Falastrão do rock

Irreverente, Jesse Hughes fala sobre o retorno do Eagles of Death Metal ao Brasil

Por Adriana Douglas Publicado em 29/01/2010, às 19h09

Bigodudo, mulherengo e roqueiro. Jesse Hughes (ou Boots Electric) promete mostrar essas três "facetas" (a farta pelugem você confere na foto ao lado) em show com o Eagles of Death Metal em Brasília, no festival Porão do Rock, neste sábado, 19 (clique aqui) para conferir a programação completa da maratona).

"Em festival, você tem a possibilidade de atingir novos espectadores que não estão ali, necessariamente, pela sua música", reflete o artista. "É incrível estar diante de um grande público, em um palco maior, tocando rock 'n' roll."

A apresentação deve ser a única da banda no país em 2009 (Hughes adiantou que ainda está negocia dois shows extras, sem dar detalhes sobre datas e locais). Como em 2007, em São Paulo, Josh Homme, que ajudou a fundar a banda, não dará as caras por aqui. Hughes esclarece a ausência, citando os compromissos que o colega mantém com o Queens of the Stone Age e o recém-formado Them Crooked Vultures (aliança com Dave Grohl, do Foo Fighters, e John Paul Jones, do Led Zeppelin). "Ele é parte da banda, somos uma família. O Eagles é apenas uma união dentro de um exército. Não há problema em ele não estar conosco."

Mesmo sem o baterista, Hughes e os colegas Dave "Davey Jo" Catching (guitarra) e Brian "B.O.C." O'Connor (baixo) virão com a empolgação de quem está mais preocupado em se divertir. "O Brasil será como férias para nós, porque estamos em turnê há dois anos", conta o frontman. De fato, o país surge como um alívio em meio a diversas datas marcadas pela Europa, permitindo um pequeno respiro no circuito de três meses de shows. Hughes explica: "Vamos ficar uma semana aí e queremos aproveitar ao máximo, curtir, beber."

O grupo californiano contabiliza três álbuns de estúdio em 11 anos de carreira. Heart On (que "soa como os Rolling Stones sendo fodidos pelo Devo"), lançado em 2008, guia a turnê, mas faixas de Peace Love Death Metal (2004) e Death By Sexy (2006) também estarão no repertório do show. Covers? "Quero muito tocar Stones ou Ramones, mas o que você quiser que eu toque, terei o prazer em fazê-lo", joga seu charme falastrão. AC/DC, talvez? "Cara, eles também dariam um cover excelente. Vou tocar alguma coisa deles, então."

Ao vivo, Joey Castillo assume as baquetas do Eagles (posto original de Homme), pelas quais também já passaram Samantha Maloney. A norte-americana, que já fez parte de bandas como Hole e Mötley Crüe, ficou por pouco tempo no posto, se unindo à cantora Peaches e sua banda, a The Herms, em 2006. Para ela, Hughes garante que as portas continuam abertas. "O rock às vezes é um clube de caras, mas precisa de um pouco de toque feminino", comenta sobre a presença das mulheres no gênero. "Quando comecei a ouvir rock, meu primeiro ídolo foi Joan Jett [da banda Runaways]. Ela era o máximo, sempre foi minha heroína no rock. Fizemos uma turnê com ela e fui como seu discípulo."

Irreverente, o músico diz- não dá para saber se a sério ou de brincadeira - que gostaria de fazer duetos com cantoras, e apontou o nome de Mary J. Blige e Beyoncé como suas favoritas. "Imagina um roqueiro sujo e todo tatuado com uma diva do R&B. Seria o máximo, não?". Um plano bastante duvidoso, mas aceitável quando vindo de Hughes, que começou recentemente a trabalhar em seu primeiro álbum solo, no qual cogitou uma parceria com o produtor e rapper Dr. Dre.

O disco, batizado de Boots Electric Fabulous Weapon, deve sair nos próximos seis meses e promete ser "mais pesado" que o Eagles of Death Metal. "Tenho trabalhado há algum tempo nele e terei alguns colaboradores". Antes de divulgar o trabalho, o roqueiro cairá na estrada com o quarteto Arctic Monkeys (o Eagles também já abriu shows dos Strokes). "Eles são muito bons. Eu não abriria para qualquer um. Algumas bandas indies são péssimas, enquanto outras são ótimas. Quero tocar para uma plateia que não sabe quem sou. É bom entrar antes da outra banda, porque assim podemos roubar seus fãs", brinca.

Pouco antes de se despedir, Hughes ainda suspira sobre o "lindo dia, sem nuvens no céu" de Los Angeles, de onde respondia ao telefone. E é esse tempo aberto que o vocalista quer encontrar por aqui.