Entrevista: "Malcolm Young é um cara impiedoso, que fez tudo para chegar ao sucesso", diz biógrafo do AC/DC

Livro AC/DC - A Biografia, de Mick Wall, foi lançado recentemente no Brasil

Paulo Cavalcanti Publicado em 14/05/2014, às 12h06 - Atualizado às 12h19

AC/DC
Divulgação

Mick Wall é um dos principais biógrafos de bandas de rock pesado. O livro AC/DC – A Biografia, que acabou de ser lançado no Brasil pela Globo Livros, causou impacto por retratar de forma honesta a dinâmica que motiva a banda. Nesta entrevista, realizada antes da notícia de que Malcolm Young se afastaria do grupo para cuidar da saúde, o jornalista conta um pouco sobre a obra.

Como foi escrever sobre uma banda tão reclusa quanto o AC/DC?

Foi difícil, já que não houve ajuda do irmãos Young. Mas se eles cooperassem, teria que ser algo autorizado, o que eu não gostaria nem um pouco. No final, eu consegui escrever um livro honesto. Falei o que eu achava que deveria ter sido falado, sem me importar com os sentimentos pessoais deles.

Os irmãos George, Malcolm e Angus Young sempre conduziram a banda com mão de ferro. Como você vê isso?

Deu certo até o momento em que ele ficaram tão arrogantes que não conseguiram mais se relacionar com gente como o produtor Mutt Lange, o empresário Peter Mensch, o baterista Phil Rudd e outros que ajudaram a construir a reputação do AC/DC até Back in Black (1980). O resultado quase custou a carreira deles na década de 1980. Então, apareceu outro empresário, Stewart Young, que os ajudou a colocar o pé no chão novamente. O problema é que depois eles o demitiram também.

Você entrevistou os integrantes ao longo dos anos. Qual é a sua opinião pessoal sobre eles?

O AC/DC não é o tipo de banda que você conhece somente os entrevistando. Você só consegue chegar à essência dos integrantes falando com pessoas que trabalharam com eles, como ex-empresários, gente de gravadora, ex-integrantes, etc. Minha opinião é que Malcolm Young é um cara impiedoso, muitas vezes arrogante, que fez tudo para chegar ao sucesso. Angus é assim também, só que menos agressivo. Mas ele, como caçula da família, sempre teve o Malcolm para fazer o trabalho sujo.

Qual foi a importância das mudanças na formação da banda?

Elas sempre aconteceram por questões pragmáticas. Cada mudança não foi necessariamente para melhor, mas sim para acomodar pessoas que Malcolm poderia tolerar.

A morte de Bon Scott foi um acontecimento dramático e você narra tudo o que aconteceu de uma forma bastante sóbria...

Escrever sobre a morte dele foi um alívio. Tanta besteira foi falada sobre isso que me deixa até doente. Agora, a verdade foi revelada – ele morreu de uma combinação letal de heroína e álcool, a mesma coisa que aconteceu com Jim Morrison e outros.

Scott era um cantor incomparável. Como foi para Brian Johnson substituí-lo?

Ninguém no mundo poderia substituir o Bon…

Para você, qual é o legado do AC/DC?

Os álbuns Highway To Hell (1979) e Back In Black. São dois discos clássicos e geniais. É mais do que muitas bandas conseguiram. Uma pena é que o AC/DC poderia ter tido muito mais discos tão bons quanto estes.