“Eu e a música popular vamos andar juntos”, diz Otto

Músico lança o disco The Moon 1111 e reflete sobre os momentos instáveis pelos quais passou

Pedro Antunes Publicado em 09/11/2012, às 12h33 - Atualizado às 12h34

Otto
Caroline Bittencourt / Divulgação

Há poucos dias do lançamento do álbum The Moon 1111 (Deck), o quinto da discografia de estúdio, marcado para 11 de novembro, o pernambucano Otto acredita que ele e a música popular brasileira finalmente se entenderam.

Em novo álbum, Otto busca no passado a resposta para a contemporaneidade.

O músico de 44 anos, que experimentou a carreira solo em 1998, com o disco Samba Pra Burro, afirma que seus trabalhos não eram muito bem compreendidos e que ele precisou ser paciente, aceitando o conselho do amigo e músico Apollo Nove. “Ele me disse: ‘Você tem que sentar e esperar’”, lembra Otto durante um bate-papo realizado no Jardim Paulista, em São Paulo, mas frisando que não quer soar presunçoso. “Foi um disco que as crianças gostavam muito. Infelizmente, não foi muito tocado.” Otto também sabe que o álbum, naquela ocasião, também vinha com certa crueza.“Eu nunca tinha tocado. Aquelas músicas não tinham sido tocadas até a gravação do disco”, relembra.

Otto sentou e esperou. Pôs outros três discos nas prateleiras até The Moon 1111, álbum que vem com a parceria do edital Natura Musical. “Eu e a música popular vamos caminhar juntos”, promete o músico. Trata-se de um álbum imensamente mais solar do que Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos, lançado em 2009 e abraçado por crítica e público. Foi um disco redentor, para o artista que estava jogado contra as cordas na luta contra a indústria fonográfica. “Brincam comigo que sou como um boxeador, que apanha, apanha, apanha... De repente, volta e bate, bate, bate”, diz ele, como uma espécie de Muhammad Ali da MPB.

O músico se refere ao período pré-Certa Manhã..., com o disco Sem Gravidade (2003), que foi boicotado pela gravadora após a insistência de Otto tocar “Dias de Janeiro”, música do trabalho anterior, Condom Black (2001), na gravação do programa de entrevistas do apresentador Jô Soares. “Falaram para mim: ‘Não vou mais trabalhar o seu disco’. E pronto”, diz. “Fui perdendo tudo. Só fiquei com a minha filha. Mas o resto todo se foi. Fiquei anos sem trabalhar. Tudo por causa daquilo”, justifica.

Foi em Certa Manhã... que ele interrompeu o período de inatividade. “Um disco justifica uma dor. Era um horror, você sai, vai e respira”, explica ele, sobre os momentos difíceis que o levaram a lançar o penúltimo álbum e as mudanças perceptíveis no novo trabalho. “É um ciclo, bicho. O mundo é assim: dias e noites. Depois, não tenho mais nada.”

O quinto disco foi lançado oficialmente com um show na Praça Victor Civita, em São Paulo, no dia 12 de outubro, antes mesmo de chegar às lojas. As músicas novas, diz Otto, funcionaram bem ao vivo. “É um pouco desconfortável, mas é gostoso. Depois, fica um pouco mecânico”, explica.

Como artista independente, Otto também busca inspiração no pintor holandês Vincent van Gogh, que não conheceu a fama enquanto estava vivo, ainda que tenha vivido sua arte intensamente. “Eu sou um caos”, diz o músico, que lia uma biografia do pintor enquanto produzia seu novo álbum. “Eu quero é fazer música boa. Não faço por grana. Estou quase sempre duro”, brinca ele. “Já sinto um vitorioso.”