Ex-primeira-dama Marisa Letícia sofre morte cerebral e família autoriza doação de órgãos

A esposa do ex-presidente Lula estava internada desde o dia 24 de janeiro, quando sofreu um acidente vascular cerebral hemorrágico provocado pelo rompimento de um aneurisma

Redação Publicado em 02/02/2017, às 11h30 - Atualizado às 19h19

A ex-primeira-dama Marisa Letícia
Leonardo Soares/Xinhua/Agência Estado

Marisa Letícia, esposa do ex-presidente Lula e ex-primeira-dama, sofreu morte cerebral na última quarta, 1º. Ela estava internada no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, desde o dia 24 de janeiro, quando sofreu um acidente vascular cerebral hemorrágico provocado pelo rompimento de um aneurisma.

A família já autorizou a doação de órgãos, conforme anunciado em um post na página do Facebook do ex-presidente Lula. "A família Lula da Silva agradece todas as manifestações de carinho e solidariedade recebidas nesses últimos 10 dias pela recuperação da ex-primeira-dama Dona Marisa Letícia Lula da Silva. A família autorizou os procedimentos preparativos para a doação dos órgãos", diz o texto.

Segundo o boletim médico do hospital, o doppler transcraniano realizado na manhã desta quinta, 2, identificou a ausência de fluxo sanguíneo cerebral.

Na internação, Marisa passou por um procedimento de emergência para conter a hemorragia no cérebro, que teria durado cerca de duas horas. Os médicos fizeram uma arteriografia cerebral para localizar a lesão e depois introduziram um cateter até a região afetada para estancar o sangramento.

Na última quarta, 25, Marisa Letícia passou por outro procedimento cirúrgico, para a "passagem de um cateter ventricular para monitoração da pressão intracraniana", segundo o hospital. A “avaliação tomográfica de crânio para controle de sangramento cerebral” levou os médicos a tomar essa decisão.

Na última sexta, 27, Marisa realizou uma tomografia para checar que havia tido melhora na infecção em seu cérebro. Com o auxílio de uma cama térmica, os médicos baixaram a temperatura do corpo dela para 25ºC, dez graus abaixo do normal. A ideia era desacelerar o metabolismo e, consequentemente, a atividade cerebral, para que o cérebro conseguisse absorver mais rapidamente o excesso de sangue acumulado na caixa craniana.

Um exame feito na última segunda, 30, identificou a presença de trombose venosa profunda nas veias das pernas da ex-primeira-dama. Os médicos realizaram a passagem de um filtro de veia cava inferior para prevenir a ocorrência de embolia pulmonar.

Na última terça, 31, os médicos tiraram a sedação. Na última quarta, 1, Marisa teve uma piora no quadro clínico e voltou a ser sedada. Havia tido aumento na pressão intracraniana e na inflamação no cérebro. O médico Roberto Kalil Filho, chefe da equipe do Hospital Sírio-Libanês, informou ao jornal O Globo que o quadro de Marisa Letícia é irreversível.

Marisa Letícia Lula da Silva, nascida Marisa Letícia Rocco Casa, nasceu no dia 7 de abril de 1950 em São Bernardo do Campo (SP). A família era de imigrantes italianos de origem agrícola.

Aos 13 anos de idade, Marisa começou a trabalhar em uma fábrica de chocolates como embaladora de bombons. Manteve-se no emprego até os 19 anos, quando se casou com o motorista Marcos Cláudio e teve o primeiro filho, Marcos. Quando estava grávida de seis meses, o marido foi assassinado a tiros.

Em 1973, trabalhou como inspetora de alunos em um colégio estadual. Neste mesmo ano, conheceu Lula no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. Sete meses depois, os dois estavam casados. A relação gerou três filhos: Fábio, Sandro e Luís Cláudio.

Marisa começou a vida política em 1975, quando o marido foi eleito presidente do Sindicato, incentivando outras mulheres na região a se juntar ao movimento. Em 1978, tiveram início as greves no ABC paulista. Em 1980, Marisa liderou a Passeata das Mulheres em protesto pela liberdade dos sindicalistas, incluindo o marido Lula, que estavam presos devido às greves.

Marisa começou a vida política em 1975, quando o marido foi eleito presidente do Sindicato, incentivando outras mulheres na região a se juntar ao movimento. Em 1978, tiveram início as greves no ABC paulista. Com a fundação do PT em 1980, Marisa participou ativamente no início das atividades do partido.

No dia 1º de janeiro de 2003, Marisa Letícia se tornou a primeira-dama do Brasil e assim permaneceu até o fim do segundo mandato do ex-presidente Lula, em 1º de janeiro de 2011.