Fall Out Boy faz cover de Sepultura durante show em São Paulo

Repertório da apresentação desta quarta, 21, equilibrou músicas da nova fase e hits

Luísa Jubilut Publicado em 22/05/2014, às 00h29 - Atualizado às 17h01

Fall Out Boy canta hits das "antigas", músicas novas e faz cover de Sepultura em São Paulo

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O relógio mal marcou 21h30 e logo os fãs começaram a bater palmas e a gritar “Fall Out Boy!” de maneira impaciente. Qualquer movimentação próxima à cortina de veludo azul do Citibank Hall, em São Paulo, na noite desta quarta, 21, era pretexto para gritaria. A ansiedade exacerbada, contudo, era compreensível: o público brasileiro não recebia a banda há oito anos. O clima de 2006, por sua vez, era outro. O Fall Out Boy vivenciava o auge do fervor emo e o grande sucesso de From Under the Cork Tree. Passado os anos, a banda deixou os cabelos lambidos para trás - assim como os icônicos tênis slip-on e as calças justas –, passou por um período turbulento que resultou em um hiato de quase três anos, e incorporou um som mais pop e “adulto”.

Perfil: o Fall Out Boy cria tragédias punk-adolescentes para apaixonados da geração SMS - e o baixista Pete Wentz vive realmente esse roteiro.

A surpresa foi grande quando Patrick Stump, Pete Wentz e Andy Hurley subiram ao palco com os rostos cobertos por gorros pretos que só davam espaço para os olhos e a boca – sim, à la Black Block – e deram início ao show de uma hora e meia com a poderosa “The Phoenix”, lançada no ano passado. Wentz, que reforçaria ao longo da apresentação a imagem de frontman da banda, revelou uma enorme bandeira com o logo do grupo, desenho reproduzido no moletom do baixista e em inúmeras camisetas na plateia. As máscaras foram retiradas para "I Slept with Someone in Fall Out Boy and All I Got Was This Stupid Song Written About Me" ["Eu dormi com alguém do Fall Out Boy e tudo que ganhei foi esta música idiota escrita sobre mim", uma referência esperta àquelas camisetas turísticas do tipo “Meu amigo foi para Nova York e tudo que ganhei foi essa camiseta idiota”], retomando com tudo o clima de deboche da banda em 2005.

Um breve, inaudível e decepcionante cumprimento de Wentz foi compensado pela dançante “This Ain't a Scene, It's an Arms Race”, uma das mais aguardadas da noite. “Alone Together” trouxe ao público o sentimento de nostalgia e angústia adolescente. “Vocês devem ter reparado que Joe [Trohman] não está aqui”, disse Wentz, até então, o único Fall Out Boy a se dirigir à plateia. “Nós o deixamos nos Estados Unidos, porque ele acabou de ter um bebê." No lugar do guitarrista, Ryland Blackinton, líder da banda pop Cobra Starship, se apresentou aos presentes de maneira inesperada: “Você, você, você, você”, cantou ele, familiarizado com funk da Mulher Melão.

“Estamos muito felizes de estar aqui”, emendou o baixista após a queridinha “Sugar, We’re Goin’ Down” e a cover eletrizante – porém, sem o solo de guitarra – de “Beat It”, de Michael Jackson. “Depois de oito anos!”, completou, antes de sugerir que os fãs revezassem o vocal de “Chicago Is So Two Years Ago” com Stump. Em seguida, as luzes se apagaram e o silêncio momentâneo foi preenchido com a sinistra voz de Iggy Pop. “Punk rock é um termo usado por leigos e manipuladores sem coração sobre música que toma a energia e os corpos e os corações e o tempo e as mentes de jovens que dão o que eles tem a oferecer”, disse o vocalista do Stooges com olhos pintados de preto. A gravação foi retirada de uma entrevista cedida em 1977 a Peter Gzowski, da CBC. “É um termo baseado em desprezo. É um termo baseado em moda, estilo, elitismo, satanismo e tudo que há de pobre no rock and roll.” Um longo solo de bateria do sisudo Hurley resultou em “Dance, Dance”, outro hit incontestável das “antigas”.

O brilho dos celulares substituíram a iluminação vermelha do Citibank Hall, em outra interação proposta por Wentz. O clima gentil de “Just One Yesterday” foi reforçado pelo balanço sincronizado das luzes artificiais. “Vários rostos conhecidos hoje”, notou o baixista-frontman. “É muito bom viajar para lugares distantes e perceber que os fãs são tão estranhos quanto a gente”, riu, explicando que o comentário se tratava de um elogio. “Essa vai para os [fãs] maníacos!”, disse ao apresentar “My Songs Know What You Did In The Dark”. Depois de cinco minutos no escuro – necessários para a montagem do teclado na parte superior do palco -, o grupo retornou para o bis. Stump assumiu o piano e emulou Elton John durante “Save Rock and Roll”, cuja gravação conta com a participação do músico britânico.

“Quando eu era pequeno, sonhava em morar no Brasil”, anunciou Wentz, antes de uma pequena surpresa. “Nós somos fãs de uma banda brasileira chamada Sepultura, e isto é algo que ensaiamos no hotel ontem… Não sabemos o que estamos fazendo.” O baixista tomou o microfone para si e entoou “Roots Bloody Roots”, de 1996, em um vocal feroz. Mais tarde, o baixista reforçou a homenagem com uma postagem no Twitter: “Acabei de fazer uma cover de Sepultura em São Paulo – sonho de adolescência realizado.” Após "Thnks fr th Mmrs", outro ponto alto para os fãs, o quarteto registrou a reunião com o público brasileiro em uma foto. Ao final de “Saturday”, lançada há 11 anos, Wentz foi à beira do palco para se despedir. “Desta vez, vamos voltar bem mais rápido”, prometeu, pouco antes de ter sua regata destruída pelos fãs da grade. “Nos vemos na próxima!”