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Estúdio queria Julia Roberts para viver Harriet, guerreira abolicionista dos EUA, em filme sobre escravidão

A autobiografia de Harriet Tubman demorou mais de 24 anos para ser idealizada. Chegará aos cinemas em 2019 - com Cynthia Erivo, atriz negra, no papel da guerreira

Redação Publicado em 20/11/2019, às 20h13

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Julia Roberts e Harriet Tubman (vida real) (Foto 1: AP e Foto 2: Wikicommons)

Gregory Allen Howard, cineasta, revelou nesta quarta, 20, que Julia Roberts, de Uma Linda Mulher, foi considerada para interpretar Harriet Tubman em Harriet, nova cinebiografia da ativista abolicionista (via CNN). 

Mas tem algo muito estranho nisso tudo, pois Roberts é uma mulher branca, e Harriet Tubman era, além de negra, uma ex-escrava e grande ativista dos direitos abolicionistas dos escravos do sul dos Estados Unidos. Ela é um dos maiores nomes da luta no país até hoje.

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Howard declarou que quando o filme foi planejado em 1994 “o clima em Hollywood era muito diferente.” Os chefões de estúdio queriam fama, nada além. “Me falaram que um dono de estúdio disse em uma reunião: ‘o roteiro é fantástico. Vamos chamar Julia Roberts’ e quando alguém falou que ela não poderia ser Harriet, ele respondeu: ‘foi há tanto tempo que ninguém vai saber a diferença.”

O cineasta tentou mudar o papel para não ficar uma “aula de história,” pois nos anos 1990, era “isso o que faziam com histórias sobre pessoas negras.” Mas odiava a ideia: “eu a via como algo essencial para um gênero. Lembro de me perguntarem: ‘é para Harriet Tubman parecer uma super-heroína?’ e era exatamente o que eu queria - uma história acessível.”

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Harriet Tubman, uma das maiores mulheres dos EUA

Harriet Tubman nasceu nos EUA como escrava - o ano não é certo, mas estima-se que foi em 1822. Ela fugiu da fazenda em que trabalhava aos 27 anos, pouco depois de se casar. O marino, um homem livre, não foi com ela - e ela o abandonou para buscar a liberdade.

Harriet começou a ajudar outras pessoas escravizadas a fazerem o mesmo - ajudava-os a sair das fazendas e encontrava lares em estados onde a escravidão era proibida. Para isso, esquematizada, junto de um grupo de pessoas, rotas de fugas em trens - nas quais ninguém sabia o caminho completo, por segurança. Estima-se que ela ajudou de 50 a 100 mil pessoas a escapar da escravidão. 

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Oito anos depois de fugir, em 1951, ela voltou para buscar o marido, mas ele estava com outra mulher. Ela não se casou mais durante os 18 anos seguintes, entre os quais continuou as missões de resgate.

Depois, Harriet agiu como enfermeira e espiã durante a Guerra Civil dos EUA (entre os estados do norte do país, abolicionistas, e os do sul, escravagistas).  E mesmo em meio a isso tudo, a mulher também encontrou espaço para encabeçar a luta das sufragistas nos EUA, e exigia o voto tanto para mulheres negras quanto para mulheres brancas. 

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Harriet morreu em 1918, quase 100 anos depois de seu nascimento - e quase 100 anos de uma vida dedicada à luta. No filme a ser lançado este ano, não foi interpretada por Julia Roberts - e sim por Cynthia Erivo, uma atriz negra.