Extraterrestres chegando ao Brasil

Mark Verheiden, coprodutor executivo de Falling Skies, que estreia no Brasil nesta semana, fala à Rolling Stone Brasil sobre os mistérios da série

Por Stella Rodrigues Publicado em 23/06/2011, às 13h41

A médica Anne Glass (Moon Bloodgood)

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Alienígenas invadindo a Terra. Descrevendo uma trama assim, não dá para saber de qual história estamos falando, afinal, há anos a mente humana fantasia sobre como seria se o planeta estivesse sob ataque de seres extraterrestres. Mas Falling Skies, série da TNT sobre seres não-humanos, promete se distinguir exatamente porque é uma série... humana. Falando ao site da Rolling Stone Brasil, um dos coprodutores executivos, Mark Verheiden - o outro é ninguém menos do que Steven Spielberg -, explica esse aparente paradoxo, destacando que a palavra chave da trama é esperança. "A série é sobre a Terra sendo invadida por alienígenas. Eles vieram, acabaram com 80% da humanidade, eliminaram toda a nossa capacidade de comunicação, quase toda a força militar e equipamentos eletrônicos. A história começa seis meses depois disso tudo. Os sobreviventes estão começando a formar uma resistência. Depois que passa o choque, a gente vê como os humanos fazem para encontrar esperança em uma situação como essa. Como proteger os sobreviventes, cuidar das nossas crianças. Então, é sobre encontrar alguma esperança naquela comunidade que se cria, no fim das contas."

Comunidades que se encontram e tentam sobreviver em uma situação adversa - mais do que isso, de completo caos social - também não são exatamente uma novidade. The Walking Dead, uma das séries mais comentadas da temporada passada, trazia diversas semelhanças. Com a diferença de que os inimigos eram zumbis e, diferentemente dos alienígenas, eles deixavam bem claro o que queriam: comer carne humana. Essa diferença, argumenta Verheiden, é essencial. Ele, um veterano da televisão, com um currículo muito bem recheado de sucessos como Smallville, Heroes e Battlestar Galactica, aposta no mistério sobre as intenções dos seres de outro planeta como um dos grandes atrativos de Falling Skies. "Ser comparado a The Walking Dead é ótimo. Mas são coisas distintas. Primeiro, porque as ameaças são diferentes. No nosso caso, a exploração das razões, procurar saber o que eles querem, quais as intenções dos alienígenas, é uma parte importante da série. Se as pessoas mergulharem fundo, vão ver que existem facetas e camadas que estamos apenas começando a alcançar", ele explica. "Além disso, Falling Skies é, acima de tudo, a história de uma família, de um cara tentando proteger seus três filhos. O drama familiar é muito envolvente e o mistério é toda uma outra faceta com a qual se entreter."

Outro fator diferencial, que dá destaque a qualquer produção, é a assinatura de Steven Spielberg nos créditos. "Ter alguém com a experiência dele em ficção científica é magnífico. Ele fica supervisionando tudo." A primeira grande sacada de Spielberg foi trazer de volta para a televisão um dos atores mais queridos do público, por muitos anos, no horário nobre norte-americano, Noah Wyle, o Dr. John Carter de ER. O ator vive um dos líderes do grupo de resistência, o "cara família" Tom Mason. "Até eu estou contente de ver Noah retornar à telinha", brinca o coprodutor executivo. "Noah já tinha dito que queria voltar a fazer televisão e recebeu várias propostas da TNT. Ele me disse que uma das razões de ter escolhido Falling Skies foi porque tem dois filhos pequenos e, quando perguntou 'vocês querem que o papai seja um médico, advogado, ou lute contra alienígenas?', eles se empolgaram com os alienígenas."

Mas afinal, o que será que os alienígenas estão tentando fazer na Terra, qual rumo tomará esse mistério, que Verheiden tanto cita, ao longo da primeira temporada? "Os alienígenas estão levando muitos adolescentes e parece que estão usando esses jovens como mão de obra escrava. A questão é: para o que estão escolhendo e usando esses garotos? O que é interessante sobre a série - mas vou falar com cuidado para não dar muitas dicas - é que, por eles não terem como se comunicar com outros eventuais movimentos de resistência, sabem tanto quanto o público, vão descobrindo as coisas junto com ele. O processo de investigar o que os alienígenas querem faz parte da diversão", afirma Mark Verheiden. " Só vou dizer uma única coisa: para ficar de olhos nas criaturas que chamamos de 'skidders'. Eu acho que há mais coisas a respeito delas do que dá para saber de cara."

Falling Skies ainda conta com Moon Bloodgood (O Exterminador do Futuro - A Salvação), que vive a pediatra Anne, Colin Cunningham (Stargate SG-1) e Will Patton (24 Horas) no elenco e estreia, no Brasil, na TNT, nesta sexta, 24, às 22h, com reprises no Space, todas as sextas seguintes, às 21h.

ETs nos quadrinhos

Seguindo os preceitos de produção atuais, em que atingir o público por meio de um único veículo nunca é suficiente, os responsáveis por Falling Skies resolveram investir no quadrinho. Mark Verheiden à casa torna, usando a editora Dark Horse Comics, na qual trabalhou como roteirista, para publicar parte da história pregressa dos personagens. "Já que a série começa seis meses após a invasão, parecia natural contar o resto da história de alguma forma. Na HQ, investigamos como estavam as coisas um mês após a invasão, como eles se reuniram para formar a resistência que já existe no começo do programa de TV. Em julho, o prólogo sai fisicamente, mas já dá para ler no site da TNT. Você não precisa ler para entender a série, mas complementa, é uma ótima leitura, divertida. É uma forma de contar outra porção da história."