacional forte para ser bem-sucedido. Se não funciona de forma global, o programa não é viável, economicamente. Então, os programas que vemos nos EUA que têm muitos anos no ar, por definição, foram bem fora do país. Quando você desenvolve um programa aqui, eles têm um olhar atento ao que deve funcionar globalmente também, porque aí eles têm uma vantagem e uma chance maior de dar certo.”

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Pirataria

“A pirataria é um desafio tanto para o negócio televisivo, quanto para o cinematográfico. A Academia trabalha com os estúdios para fazer o que é certo e o possível para combater [o problema]. O que achamos mais eficiente até agora foi tornar o conteúdo acessível de forma conveniente, on demand, e o mais rápido possível para o consumidor. A maioria dos canais passou a fazer parte de algo que chamamos de TV Everywhere, que é um esforço para permitir que os assinantes acessem o máximo do conteúdo de forma digital on demand. Cada estúdio tem sua própria estratégia. Foi a melhor forma que encontramos para contornar o problema sem ameaçar o formato tradicional, nos Estados Unidos.”

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O Emmy 2013

“Uma diferença é que a categoria de Melhor Coreografia será apresentada na cerimônia principal, e não durante a festa dos Emmy artísticos [todo ano, no domingo anterior ao Emmy, outra cerimônia se encarrega de entregar os prêmios técnicos e artísticos, aqueles que são considerados “menos dotados de glamour”]. O nosso produtor executivo, Ken Ehrlich, e nosso apresentador, Neil Patrick Harris, querem fazer algo especial em relação a isso.”

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