Entrevista – Ícone do rock progressivo, Marillion desembarca com toda sua bagagem musical para turnê no Brasil

Banda se apresenta em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte no fim do mês

Paulo Cavalcanti Publicado em 10/04/2016, às 11h53 - Atualizado às 13h00

Marillion
Reprodução / Facebook oficial

O quinteto britânico de rock progressivo Marillion retornará ao Brasil para três apresentações. Elas acontecerão nos dias 29 de abril (Tom Brasil, São Paulo); 30 de abril (Vivo Rio, Rio de Janeiro) e 1º de maio (Sesc Palladium, Belo Horizonte). Nesta conversa com o baterista Ian Mosley, o músico de 62 anos fala sobre o atual momento da banda e dá detalhes sobre o novo disco, que ainda não tem nome e nem data de lançamento, mas que já pode ser adquirido em pré-venda.

Fale um pouco da sensação em voltar ao país e tocar para os fãs brasileiros.

Nós estamos ansiosos para voltar para América do Sul e ver os velhos rostos conhecidos. Nossos fãs brasileiros, em particular, são sempre apaixonados e nos recebem muito bem.

Sounds That Can't Be Made é o mais recente álbum do Marillion, e ele foi lançado em 2012. Fale um pouco sobre o que aconteceu com a banda neste ínterim.

Nós fizemos duas de nossas [convenções] Marillion Weekends, que acontece duas vezes por ano. Os eventos nos levaram até Holanda, Canadá e por toda a Inglaterra em 2013 e 2015. Também excursionamos por outras partes do mundo. E desde o ano passado estamos em estúdio escrevendo faixas para o novo álbum.

Você poderia adiantar como está o álbum? Tem detalhes sobre a produção, algumas das faixas que serão incluídas?

Até agora, temos cinco faixas finalizadas. Recentemente, estivemos no Real World Studios, que pertence ao Peter Gabriel, para dar uma ajustada nos arranjos. Agora, retornamos ao nosso estúdio e estamos ocupados fazendo os overdub dos vocais, guitarras e teclados. Mike Hunter está produzindo. Embora nós ainda não saibamos quais serão as faixas que estarão no álbum, já estamos contentes com a forma como elas estão soando.

Vocês fizeram um filme muito divertido para promover a pré-venda do novo álbum. Você aparece com uma peruca branca e um nariz engraçado. Como a banda decidiu fazer este filme?

Nos inspiramos no clássico O Jovem Frankenstein (1974), de Mel Brooks. Realmente gostamos de nos vestir com roupas engraçadas. Nós queríamos que este filme para a pré-venda fizesse com que as pessoas se interessassem pelo nosso próximo trabalho. E é legal também poder mostrar que temos senso de humor.

Hoje, o crowdfunding é muito popular em vários segmentos do mundo artístico. Mas vocês foram os primeiros a ter sucesso trabalhando neste formato, começando com Anoraknophobia, em 2001.

Nós realmente sentimos que fomos os pioneiros do crowdfunding. Só que antes tomávamos conta de tudo e agora temos gente que se ocupa do dia a dia do negócio. Mas ainda supervisionamos tudo junto ao pessoal da PledgeMusic [plataforma musical online que conecta artistas e fãs diretamente].

Muita gente fala sobre o retorno do rock progressivo. Como você vê isso? Acha que, na verdade, o estilo nunca foi embora?

Certamente parece que o rock progressivo está voltando e de uma forma significativa. Bandas dos anos 1970 e 1980 parecem estar influenciando toda uma nova geração. Eu acho que tudo isso é muito positivo.

No ano passado, foi lançado o livro Ian Mosley - Marillion’s Heartbeat. Fale um pouco sobre ele.

Esse livro foi elaborado por Mark Pardy, que é um dos principais bateristas de estúdio em Las Vegas. Ele também é um grande fã do Marillion. Fiquei lisonjeado que ele tenha despendido tanto tempo e esforço na criação do trabalho. Ele transcreveu as partes de bateria que eu tenho tocado nos últimos 30 anos e ainda as explicou. Até agora o feedback sobre a obra tem sido extremamente positivo. Fico feliz que as pessoas estejam gostando.

O seu nome aparece na comédia cult britânica Alan Partridge: Alpha Papa (2013), que faz uma piada recorrente usando uma interpretação ficcional da sua pessoa. Como isso aconteceu?

Os produtores do filme me contataram e pediram a permissão. Eu disse “sim” já que sou grande fã de Steve Coogan, que vive Alan Partridge.