Entrevista: Luísa Maita lança Fio da Memória em São Paulo

Novo disco explora temática urbana, mas sem perder a introspecção característica da cantora

Gabriel Nunes Publicado em 23/11/2016, às 19h27 - Atualizado em 24/11/2016, às 15h49

A cantora e compositora paulistana Luísa Maita

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Fio da Memória marca a busca da paulistana Luísa Maita por uma nova poética sonora. Sucessor do debute Lero-Lero – lançado há seis anos e que emplacou a faixa-título e a canção "Desencabulada" no filme Boyhood: Da Infância à Juventude – o disco surge mais experimental do que a estreia, evocando nas entrelinhas do canto sussurrado da intérprete imagens oníricas e enigmáticas.

“Meu primeiro álbum traz temas mais relacionados à natureza. Ele tem uma veia que vem mais da escola de samba”, diz Luísa, que sobe ao palco do Centro Cultural São Paulo neste domingo, 27, para executar pela primeira vez a íntegra do álbum. “Já Fio da Memória traz essa coisa mais urbana, seca.”

Ouça abaixo Fio na Memória.

A influência do samba, que permeou quase toda a produção de Lero Lero, retorna latente na percussão cadenciada de “Folia”, penúltima faixa do mais recente álbum da cantora. “Embora reflita muito a urbanidade e seja bastante influenciado pela música eletrônica mundial, ainda assim é um disco que traz no íntimo essa coisa do samba, esse olhar pra dentro.”

Registrado e produzido entre 2013 e 2015, Fio da Memória – que coincidentemente leva o mesmo título de um documentário de Eduardo Coutinho, lançado em 1991 – conta com a participação do produtor Tejo Damasceno, do Instituto.

“O Tejo tinha feito um remix de ‘Alento’, que saiu no meu primeiro LP. Eu estava muito a fim de fazer um lance que fosse pro extremo do eletrônico, então achei que não existia ninguém melhor do que ele”, diz Luísa à Rolling Stone Brasil. “Ele tinha vários beats prontos. Lembro que fiquei louca quando ouvi o de ‘Na Asa’. Peguei a base e pus a letra e a melodia em cima. Trabalhar com ele foi um momento muito foda.”

Elogiada pela crítica internacional – Fio da Memória foi resenhado pela Pitchfork e ganhou a nota 7.7, valor alto para o padrão editorial do site norte-americano – a cantora se apresentou na mais recente edição do festival Austin City Limits, que acontece anualmente na capital texana. “Rolou a maior conexão!”, relembra efusivamente. “Vimos o Kendrick Lamar, foi muito legal! Foi foda demais, uma das melhores turnês que já fiz.”

Para ela, as barreiras linguísticas não foram necessariamente um empecilho durante as apresentações na expedição norte-americana. “Você consegue chegar até as pessoas subjetivamente, pelas melodias e harmonias", afirma. "Afinal, são pessoas! Que passam pelas mesmas coisas que você. Mas eu não sinto que eu tô falando em outra língua e eles não estão entendendo nada do que digo. A música é uma linguagem universal”. No entanto, não esconde a preferência que tem por tocar em território brasileiro: “Se pudesse, faria shows no Brasil todos os dias; é mais direta a conexão que rola.”

Luísa Maita no CCSP

27 de novembro, às 18h

Centro Cultural São Paulo – Rua Vergueiro, 1000 – Vergueiro, São Paulo

Ingressos entre R$ 10 (meia-entrada) e R$ 20 (inteira)