Como O Senhor dos Anéis fez os Hobbits parecerem tão pequenos (quase sem CGI)?

Os seres criados por J.R.R. Tolkien são conhecidos pela baixa estatura e foram reproduzidos de maneira dinâmica e realista pelos filmes

Vinicius Santos Publicado em 21/03/2020, às 14h00

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Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel (foto: reprodução Warner)

Um dos maiores desafios do cineasta Peter Jackson em O Senhor dos Anéis  foi dar vida aos Hobbits. Esses seres criados por J.R.R. Tolkien não são crianças, mas tem uma fração do tamanho de um ser humano adulto.

Como a altura dos Hobbits é uma de suas características definidoras e uma parte essencial na personalidade e relevância na história, Jackson tinha que encontrar uma maneira dos atores pequeninos serem mais baixos do que o resto do elenco.

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Para a trilogia O Senhor dos Anéis, esse efeito foi inteiramente prático. O diretor usou a perspectiva forçada tradicional para criar a ilusão de que um ator é menor que o outro. Isso incluía adereços de tamanhos diferentes (cadeiras, canecas e entre outros.)

Além disso, o posicionamento cuidadoso de um personagem como Frodo em relação a outro de estatura normal era feito dando a impressão de que os dois atores - com tamanhos semelhantes - fossem de alturas muito diferentes.

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Como a perspectiva forçada geralmente se baseia em ângulos de câmera muito específicos, a produção  utilizava conjuntos móveis que se alternavam em sincronia com a câmera, mantendo o senso de perspectiva ao longo da cena.

Nas cenas em que os Hobbits não interagiam diretamente com personagens maiores, eles eram filmados em dias e locações separadas, com tudo reunido mais tarde na edição e pós-produção.

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Ambos os métodos eram processos meticulosos e demorados, exigindo sessões de filmagem de turnos duplos ou a construção de sets minuciosamente planejados para cada cena.

Ao retornar para a franquia com a trilogia O Hobbit, Peter Jackson mudou a abordagem, incorporando um pouco de CGI à mistura. Para essa trilgia prequel, o cineasta deixou de filmar as cenas dos Hobbits separadamente e, em vez disso, filmou simultaneamente em dois sets separados.

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Um personagem de um tamanho normal filmava no set principal, enquanto seus colegas (maiores ou menores) filmavam a alguns metros de distância em um aparelho de tela verde, com câmeras programadas para reproduzir o mesmo movimento e inclinação.

Com a cena em tempo real e essa maneira digital de criar a perspectiva forçada, Jackson poderia dirigir as atuações mais facilmente, e o ator que filmava em tela verde seria inserido digitalmente nas filmagens do set principal.

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Sem dúvida, os efeitos visuais de Hobbits em O Senhor dos Anéis são contínuos e fornecem exemplos especializados de perspectiva forçada na produção de filmes. É compreensível que Jackson queira uma solução mais rápida ao trabalhar em O Hobbit - os filmes já estavam apressados ​​para prazos estritos e os personagens pequenos eram ainda mais predominantes do que em O Senhor dos Anéis.

A diferença de método pode ser sutilmente sentida entre as duas trilogias. Onde O Senhor dos Anéis  parece ser rústico e palpável, há um brilho digital na trilogia Hobbit que mostra o aumento do uso de efeitos digitais. No entanto, ambos os métodos produzem resultados fantásticos e serão lembrados como exemplos principais de efeitos especiais.


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