“Estar longe de todo aquele gigantismo insano do Bon Jovi é como estar em férias permanentes”, diz Richie Sambora

Ex-integrante do Bon Jovi toca com a nova parceira, a guitarrista Orianthi

Paulo Cavalcanti Publicado em 08/07/2016, às 12h59 - Atualizado às 15h33

Richie Sambora
Divulgação

Aos 56 anos, Richie Sambora, ex-guitarrista do Bon Jovi, se apresenta nesta sexta, 8, ao lado da cantora e multi-instrumentista australiana Orianthi Panagaris, de 31 anos. A performance faz parte da programação da nova edição do Samsung Best of Blues Festival – no domingo, 10, eles tocarão de graça, no Parque do Ibirapuera, também em São Paulo. No repertório da dupla, os clássicos do Bon Jovi aparecerão com uma nova cara. Eles também tocarão covers e possivelmente irão antecipar canções do álbum que acabaram de gravar juntos e que deverá ser lançado até o final deste ano. O interessante é que Sambora e Orianthi começaram a namorar há um certo tempo, mas uma carreira musical em conjunto a princípio não estava nos planos. A junção de um dos fundadores de uma das bandas mais populares de todos os tempos com uma instrumentista com fama cult poderia parecer algo improvável, mas ele garantem que este era o destino deles.

“Nosso primeiro encontro foi mágico”, diz o músico. “Depois do inicio do romance, começamos a tocar juntos. Primeiro, nos apresentamos para o público na Austrália e Japão. Depois, fizemos algo menor nos Estados Unidos. Mas tudo foi crescendo”. Em 2013, os fãs ficaram surpresos quando descobriram que Sambora ficaria fora da banda “por um tempo indeterminado”. No ano seguinte, Jon Bon Jovi falou que a decisão do guitarrista havia sido permanente. Sambora parece estar feliz longe dessa vida de ser um mega astro. “Estar longe de todo aquele gigantismo insano do Bon Jovi é como estar em férias permanentes. Mas agora, com a Orianthi ao meu lado, eu ainda tenho alguém mais atraente do que eu na banda”, ele gargalha.

Nos shows do Brasil, o repertório contará com vários hits do Bon Jovi – “Wanted or Dead or Alive”, “Lay Your Hands on Me” e “Livin’ on a Prayer”. Para Sambora, não houve muito problema em adaptar as velhas canções a um novo formato. “Essas músicas são basicamente minhas”, ele fala. “Agora, elas tem um toque mais cru, mais de R&B e folk, como eu sempre quis. Nossas personalidades e experiências estão inseridas nas canções. Por isto, para mim, é como se eu as estivesse tocando pela primeira vez”.

A grande novidade de Sambora e Orianthi é que eles acabaram de gravar um disco voltado para a country music e folk. “Geralmente, as pessoas gravam um disco e depois saem para apresentá-lo na estrada. Nós fizemos o processo inverso”, diz Sambora, que sempre confessou ser admirador do estilo. Segundo o músico, o trabalho ainda não tem título e deverá ter várias canções autorais dele e alguns covers. “Seremos uma espécie de Sonny & Cher para estes novos tempos, só que mais barulhentos”, ela afirma, enquanto louva o trabalho do produtor Bob Rock, que ficou conhecido ao trabalhar com Metallica. “Por causa do Bob, o som deste disco vai ser simplesmente enorme”, ele fala.

Já Orianthi reforça que a diversidade estilística sempre pautou o jeito dela tocar. “O meu pai me apresentou ao blues e ao trabalho de Eric Clapton, Jimi Hendrix e Robert Johnson. Depois, eu fui ouvir Madonna.” A artista conta que fica contente que um número cada vez maior de mulheres adentre pelo universo do virtuosismo musical. Agora, ela atua com Sambora, mas sabe que muita gente ainda liga a figura dela à de Michael Jackson. Ela deveria ter sido a guitarrista solo da turnê This Is It, que teria acontecido em 2009, se Jackson não tivesse morrido. Quando o filme homônimo mostrando os ensaios foi exibido no mundo todo, a figura de Orianthi se tornou bastante conhecida. A australiana, que foi escolhida depois que Jackson viu os vídeos dela no YouTube, não esconde que a breve associação com o Rei do Pop foi decisiva. “Ele me chamou para dividir um trabalho, mas na verdade eu tinha muito a aprender com ele”, diz. “Eu só ficava de boca aberta, vendo-o dançar”, recorda.

Sambora encerra a conversa dizendo que a atual parceria está dando certo por causa da música, que o som fala mais alto para ambos: “Nós, em momento algum, nos desligamos da guitarra. Em todos os momentos estamos criando e evoluindo. Achamos uma química forte e assim nos completamos”.