"Estes foram os últimos shows por um tempo", diz Lee Ranaldo sobre o futuro do Sonic Youth

Guitarrista falou à Rolling Stone EUA sobre o divórcio de Thurston Moore e Kim Gordon e seu primeiro disco solo, Between the Times and the Tides, previsto para 20 de março

Matthew Perpetua Publicado em 29/11/2011, às 13h50 - Atualizado às 13h54

Lee Ranaldo - Sonic Youth
AP

O guitarrista do Sonic Youth, Lee Ranaldo, é a resposta de longo prazo do grupo de art-rock de Nova York para George Harrison: Ele não é tão prolífico como compositor quanto os líderes da banda, Thurston Moore e Kim Gordon, mas é responsável por algumas das canções mais amadas do grupo, incluindo “Eric’s Trip”, “Mote” e “Skip Tracer”. Apesar de ter feito um número de gravações experimentais ao longo dos anos, ele irá lançar sua estreia apropriada como artista solo, Between the Times and the Tides, pela Matador Records no dia 20 de março. Nesta conversa com Ranaldo, o guitarrista fala à Rolling Stone EUA a respeito da criação do novo álbum e as especulações sobre o futuro do Sonic Youth, que está em questão desde que Moore e Gordon anunciaram o fim de seu casamento, em outubro.

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Há quanto tempo você tem trabalhado em seu disco solo?

Acho que, basicamente, desde o verão passado. Em maio do ano passado, fui convidado para fazer um show solo acústico, que é algo que quase nunca faço, para este festival chamado Midi Festival, no sul da França. Não era nada que eu não tivesse feito em 20 anos ou coisa do tipo – eu percebi que ia tocar versões acústicas de algumas músicas do Sonic Youth que eu canto, então coloquei “Hey Joni”, “Eric’s Trip”, “Mote”, algumas outras coisas e, durante o processo, algumas músicas novas começaram a desabrochar. Foi meio que ocorrendo tão naturalmente que eu fiz a apresentação com uma das canções novas, que estará no álbum.

Ao longo do verão, eu peguei alguns dos meus violões, fiquei de bobeira e uma porção de músicas novas começaram a aparecer, de repente. Em alguma parte do inverno, comecei a fazer demos acústicas no estúdio do Sonic Youth e, talvez em janeiro, Steve Shelley e o baixista, Irwin Menkin, vieram e tocaram comigo em algumas demos com uma seção rítmica, e foi construído a partir dali, realmente. Nós três fizemos a maior parte do básico para a gravação e então vieram todos os instrumentistas diferentes que estão ali e mixamos tudo em julho. São oito músicas com uma banda completa e duas com apenas violão, praticamente. Sempre fui um violonista e continuei a tocar violão através de todas as épocas do Sonic Youth, meu material geralmente começou ali.

Por que você sempre foi o que menos cantava, dos três vocalistas do Sonic Youth?

Eu não sei, isso meio que sempre foi o caso. Acho que no começo, Thurston e Kim eram os vocalistas dominantes na banda e, apesar de eu ter cantado em outros grupos anteriormente, eu sempre diferi deles em muitos termos em relação a quem estava cantando a maioria das músicas. Em algum momento, o conceito inicial da banda foi de Thurston e eu, realmente, apenas me distanciei dos dois como cantores mais potentes de alguma forma, ou apenas mais dominantes.

Você acabou de voltar de uma turnê na América do Sul com o Sonic Youth e Kim e Thurston se separaram recentemente. Como isso afetou a turnê? Era algo que já ocorria há tempos, ou foi uma surpresa pra você?

Bem, não foi tão repentina pra mim como foi em termos de imprensa. Na verdade, a turnê foi muito boa. Realmente não afetou tanto. Foi uma turnê ótima, no geral. Quer dizer, teve um pouco de cuidado e algumas situações diferentes com viagens – você sabe, eles não dividem um quarto mais e qualquer coisa do tipo. Eu diria que, no geral, os shows foram muito bons. Isso meio que transparece o que acontecerá no futuro, a partir daqui. Eu acho que estes foram, certamente, os últimos shows por um tempo e vou deixar desse jeito.

Você está otimista a respeito do futuro da banda?

Eu estou otimista a respeito do futuro, não importa o que aconteça. Quer dizer, toda banda traça seu rumo. Estivemos juntos por muito mais tempo do que qualquer um de nós jamais esperaria e a maior parte foi um passeio incrivelmente prazeroso. Ainda há muita coisa que continuaremos a fazer. Há toneladas e toneladas de projetos arquivados e coisas que ainda estão rolando, então há tantas formas em que estamos presos uns aos outros para o futuro, seja musicalmente ou em outras maneiras. Eu apenas estou feliz agora de deixar o futuro tomar o seu rumo e acho que estou agradecido de ter esse outro projeto que veio por conta própria. Não foi como se eu pensasse: “Bem, a banda vai acabar por um tempo e tenho de descobrir o que fazer”. Foi algo que aconteceu naturalmente no curso das coisas, então foi uma maneira boa de isso vir à tona. Fiz meu primeiro show no dia seguinte em que Kim e Thurston anunciaram [o divórcio]. Aquilo foi completamente estranho.